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São Paulo: César Filho revela como em 2004 quase colocou Ariel Ortega no Morumbi

Ariel Arnaldo Ortega foi um dos principais jogadores do futebol argentino na década de 90. Com apenas 17 anos, já era titular do River Plate e em 96 foi campeão da Copa Libertadores pelo time de Buenos Aires.

Apontado como sucessor natural de Diego Maradona, o meia jogou três Copas do Mundo (1994, 1998 e 2002), atuou na Europa e por muito pouco não veio parar no São Paulo.

Em 2004, 'Burrito' Ortega não jogava há um ano e meio por causa de uma briga com o Fenerbahce, que exigia o pagamento de uma multa de 11 milhões de dólares pela rescisão unilateral do contrato.

Ele havia sido contratado depois do fracasso argentino no Mundial da Coréia do Sul e do Japão, que caiu na primeira fase do torneio.

O meia tentou voltar ao River, mas foi impedido e chegou a anunciar sua aposentadoria com apenas 30 anos. Foi então que César Filho, hoje apresentador da TV Record, teve a ideia de oferecer o meia para o clube do Morumbi.

"Eu conversei bastante com o [técnico] Cuca, que estava querendo um meio-campista. Ele aprovou, mas disse que dependia da diretoria. Eu vi no noticiário que o Ortega estava afastado porque tinha ido para o Fener e não se adaptou por algum motivo. Ele resolveu não voltar à Turquia", disse César Filho, ao ESPN.com.br.

"O clube entrou na Fifa e o proibiu de jogar futebol para o resto da vida porque estava descumprindo um contrato. Na época eu falei com a [advogada] Gislaine Nunes, que fazia trabalho para vários jogadores. Ela analisou o caso e disse: 'Traz ele para o Brasil. Eu entro na Justiça do Trabalho e ele poderá jogar em dois ou três dias'. Ela me passou todas as partes burocráticas", relatou.

O apresentador, torcedor são-paulino, passou a cuidar da complexa operação para trazer o camisa 10 da Argentina na Copa do Mundo de 2002 para o Morumbi.

"Eu tinha uma amigo argentino que mora no Brasil que conhecia familiares próximos do Ortega. Consegui o telefone da casa dele e liguei. No começo ele ficou um pouco assustado, mas assim que dei as garantias para ele que iria jogar pelas leis trabalhistas do Brasil, ele super se animou. A gente ia pela Justiça do Trabalho, não pela Esportiva", afirmou.

Para evitar o assédio da imprensa e estragar a negociação, Ortega permaneceu "escondido" por um tempo em sua casa, em Buenos Aires. Enquanto isso, César Filho tentava convencer a diretoria do São Paulo de que o negócio era viável.

"A situação andou um pouco, mas no fim, a diretoria ficou com medo de sofrer represália. Eu falei com Juvenal Juvêncio, que era diretor de futebol à época, e eles acharam que a Fifa poderia fazer algo contra o clube", contou.

Após não acertar com o São Paulo, Ortega foi para Newell's Old Boys, que chegou a um acordo com o Fener e topou pagar cerca de 3,5 milhões de dólares. Na equipe de Rosário, 'Burrito' conquistou o Torneio Apertura.

"Seria bacana porque eu conseguiria fazê-lo voltar ao futebol e no meu time de coração. Mas não deu certo. Pelo menos fiquei feliz que depois ele voltou ao futebol e foi campeão. Resolveu sua situação. Talvez tenha sido até melhor para ele voltar à Argentina", admitiu.

Ortega ainda voltou para o River Plate e venceu o Clausura de 2008. Depois, sua carreira entrou em declínio - ele admitiu que teve muitos problemas com o alcoolismo - e ele ainda passou por times de menor expressão como Independiente Rivadavia, All Boys e Defensores de Belgrano antes de se aposentar, aos 38 anos.