Reforço do Corinthians 'virou urso' no São Paulo e comeu escorpião para agradar ao chefe chinês

Após rescindir contrato com o Guangzhou R&F, da China, Júnior Urso é o mais novo reforço do Corinthians para 2019. Será o retorno do volante, que será apresentado nesta terça-feira, ao clube pelo qual torcia na infância e fez testes antes de virar profissional, mas não permaneceu.

O irmão mais novo de Peter, ex-jogador de Grêmio e Portuguesa, mostrava talento com a bola nos pés e resolveu tentar a sorte também no São Paulo. No clube do Morumbi ganhou o apelido que o acompanharia desde então.

"Eu tinha tranças no cabelo e os meus empresários falaram que eu deveria tirar porque o São Paulo é um clube muito certinho, então fui com cabelo solto, bem black power. Como tinha um Juninho lá, começaram a me chamar de Urso por causa daquele desenho animado 'Urso do cabelo duro' (risos). Lá ninguém sabia meu nome", disse Júnior Urso, em entrevista ao ESPN.com.br, em 2015.

Mesmo não tendo conseguido uma vaga na equipe do Morumbi, o desenho da Hanna-Barbera não abandonou o atleta. Jogando pelo Banespa, foi bem em amistosos contra o Santo André. Convidado pelo técnico Baroninho, foi integrado aos juniores do time do ABC.

"Quando cheguei lá achei que o apelido ia morrer, mas tinham mais dois caras com mesmo nome: Júnior Dutra e Júnior Caiçara. Daí eu conheci o Ricardo Goulart, que era justamente irmão do Juninho, do São Paulo. Ele descobriu que eu era o Urso, daí o apelido chegou e pegou por lá também, mas gosto bastante", contou.

Ele tinha hábitos semelhantes ao animal que costuma descansar no inverno. "Eu dormia bastante (risos). Todo dia viajava de Taboão da Serra para Santo André. Saía às quatro da manhã e chegava às sete. No estádio a gente ainda pegava 'busão' para treinar em Mauá e eu ia dormindo sempre porque precisava. Eles me davam tapa na orelha e falavam assim: ‘Urso, você só hiberna. Acorda, porra (risos)'", divertiu-se

No "Ramalhão", porém, não teve muitas oportunidades. Rodou depois por Ituano, Avaí e Paraná até chegar ao Coritiba. No Alto da Glória, foi bicampeão estadual e vice da Copa do Brasil, o que despertou interesse de vários clubes.

"Meu empresário não me passou nomes pra não me empolgar, mas aí veio a China. O meu passe era dividido com alguns empresários, Ituano e Coritiba também tinham uma parte, mas os chineses compraram 100%. No começo não queria vir porque não sabia como era, mas resolvi aceitar", relatou.

O doce veneno do escorpião

Logo nos primeiros dias no Shandong Luneng, Júnior Urso provou uma das iguarias locais. "Antes de ir para minha casa apresentei no clube e não tinha nada pra comer. Vi um prato que estava tampado e todo mundo em volta estava dando uma risadinha. Quando abri, vi que tinha um macarrão branco e vários escorpiões (risos). Para agradar ao presidente, que estava lá, acabei comendo um", relembrou.

"Ele não era ruim, mas como sabe que é escorpião, não dá vontade de comer. Era bem crocante e seco, mas não tinha um gosto de nada. Outra vez vi tartaruga e carne de pônei na panela, mas não comi (risos)", recordou.

"Na China acharam que Urso era meu nome, porque o animal aqui tem nome diferente. Queriam sempre saber o motivo e tinha que explicar quer era por causa do cabelo e porque dormia muito", disse.

O volante relata que por ser um país ainda muito fechado, alguns chineses não estavam acostumados com negros. "No meu primeiro ano era difícil, me olhavam o tempo todo e ficavam curiosos. Depois que ficamos mais conhecidos porque o time ficou famoso, aonde a gente vai é foto e autógrafo, dão carinho. As crianças não estão acostumadas com negros, ficam passando a mão na sua pele porque nunca devem ter visto. Não é por maldade, mas porque não conhecem mesmo", afirmou.

Em 2016, ele jogou uma temporada pelo Atlético-MG antes de retornar para a China, para jogar pelo Guangzhou R&F.