O italiano Nicolo Barella tem apenas 22 anos, mas já virou um símbolo da região em que nasceu e do Cagliari, clube que defende desde a infância. No último jogo da seleção, ele fez um dos gols da vitória de sua equipe contra a Finlândia, por 2 a 0. O meia, que é fã de craques brasileiros, vem sendo cobiçado por grandes clubes europeus.
“Ele é da Sardenha e veio da base. Subiu ao profissional, mas não teve chances e foi emprestado para o Como, da Série B italiana. Foi muito bem e voltou para o time, treinando com o elenco principal. O técnico, na época, gostou muito dele, colocou-o para jogar e ele nunca mais saiu”, afirma Rafael Pinheiro, goleiro do Cagliari, ao ESPN.com.br.
“Ele continua com a mesma vontade de vencer e com uma personalidade imponente. Não sentiu a mudança do futebol da base para o profissional e, isso, aqui na Itália, é bem difícil de acontecer”, diz Rafael.
O brasileiro acredita que o jovem colega tem uma maturidade incomum para sua idade devido ao fato de já ser casado e ter filhos.
“Por isso, foi importante ele sair da ilha. Para voltar com mais fome de querer ser titular e brigar, a cada jogo, para ir bem. Ele é diferente. Nunca se acomoda por ser um garoto cria do clube”, completa.
Famosa pelo turismo, a Ilha da Sardenha tem dificuldades para montar grandes times e revelar atletas.
“Não é fácil ter jogadores na Sardenha. Por mais que seja um território grande, muitos jovens e famílias deixam a região para ganhar a vida no continente. O fato dele ter crescido aqui e ser local, isso, para o time, e para região é muito importante - ainda mais no futebol", afirma Rafael.
Apesar de ser um símbolo de sua região, Barella é fã dos craques brasileiros.
“Sempre estamos vendo vídeos do Ronaldinho e Ronaldo. Ele sempre acompanhou muito o nosso futebol. Curte muito ver as jogadas, os dribles, o toque por baixo das pernas, o chapéu”, afirma Rafael.
Outra febre entre os brasileiros, o futmesa, também caiu nas graças do atleta.
“Ele curte muito porque é muito técnico e era algo que ainda não existia na Itália. Os preparadores físicos fica bravos algumas vezes com a gente, porque a gente joga toda hora”, confessa, aos risos, o goleiro.
Nova geração italiana
O jovem ganhou visibilidade no futebol europeu quando passou a atuar pela seleção italiana. O meia virou um dos símbolos da renovação promovida pelo técnico Roberto Mancini no elenco da Azzurra.
“O Barella é aquele meio-campista versátil. Joga em todas as posições, até na frente da defesa. Ele é aquele cara que não para o tempo todo, corre, divide, sobe de cabeça e finaliza para o gol”, afirma Rafael.
“O estilo de jogo me lembra muito o Allan, do Napoli. Desarma, cria, chuta ao gol. Você vê ele no campo todo. Ele é um jogador completo que está esperando uma mudança pra um time grande para ver como irá reagir. Dentro de um vestiário onde tem um jogadores do mesmo nível dele”, completa.
A única vez que um time da região foi campeão italiano, por exemplo, foi o próprio Cagliari, na temporada de 1969-1970, com um dos grandes nomes da história do futebol da Itália no ataque, Luigi Riva.
Além disso, o último grande nome que saiu da região foi Andrea Cossu. O atleta, que se aposentou na temporada passada, jogou pelo Cagliari por 11 anos e, na Copa de 2010, esteve cotado para ser o substituto de Andrea Pirlo na seleção nacional, porém o meia conseguiu se recuperar e foi convocado.
Por causa dessa escassez de talentos, o mandatário do Cagliari, Tommaso Giulini, afirmou que Barella, que já recebeu propostas de Napoli, Chelsea e Internazionale, só sairá do time por 50 milhões de euros (R$ 218 milhões).
“O presidente sabe que vai demorar muitos anos para surgir um novo jogador assim. Ele quer fazer o máximo para ele ficar o máximo de tempo possível, até mesmo na próxima janela de transferências. Mas vai ser muito difícil segurá-lo”, completa o goleiro.
