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Gabriel Paulista, do Valencia, superou dispensa no Santos para brilhar e ser campeão contra o Barcelona

Destaque do Valencia no título do Valencia na Copa do Rei contra o Barcelona, Gabriel Paulista patinou para começar a carreira. Seu primeiro teste foi no Grêmio Barueri: reprovado. Em seguida, tentou o Santos, que também disse "obrigado, mas não".

"Fiquei uma semana no Santos e acabou não dando certo, acho que o técnico era o Narciso. Eles falaram que eu era um bom jogador, mas preferiam ficar com um outro que era mais experiente e que já tinha disputado Copa São Paulo. Mas isso não me deixou triste, não, só me fortaleceu ainda mais para trabalhar e buscar um clube no ano seguinte", lembrou à Rádio ESPN, em 2015.

A primeira chance veio no Taboão da Serra, time da cidade localizada na região metropolitana da capital do Estado. Em 2009, disputou sua primeira Copinha, na qual enfrentou Fortaleza, Rio Preto e Vitória.

O clube baiano gostou da atuação do defensor de 1,87m e o chamou para um teste em Salvador. Foi aprovado com louvor e passou a integrar a base rubro-negra. Ao todo, ficou cinco anos por lá, sendo puxado para o profissional pelo técnico Paulo César Carpegiani, em 2010.

"Eu venho de família humilde, e meus pais pegavam sempre no meu pé para eu arrumar um serviço e ajudar em casa. Mas eu sempre batia o pé e falava que meu trabalho seria ser jogador de futebol. Minha mãe insistia pra eu procurar emprego, porque eu era quase maior de idade, mas eu persisti, e hoje fiz da bola minha profissão", comemorou.

"Muitas pessoas falavam que eu não ia conseguir, falam que você é ruim... Todo jogador passa por isso. Até o Neymar falou uma vez que isso aconteceu com ele!", completou.

Nos tempos de base, porém, nem todos tiveram a mesma sorte que Gabriel. Um de seus colegas, por exemplo, não vingou no futebol, e hoje tanta a vida no ramo da música.

"O Rafael Aquino, que jogava comigo, hoje é cantor sertanejo, tá na batalha! Na nossa época, ele já cantava bem, animava a concentração, mas no futebol ele não quis seguir carreira. Já eu não sei cantar nada, e só sei tocar campainha (risos)", divertiu-se.

Outra história que faz o paulista sorrir mostra ao mesmo tempo como sua vida mudou rapidamente em questão de anos. Se na adolescência passou perrengues viajando de ônibus para disputar partidas Brasil afora, hoje ele vive o sonho de todo atleta profissional no Campeonato Espanhol, um dos mais importantes do mundo.

"Fomos disputar um torneio da base em Presidente Prudente, e, na volta, o ônibus quebrou. Um bando de moleque, não tínhamos dinheiro nem pra comer um sanduíche no posto. A nossa sorte é que um dos nossos colegas, o Rafael, que era sobrinho do Álvaro ex-zagueiro do São Paulo, tinha um pouco mais de condições e pagou lanche para gente. Ficamos um tempão na estrada, rapaz...", recordou.

A cada vez que lembra desses micos, Gabriel fica ainda mais feliz de hoje estar em La Liga, mesmo que isso signifique ter que correr como louco atrás de Messi.

"Jogar aqui tem sido uma grande experiência, pois é um dos melhores campeonatos do mundo. Devo isso o Vitória e ao Taboão por acreditarem no meu futebol. A cada dia aqui eu realizo o sonho de jogar com os principais jogadores do mundo", finalizou.