Em entrevista ao jornal As, o ex-meia-atacante Rivaldo lembrou o período em que foi comandado pelo holandês Louis van Gaal, conhecido por detestar jogadores brasileiros, no Barcelona.
Entre 1997 e 2000, Rivaldo e Van Gaal viveram uma época gloriosa, com dois títulos do Espanhol, uma Copa do Rei e uma Supercopa da Uefa. Além disso, o atleta foi eleito melhor do mundo pela Fifa em 1999.
No entanto, a relação entre ambos sempre foi tenebrosa, já que Van Gaal queria que Rivaldo jogasse pelo lado esquerdo, enquanto o brasileiro gostava de atuar como meia mais centralizado.
Coube a José Mourinho, que na época era auxiliar do Barça, aparar as arestas entre ambos.
"Joguei cinco anos no Barça e todos foram bons. Minha temporada preferida foi a de 1999, em que ganhei o Ballon d'Or. Foi também o início da minha ruptura com Van Gaal. Fazia três anos que ele me fazia jogar pela ponta esquerda e eu sempre fui um 10, não um 11. Eu me rebelei e, em uma partida contra o Atlético de Madrid, troquei de roupa, fui embora e ele ficou muito bravo", lembrou.
"Então, falei com Mourinho, que era seu auxiliar, para tratar de deixar as coisas claras. Eu não queria mais jogar pelo lado. Para mim, era a mesma coisa jogar pela ponta ou ficar fora do time. Foi um tempo difícil, com muita polêmica", lamentou.
Com Mourinho, que ainda não era o Special One, Rivaldo se dava bem.
"Me dava muito bem, éramos muito próximos. Ele é uma ótima pessoa. Eu me entendia mais com ele que com Van Gaal", afirmou.
Questionado se havia voltado a falar com o holandês e o português tantos anos depois, o brasileiro foi honesto.
"Com Mou, sim. Com Van Gaal, não. Mas não tenho anda contra ele. Ele é um grande treinador. Só tinha uma forma de ver futebol distinta da minha", observou.
Perguntado se é muito complicado que um brasileiro se entenda com um holandês, Rivaldo brincou.
"Se o holandês for o Van Gaal (risos)...", divertiu-se.
"São coisas que acontecem. Num choque de culturas, é importante que o treinador aceite que não sabe tudo. Por exemplo: o que sabe o que tem que fazer em campo é o Messi, não um treinador. Entendo que o jogador às vezes tem que obedecer, mas o fundamental é ser natural em campo", finalizou.
