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Herói do Santos, Júnior Moraes recomeçou na Europa e hoje é artilheiro e defende a seleção da Ucrânia

Júnior Moraes foi a maior novidade da convocação da seleção ucraniana para as eliminatórias da Eurocopa 2020 feita pelo técnico Andriy Shevchenko (ex-atacante e ídolo do Milan).

O brasileiro vive grande fase com a camisa do Shakhtar Donetsk-UCR nesta temporada, tendo marcado 21 gols, um a mais do que Neymar, astro do PSG.

Filho do ex-atacante Aluísio Guerreiro e irmão do centroavante Bruno Moraes, ambos ex-jogadores do Santos, Júnior Moraes foi também revelado na Vila Belmiro.

Ele ficou conhecido após fazer o gol aos 36 minutos do segundo tempo que deu o título do Paulistão de 2007 sobre o São Caetano, na vitória por 2 a 0 no Morumbi.

O feito tinha tudo para alavancar a carreira do atacante. Porém, não foi isso o que ocorreu. Sem tantas chances com o técnico Emerson Leão, acabou emprestado a Santo André e Ponte Preta e não conseguiu se destacar.

"Fiquei dez anos no Santos, cerca de um ano e meio no profissional. Em 2007, foi maravilhoso, fomos campeões paulistas, vice do Brasileiro e chegamos à semifinal da Libertadores. Eu evoluí e aprendi muito com excelentes jogadores, depois tive um revés com a chegada do Leão, ele não me deu oportunidades. Ele já tinha tido problemas com o meu pai e o meu irmão. Neste período tive algumas propostas muito boas para sair, até da Europa, mas não queriam me liberar e prometiam que iam me dar uma oportunidade", disse o jogador em entrevista à Rádio ESPN, em 2015.

Como não conseguiu se firmar no Brasil, ele resolveu recomeçar a carreira no Gloria Bistrita, da Romênia, em 2010. Após chegar somente no meio da temporada, o atacante fez 17 jogos e marcou dez gols, seis a menos do que o artilheiro Andrei Cristea, do Dínamo Bucareste.

Em 2010-11, o brasileiro também só participou de meia campanha e balançou as redes oito vezes em 15 confrontos. "Minha carreira começou a deslanchar na Romênia, e as coisas evoluíram outra vez."

Na sequência, ele jogaria por um ano no CSKA Sofia, da Bulgária, pelo qual foi artilheiro do Campeonato Búlgaro e eleito o melhor jogador da competição. Em 2012, passou a atuar pelo Metalurg Donetsk,.

Ele chegou a ser vice-artilheiro da liga nacional com 19 gols, um a menos do que Luiz Adriano, do Shakhtar.

Após três temporadas, ele foi contratado pelo tradicional Dínamo de Kiev. Depois de marcar apenas oito gols no primeiro ano, no segundo o atacante deslanchou.

Depois de 16 jogos e dez gols no Campeonato Ucraniano, Júnior Moraes, era o artilheiro do torneio, mas foi emprestado ao Tianjin Quanjian por quatro meses.

No período na China, ele atuou ao lado de Pato e do belga Axel Witsel, além de ter sido comandado pelo técnico Fábio Cannavaro (ex-zagueiro de Juventus e Real Madrid)

“Uma vez fizemos um treino sério, e o Cannavaro dividiu em três times. Faltou um jogador para completar, e ele falou: ‘vou jogar’. Nós ganhamos todos os jogos no minitorneio. Dá pra ver a mentalidade e a força de querer vencer, mesmo que hoje em dia ele esteja com uma idade avançada. Dá pra ver a qualidade que ainda tem como jogador e a força mental de querer sempre vencer. Ele ganhou todas as disputas de bola. Isso me impressionou bastante”, contou.

Após voltar ao Dínamo de Kiev, Júnior Moraes fez 12 gols em 20 jogos. Foi contratado no meio de 2018 pelo Shakhtar Donetsk, clube mais rico da Ucrânia e recheado de brasileiros.

Desde então, ele vem se destacando com uma grande quantidade de gols. Apesar de ter tido em entrevistas que sonhava com a seleção brasileira, acabou se naturalizando ucraniano e chamado pela seleção local.

“Fico muito feliz e gostaria de agradecer, sobretudo, aos meus companheiros e ao Shakhtar. Sem dúvida estou passando pelo melhor momento da minha carreira. É um momento especial”, disse.

Júnior Moraes poderá fazer sua estreia pela Ucrânia ao lado do compatriota Marlos (seu colega também de equipe) nesta sexta-feira, contra Portugal.