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Juninho Paulista revela como foi disputado por Liverpool e Tottenham e afirma: 'Não deveria ter saído da Premier League'

Tottenham e Liverpool se enfrentam neste domingo pela 32° rodada da Premier League. Há 22 anos, os clubes travaram uma briga fora dos gramados pela contratação de Juninho Paulista, considerado o maior brasileiro da história do Campeonato Inglês.

No final da temporada de 1996-1997, mesmo com o rebaixamento do Middlesbrough para a segunda divisão inglesa, o meia foi eleito o melhor jogador daquela competição.

“Nessa época, antes de eu ir para o Atlético de Madrid, surgiram o Liverpool e o Tottenham. Mas aí a negociação com o Atlético de Madrid já estava bastante avançada. Por isso, eu não recuei e continuei a negociação. Analisando hoje, eu teria ficado na Premier League”, afirmou, ao ESPN.com.br.

“O Liverpool não era o que é hoje, mas estava passando por uma fase de transição. O Tottenham também não, mas eram duas equipes gigantescas”, diz o brasileiro. “Acho que pelas minhas atuações, eu não deveria ter saído da Inglaterra. Mas são decisões que a gente toma sem saber o futuro. Mas de maneira nenhuma me arrependo de ter jogador no Atlético de Madrid, pois foram anos maravilhosos”, completa.

Pioneirismo na Premier League

Revelado pelo Ituano e bicampeão da Libertadores e do Mundial de Clubes pelo São Paulo em 1992 e 1993, Juninho era considerado um dos grandes nomes futebol brasileiro - era presença constante na seleção - do início da década de 90.

Por isso, a sua ida ao time do nordeste da Inglaterra, em 1995, foi uma surpresa para todos, já que o futebol inglês, não era tão frequentado por atletas nascidos no Brasil.

“Eu fui um dos pioneiros depois do Mirandinha. Foi uma aposta. Acreditei no projeto do time e me dei bem. Uma coisa era o jogo na minha época, muito diferente de hoje, mas me adaptei muito bem”, confirma Juninho.

“Quando eu vi o futebol deles, fiquei assustado porque tinham muitos lançamentos diretos da defesa para o ataque. Por isso, eu conseguia encontrar muito espaço, era incrível. Muitas vezes, nos primeiros dez minutos, eu não pegava na bola. Era só balão e correria. Mas depois, quando o jogo assentava, os espaços começavam a surgir".

Porém, mesmo com esta diferença entre o futebol brasileiro e o inglês, Juninho conseguiu se destacar, se tornando um dos grandes ídolos da história do Middlesbrough, com 34 gols em 155 jogos pela equipe.

Além de seu desenvolvimento como jogador, ele também conseguia ver que logo a Premier League iria crescer.

“Desde lá, dava para sentir que era um dos melhores campeonatos do mundo. Foi se abrindo o mercado e tendo mais sul-americanos e agora está assim”, afirma o brasileiro. “Porém, naquela época, não se passava tantos jogos do Inglês, como acontece hoje”.

Título na hora certa

Juninho Paulista passou pelo Middlesbrough em três ocasiões diferentes. Nas temporadas de 1995 até 1997, em 2000 e também de 2002 a 2004.

Em 1997, o time, guiado pelo brasileiro, chegou às finais da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga Inglesa, mas foi derrotado para Chelsea e Leicester City, respectivamente.

Em 2004, porém, a sorte voltou ao lado do jogador, que conseguiu, enfim, erguer o seu primeiro título com a camisa do Boro: a Copa da Liga. Em duelo realizado em Wembley, a equipe venceu o Bolton.

“Até hoje, eles falam muito sobre esse título. Eu fui para lá para ter sucesso no time, ganhar títulos e participar de competições europeias. Fomos para colocar o clube em um patamar maior e uma conquista fez isso. Nos coroou”, afirma o atleta.

“Os jogos em Wembley foram espetaculares, algo que para os ingleses é sensacional. Só jogam lá os jogadores de seleção ou se você vai para alguma final de copa. Para eles, é uma importância gigante”, completa.

Os melhores adversários

Em quase seis anos jogando na Inglaterra, Juninho destaca dois times como os adversários mais difíceis na competição: o Arsenal, que foi campeão invicto da Premier League de 2003-2004, e o Manchester United, que faturou a tríplice coroa em 1999.

“Lembro quando batemos os Red Devils em Old Trafford, por 3 a 2. Era um timaço do Ferguson, que quase não perdia em casa. Fiz dois gols e ajudei a nossa equipe”, afirma o atacante.

“Além disso, tinha o nosso dérbi contra o Newcastle, que tinha o Alan Sherarer e o Ginola, que era craque. Eles chegaram a disputar o título da liga. Esse jogo conseguia parar a região norte do país”, completa.