Uma possível volta de Neymar ao Barcelona está sendo especulada na imprensa internacional nos últimos dias. Segundo o jornal Sport, da Espanha, porém, a operação seria uma das complexas do mercado futebolístico, pois envolve uma série de prós e contras.
O camisa 10 da seleção brasileira deixou a Catalunha em 2017 rumo ao Paris Saint-Germain, que pagou a cláusula de rescisão de 222 milhões de euros (cerca de R$ 821 milhões à epoca). O processo inverso não será possível, visto que o contrato do brasileiro com os franceses não prevê um valor de rescisão. Para conseguir a volta de Neymar, o Barcelona terá que negociar diretamente com Nasser Al-Khelaifi, o xeique catari presidente do PSG.
Os contras
A péssima relação entre Barça e PSG
Ao contrário do seu rival Real Madrid, o Barcelona nunca teve uma boa relação com os parisienses. Entre acusações da diretoria francesa de que os blaugranas tentaram levar jogadores negociando com eles antes de entrar em contato com a diretoria (nomes como Marquinhos, Thiago Silva, Verratti e Di María) e fatores esportivos como as disputas na Champions League, incluindo o 6 a 1 para os espanhóis, existe um aspecto econômico.
A Qatar Foundation e a Qatar Airways patrocinaram o Barcelona por cinco temporadas através da QSI, a mesma empresa que é proprietária do PSG. Os gestores do clube parisiense nunca aprovaram o acordo por acharem que ajudava a melhorar um rival direto na busca pela Liga dos Campeões.
Uma negociação sem preço fixado
O contrato de Neymar com o Paris não estipula uma cláusula de rescisão, o que dificulta bastante as negociações entre Barcelona e o clube francês. Os catalães não poderiam simplesmente pagar um valor que tiraria Neymar da França e o traria de volta para o Camp Nou, tendo que bater na porta de Nasses Al-Khelaifi para negociar.
Como pagou 222 milhões de euros para ter o atacante em 2017, o PSG não aceitaria o negociar por menos. O preço do craque ainda sobe por ele ser um dos pilares fundamentais do projeto francês de vencer a Champions em um futuro próximo.
A saída pela porta dos fundos
Em 2017, quando negociava com os franceses, Neymar desgastou sua imagem com a diretoria e, principalmente, com a torcida catalã. O brasileiro chegou a negar para os diretores que estaria negociando com os parisienses e saiu do clube pela porta dos fundos, durante a pré-temporada nos Estados Unidos e sem se despedir da torcida.
Apesar da forma que a saída se deu, Neymar parece ter o apoio de uma parte da torcida blaugrana. Uma pesquisa realizada pelo próprio Sport aponta que 71% dos torcedores trocaria Dembelé pelo brasileiro.
Os prós
A perda do protagonismo e o desgaste em Paris
As lesões e suspensões provocaram uma queda no rendimento de Neymar na temporada 2018/2019, ao ponto que Mbappé terminou tomando o seu protagonismo no clube. O francês foi o principal artilheiro da Ligue 1, marcando 33 gols em 29 partidas, e disputou a Chuteira de Ouro até o final com Messi.
As inúmeras polêmicas também desgastaram a imagem do brasileiro com a diretoria e a torcida parisiense e os conflitos com o clube são constantes. O último aconteceu após o atacante deixar Paris antes do final da temporada para se apresentar à seleção sem a permissão da diretoria.
Sintonia com o vestiário catalão
Nem o tempo nem a distância foram capazes de abalar a relação de Neymar com seus ex-companheiros. É comum ver o jogador aproveitando suas folgas para visitar Messi e Suárez, principalmente. A relação com Piqué, um dos principais líderes do vestiário catalão, também parece intacta.
A sintonia com os brasileiros também permanece, principalmente com Arthur, com quem Neymar convive bastante na seleção. Rafinha foi visto na comemoração de aniversário do atacante neste ano, em Paris. Além dos atletas, o jornal relata que o brasileiro mantém uma boa relação com alguns diretores blaugranas.
Neymar conhece o clube e rende imediatamente
Apesar de pequenas mudanças no elenco e um técnico diferente da primeira passagem de Neymar, o Barcelona mantém a espinha dorsal de 2017 e uma parte da filosofia do clube. Além de conhecer o estilo de jogo, o atacante também traria retorno técnico imediato, afinal é um dos principais jogadores do planeta.
Por ter uma boa relação com Messi, Neymar sabe quando tem que sucumbir aos desejos do argentino e quando é necessário liderar a equipe, como fez em diversos momentos da conquista da Champions em 2015.
Neymar está pronto para substituir Messi
Quando chegou ao Barcelona em 2013, o brasileiro tinha apenas 22 anos e já era apontado como o substituto natural de Lionel Messi na Catalunha. O problema, porém, é que o argentino ainda estava com 27 anos e, como o tempo mostrou, com muita lenha para queimar. Agora, Lionel tem 31 e uma janela menor antes da inevitável queda.
Neymar voltaria ao Camp Nou com 27 anos e podendo dividir a liderança da equipe com Messi, dada a boa relação entre ambos. É inegável que o brasileiro não atingiu as expectativas que o cercavam quando chegou em Paris e uma volta ao Barcelona poderia ser o caminho para Neymar recuperar o prestígio.
