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Ex-Real revela que quase tentou suicídio e relembra 'dura' de Mourinho em Ronaldo após hat-trick

Emmanuel Adebayor, um dos grandes nomes do futebol africano, relembrou vários episódios de sua carreira em entrevista ao jornal britânico Daily Mail nesta sexta-feira.

Dentre eles, o atacante falou sobre o seu período de empréstimo no Real Madrid, os seus anos de Arsenal e Manchester City, as pressões familiares que o levaram a pensar em suicídio na adolescência e também em relação ao atentado que a sua seleção natal, a de Togo, sofreu no interior da Angola há nove anos.

“Durante 42 minutos, tudo o que ouvimos foram tiros. Da esquerda e da direta, de frente e de trás. Acabei ouvindo muitos amigos gritando, mas não conseguimos nos mexer ou fazer nada”, afirma o jogador.

“Como capitão, eu disse a todos que ligassem para as suas famílias. Eu liguei para a minha namorada e disse: ‘Escute, estou prestes a partir. Ela questionou: ‘Para onde? ” Ela estava grávida. Eu afirmei que ‘se fosse menino chamasse Emmanuel Jr., mas se viesse uma mulher, gostava do nome Princesa Emannuela. E finalizei dizendo: ‘Eu te ligo mais tarde, se eu ainda estiver vivo’.

O acidente deixou três mortos e sete feridos no enclave angolano de Cabinda, próximo à fronteira da Angola com o Congo e determinou a aposentadoria do jogador de sua seleção.

Suicídio

O togolês também falou sobre o seu difícil início no futebol europeu, no Metz, da França, com apenas 16 anos de idade. O jogador disse ao jornal britânico que o seu grande esforço em conseguir se tornar um atleta profissional e ajudar sua família na África o fez pensar em tirar a própria vida.

“Havia uma farmácia abaixo do meu apartamento. Eu comprei pacotes e pacotes de comprimidos. Eles não queriam vender para mim, mas eu disse que era para uma instituição de caridade no Togo. Fiz os preparativos, bebi toda a água. Eu estava pronto para ir. Então liguei para a minha melhor amiga à meia-noite”, afirma Adebayor.

'Ele me disse para não me apressar, que tenho coisas para viver. "Você tem o potencial de mudar a África." Eu pensei: 'Você é uma vendedora de sonhos e eu não estou comprando nenhum agora'. Mas ela me tirou do momento triste que estava passando. Eu pensei que Deus deveria estar guardando alguma coisa”, completa.

E estava. Depois de dois anos no pequeno time francês, ele se transferiu ao Monaco, onde jogou por três anos, chegando a final de Uefa Champions League, em 2004.

Arsenal

Porém, a sua vida realmente mudou quando, em férias em seu país natal, o seu telefone tocou e, na linha, estava Arsène Wenger, do Arsenal.

“Um amigo pegou o meu telefone e disse que o Wenger estava na linha. Eu disse para ele parar de ser bobo e que desligasse o telefone. Mas tocou de novo e quando eu atendi era realmente ele”, diz o togolês.

“Ele me perguntou se eu estava interessado. Eu respondi: ‘estou muito interessado! E que estaria amanhã, lá’. Ele me pediu calma, mas em dois dias estava tudo certo. Tudo o que eu queria era a camisa 25 e o armário de um grande jogador da época chamado Kanu. Ele aceitou a proposta e eu fui para Londres”, completa o atleta.

Em três anos de clube, Adebayor atuou 142 vezes e marcou 62 vezes. Entretanto, a sua relação com o lendário técnico do Arsenal se deteriorou e o seu rumo acabou sendo o Manchester City.

“Eu não acordei simplesmente em Manchester. Eu queria ficar e cumpri o meu contrato. Mas quando eu voltei para a pré-temporada, o Wenger me disse: ‘Você tem que sair’. Eu o questionei, mas ele me informou que se eu ficasse eu não seria utilizado. Quando você ouve uma coisa desta você sabe que precisa partir”.

Adebayor conta, contudo, que a forma em que o Arsenal o liberou não foi o que lhe chateou. Mas sim os cantos e gestos racistas que os torcedores do clube fizeram a ele, em uma partida entre o time e o Manchester City, pela FA Cup.

“Eu me lembro de chegar ao estádio e os torcedores falarem: “Sua mãe é uma prosti*** e seu pai anda de elefante”. Eles não tinham estas profissões”, afirmou o atacante, que completou afirmando que o único modo de calar aqueles racistas era fazendo gols, o que realmente aconteceu. Porém, a sua celebração na frente da torcida do seu ex-clube lhe rendeu uma suspensão, que o enfureceu.

“Por isso que não falo nada sobre racismo. Quando celebrei, a FA me multou, eles me puniram. Nada aconteceu com os fãs do Arsenal”, analisa o jogador.

“Agora a mesma FA está tentando impedir o racismo? Eu sinto muito.... Isto não funciona dessa forma. Hoje é tarde demais. Nós estamos cansados. Já é suficiente. Eu vejo Mario Balotelli e Didier Drogba no Instagram. Quantas vezes temos que postar alguma coisa? Nós temos que reagir, sair de campo mesmo”, completa.

Mourinho

Por fim, Adebayor relembra seu período de empréstimo no Real Madrid. O atacante comentou sobre as diferenças entre Mourinho e Wenger e também o dia em que o técnico português ficou bravo com o craque Cristiano Ronado, mesmo ele marcando três gols na partida.

“Um é calmo e o outro não é. Eu lembro que estávamos perdendo por 2 a 1 e estávamos jogando uma partida ruim. Henry estava mal mentalmente e Wenger disse “Acalme-se, somos perfeitos, 65% de posse de bole, cruzamos 25 vezes. Henry me disse: ‘Quem se importa, nós estamos perdendo. Esta é a diferença entre ele e Mourinho”, analisa o togolês.

“Teve uma vez em que ele acabou com o Ronaldo mesmo após um hat-trik. Ele disse: ‘Todo mundo diz que você é o melhor do mundo e está jogando mal. Mostre-me que você realmente é o melhor. Mourinho tirava o melhor de cada um”, completa.