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Fabinho foi de 'contador de passarinho' na 4ª divisão a finalista da Champions League pelo Liverpool

"A gente brincava que ele ficava contando passarinho, porque era meio distraído".

Essa é uma das lembranças mais antigas e engraçadas de Élio Sizenando, atual técnico do Sub-20 do Desportivo Brasil, que viu os primeiros passos, de chuteira, de um dos donos do meio-campo do Liverpool, o volante e lateral Fabinho.

E o que não falta é lembrança.

"Eu trabalhei com o Fabinho no Paulínia por quase toda base dele", afirma.

O começo foi bem típico.

"Ele jogava na escolinha Chute Inicial, do Corinthians e só se destacou mesmo depois dos 17 anos. Teve uma maturação tardia", relembra-se o treinador. "Foi só depois que ele teve o chamado estirão", diz.

Além de ganhar corpo, a chegada da fase adulta também acabou trazendo uma outra mudança na vida do jogador.

"Ele sempre foi lateral-direito, mas comigo ele passou a jogar como volante e até como ponta na segunda linha a frente do lateral", conta.

É nessa posição que ele conquistou o técnico Jurgen Klopp. Mal sabia Elio que uma ideia sua, no inicio dos anos 2000, teria sido decisiva para o resto da carreira do jogador.

Se tivesse se mantido na posição em que surgiu, é possível que não tivesse alcançado tanto destaque no clube inglês, já que teria que concorrer pela posição com Alexandre-Arnold, um dos destaques dos Reds na temporada.

Sempre dedicado em campo, Fabinho sempre mesclou momentos de seriedade - como sua religiosidade, levada muito a sério - com a descontração típica da juventude.

"Ele era um menino muito inteligente que observava bastante. Não dava trabalho na escola porque era bom aluno, mas ele era o 'cabeça' na hora de aprontar alguma. Coisa de moleque", conta.

"Quase toda semana, acontecia alguma coisa no trajeto entre Campinas e Paulínia no ônibus que buscava a molecada", diz. "Os meninos diziam que era ele quem comandava a bagunça, ele era esperto e não fazia, só mandava os outros fazerem", disse, aos risos.

Fabinho se destacou na equipe da 4ª Divisão Paulista após ser vice-campeão paulista sub-17 ao lado do volante Gabriel, atualmente no Corinthians, e fazer depois uma grande Copa São Paulo.

"O pessoal achou que ele lembrava muito o Maicon, ex-seleção. Vários times vieram atrás dele, lembro do Coritiba e até do Vasco, mas o foi Fluminense quem o levou. É um moleque humilde e boa cabeça, sempre soube aproveitar as chances", disse Élio.

Da equipe carioca, Fabinho foi para o Rio Ave, de Portugal. Um mês depois de chegar, recebeu uma ligação de seu empresário, que lhe falou para arrumar as malas, pois eles estavam viajando para a Espanha acertar com um clube.

"Estava em casa com amigos, e de repente meu representante me liga: 'Arruma as malas que você está indo para a Espanha'. Eu falei: 'Pra Espanha?'. Ele: 'É, arruma suas malas que depois eu te falo direito'. Daí arrumei as malas e fui, mas não sabia para qual equipe eu ia (risos). Daí ele foi me buscar de carro em casa e me contou que era para o Real Madrid. Nem tinha estreado como profissional no Brasil", recordou, à ESPN, em 2015.

Após jogar uma temporada no Real Madrid B e estrear na equipe principal, realizando dois jogos, ele foi para o Monaco, em 2013. Rapidamente, o brasileiro virou o dono da camisa 2 e um dos destaques da equipe que venceu um Campeonato Francês e chegou à semifinal da Uefa Champions League.

Com isso, chamou atenção de vários clubes. A oferta do Liverpool foi a que mais o seduziu, mas também colocou sua fé à prova.

Quando a proposta oficial de Jurgen Klopp, para que ele se transferisse para o Liverpool, chegou ao atleta, sua primeira reação foi mandar um áudio no grupo de WhatsApp de seus amigos de infância, pedindo para que eles rezassem pela orientação de Deus sobre se juntar aos Reds. Isso tudo, já sabendo das cifras da transação: R$ 216 milhões.

Paulo Conrado, amigo de infância de Fabinho, contou ao SunSport que "ele queria saber se ir para Liverpool era a vontade de Deus para sua vida. Ele queria sentir paz com isso e disse que não faria isso se não sentisse que Deus queria isso".

Segundo os amigos, a fé de Fabinho é antiga. Quando garotos, diversas vezes ele deixara de jogar bola com o grupo por ter "encontros com Deus".

O novo atleta do Liverpool também recusava idas a bares e baladas, pois não deixaria Deus contente com tais hábitos e atitudes. Inclusive, os amigos também contam que Fabinho, assim como Kaká, sempre foi muito firme em relação a não fazer sexo antes do casamento.

Na primeira temporada em Anfield, demorou um certo tempo até se adaptar ao estilo de jogo inglês. Ele estreou na Premier League apenas na nona rodada. Na partida seguinte foi titular e nunca mais saiu da equipe.

Apesar da fama, o jogador preserva os mesmos valores de antes.

"Eu o reencontrei não faz muito tempo, ele já me deu camisa do Real Madrid, Monaco e do Liveprool. Sempre falo com o Roberto, o pai dele. O Fabinho continua o mesmo garoto que conheci", finalizou Elio.