Lionel Messi estava em Kazan, onde a seleção argentina virou o primeiro tempo derrotando a França por 2 a 1, mas acabou deixando a vantagem escapar e deu adeus ao sonho do primeiro título depois de 1986. Foi uma das partidas mais malucas daquela Copa do Mundo.
Cristiano Ronaldo estava em Sochi, nas margens do Mar Negro. Mesmo com os milhares de quilômetros separando os dois, eles estavam juntos em espírito: Portugal também perdeu por 2 a 1 e acabou eliminado da Copa.
Isso significou que o tão sonhado encontro de Cristiano e Messi em uma Copa do Mundo não aconteceria. Mais quatro anos se passariam sem que dois dos melhores da história conquistassem o maior prêmio do futebol.
Por um tempo, especularam que os dois não jogariam mais por suas seleções. Ambos ficaram de fora das três datas Fifa que vieram logo após a Copa, perdendo um total de seis partidas. Nunca houve uma explicação oficial para as ausências, apenas especulações. Para Messi, a justificativa seria que o argentino queria uma pausa após ver sua seleção argentina virar as costas para Jorge Sampaoli e entrar em colapso na Copa. Para Cristiano, a justificativa foi que, após nove anos no Real Madrid, ele queria focar nos detalhes da sua ida para a Juventus.
Razões válidas? Claro. Mas isso não impediu que o mundo entrasse em erupção, pensando que nunca mais veríamos os dois craques com as camisas de suas seleções.
Felizmente, não precisamos nos preocupar com isso. Aliás, eles estarão em campo simultaneamente na sexta-feira: Portugal enfrenta a Ucrânia nas eliminatórias da Eurocopa de 2020 em Lisboa; 15 minutos depois, a Argentina joga contra um amistoso contra a Venezuela em Madrid.
Ninguém ganha um prêmio por descobrir o que os fez voltar. Ambos são competidores natos, e os próximos meses não serão de férias para nenhum. Portugal está na fase final da Liga das Nações da Uefa, uma espécie de quadrangular contra Suíça, Holanda e Inglaterra. Messi tentará vencer a Copa América, que ele já jogou cinco vezes e não venceu nenhuma.
E então, ainda distante no horizonte, temos a Copa do Mundo de 2022 no Catar. Será a primeira Copa a ser disputada durante o inverno no hemisfério norte e sexta-feira marcará 1.299 dias para o começo da competição.
Messi terá 35 anos de idade, enquanto Cristiano estará próximo de completar 38. O camisa 10 do Barcelona poderá se tornar o terceiro argentino mais velho a jogar uma Copa, atrás de Martín Palermo em 2010 (37 anos) e o lendário Angel Labruna, que disputou a Copa de 1958 com 40 voltas ao sol. Cristiano Ronaldo poderá se tornar o português mais velho a disputar a Copa do Mundo em toda a história.
Nós não estamos falando de astros do futebol. Não estaríamos tendo essa conversa se os dois fossem ‘apenas’ astros. Mas estes dois transcendem muito do que pensávamos ser possível na carreira de um jogador de futebol.
Messi completou 31 anos no último mês de junho. Ele marcou 39 gols em 37 partidas disputadas nesta temporada. Ronaldo tem 34 anos e fez 24 gols em 36 jogos. Pelé fez apenas 9 na temporada em que completou 31 anos e, quando fez 34 – seu último ano no Santos – marcou 10 em 27 partidas. Maradona? Ele fez 10 gols em 26 jogos no ano em que completou 31 anos, apesar de ter tido aquela suspensão de 15 meses por conta de cocaína. No ano em que ‘Dieguito’ completou 34 anos, outra suspensão: doping na copa de 1994. Apesar de tudo isso, ele ainda voltou e jogou mais duas temporadas pelo Boca Juniors, se aposentando aos 37 anos de maneira digna.
Não estamos trazendo Pelé e Maradona para a discussão com o intuito de reabrir o debate do melhor jogador da história, mas para mostrar como Cristiano Ronaldo e Messi são diferentes de qualquer coisa que já vimos e nós, acostumados com os dois há mais de 10 anos, esquecemos como são absurdos. Não é apenas produtividade constante, argumento que pode ser rebatido com a evolução do futebol e como astros são protegidos pelos árbitros. Não estamos falando disso.
Cristiano e Messi são duas máquinas.
Aproveitem. E agradeçam por suas carreiras nas seleções não terem terminado em 30 de junho.
