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PSG: Mohamed Sissoko preferiu jogar pelo Mali à seleção francesa; e diz que isso o fez fracassar no time parisiense

Em 2011, o meio-campista Mohamed Sissoko estava em alta no futebol internacional e foi contratado para fazer parte da reconstrução do PSG. Porém, sua passagem pelo clube francês não ocorreu como o esperado.

Em entrevista publicada no Le Parisien, o atleta, atualmente com 34 anos, revelou que sua trajetória pelo time francês foi prejudicada por preconceito devido a sua escolha em defender a seleção do Mali ao invés da francesa.

Mesmo nascendo em Mont-Saint-Aignan, na França, Sissoko também possui nacionalidade malinense.

Ele escolheu jogar pelo país africano, algo que, segundo ele, o prejudicou enquanto atuava pelo atual campeão da Ligue 1.

Em julho de 2011, o atleta acertou uma transferência da Juventus para o Paris Saint-Germain, por um valor que gira em torno de 8 milhões de euros (cerca de 34 milhões de reais na cotação atual).

Em alta no futebol europeu, Sissoko não teve as oportunidades que desejava, e 'rodou', em diversos clubes por empréstimo, mesmo ainda pertencendo ao time francês.

Pouco menos de dois anos depois, o meia saiu, em definitivo, do PSG.

Sobre o obstáculo na carreira, o atleta, que atualmente defende o clube da segunda divisão francesa, FC Sochaux, se posicona.

"É verdade. Eu fiz uma passagem mista. A situação me frustrou. Eu fiz parte desse renascimento parisiense. Eu vim do Liverpool e da Juventus para ajudar na reconstrução do clube e não joguei tanto quanto queria. Eu era um nome chamativo, mas isso não funcionou. Em 2004, após vencer a Europa League com o Valencia, decidi jogar pelo Mali, mesmo tendo nascido na França. Se eu fosse jogador da seleção francesa, teria sido diferente. Aos olhos de muitos, me tornei um estranho. Logo, menos interessante. O meu país é a França, mas não me arrependo de ter defendido a camisa do Mali", diz Sissoko.

O veterano desabafa e também fala sobre os benefícios da 'cultura dupla' que acumulou durante a vida por ter escolhido pela dupla nacionalidade.

"Nós podemos amar dois países, eu sou a prova. A cultura dupla é uma riqueza. E, se um dia um dos meus filhos quiser jogar pela França, ficaria orgulhoso disso".

Sobre sua saída do PSG, Sissoko é direto e chega a afirmar que 'mudou' após ver lado até então 'desconhecido' do futebol.

"Eu descobri o outro lado do futebol e ele não é bonito. Eu tinha outro pensamento, sobre tudo ser fácil e ganhar o que ganhei. Então, havia tudo isso. Meu olhar sobre o futebol mudou. Na época, apenas talentos faziam a diferença. Agora há muitas redes e favoritismo. É puro negócio. E também hipocrisia. Não é para mim", finalizou.