Com uma desvantagem de 3 a 0 para o Barcelona no jogo de ida e as ausências de Firmino, Salah e Keita, coube a Origi o papel de herói improvável do Liverpool na semifinal da Champions League.
O atacante fez dois gols na vitória por 4 a 0 em Anfield, que fez os Reds chegarem à decisão pela segunda vez seguida ao torneio continental.
"É difícil descrever essa emoção. É uma sensação fantástica, um 4 a 0 contra o Barcelona frente os nossos fãs é muito difícil. Pessoalmente, tem sido algo muito especial. Se eu estou no campo eu dou tudo. Eu sabia que seria uma noite especial em uma temporada especial", disse na zona mista, logo após o jogo.
E pensar que o belga de 24 anos já esteve na seleção dos piores jogadores do Campeonato Francês de 2015. Principal jornal esportivo da França, o L'Equipe colocou o atacante na equipe devido aos oito gols que ele anotou em 33 jogos em seu último ano na França.
Filho de um ex-jogador profissional que defendeu a seleção do Quênia e o Genk, Origi começou na base do ex-time do pai e transferiu-se para o Lille antes mesmo de se profissionalizar.
Em 2014, o atacante esteve no Brasil para a disputa da Copa do Mundo, anotando um gol (contra a Rússia, no Maracanã) em cinco jogos disputados. Ele colocou Lukaku no banco de reservas durante o torneio.
Durante o Mundial, Origi deixou claro que idolatra o ex-atacante brasileiro Ronaldo Nazário.
"Sim, me espelho nele. Ele é o Fenômeno, né? Era um jogador que partia para cima e sabia o que fazer no ataque. Então é uma inspiração para mim, ainda mais no Brasil", revelou Origi, após a vitória da Bélgica, sobre a Coreia do Sul, na Arena Corinthians, em São Paulo.
Depois da Copa, ele foi contratado pelo Liverpool e emprestado em seguida ao Lille por uma temporada, quando teve um desempenho decepcionante.
Em 2015, foi para o Liverpool, aos 20 anos, mas fez duas temporadas bastante discretas em Anfield. Origi acabou emprestado ao Wolfsburg, da Alemanha. O
"Ele jogava carta com a gente no hotel, mas não ia muitas vezes porque dormia bastante. Quando a gente o convidava ele falava que ia dormir (risos)", disse William, ex-colega do belga no Wolfsburg, ao ESPN.com.br.
"Dentro de campo nos ajudou muito e marcou alguns gols, mesmo com pouco tempo lá. Como não falava alemão e nem espanhol, acabava que o diálogo era mais difícil. Mas era um cara muito bacana e tranquilo!", disse o ex-lateral do Inter.
Origi voltou à Inglaterra e passou a ser mais utilizado por Jurgen Klopp. Na reta final desta temporada, ele entrou nos últimos três jogos.
A sua estrela havia brilhado quando marcou a vitória por 4 a 3 contra o Newcastle no último final de semana. Com isso, manteve sua equipe viva na briga pelo título da Premier League.
Cada vez mais, a lembrança dos dias difíceis em Lille estão ficando para trás.
"Espero que no futuro seja uma boa história para contar. No final da minha carreira, isso só tornará mais especial quando você puder dizer que isso aconteceu no ano anterior. Foi um ano horrível, mas tenho certeza que me fortaleceu muito quando cheguei aqui", disse Origi.
Após a noite mágica em Anfield, a frase dita em 2016 não poderia ter sido mais profética.
