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Por que o Barcelona não quis Rodrigo Caio, mas contratou Todibo, ex-zagueiro do Toulouse

O pequeno Stade Municipal em Les Lilas não mudou muito desde a primeira vez que Jean-Clair Todibo entrou nele 10 anos atrás.

Ele ainda está localizado na parte inferior de uma grande propriedade, com o campo principal no meio e os campos próximos a ele. É um lugar muito familiar para o defensor, que se juntou a este pequeno clube no norte de Paris, atualmente disputando a 5ª divisão francesa, com apenas 6 anos de idade. E onde ele ficou até os 16 anos, quando partiu para o Toulouse.

Há dois anos e meio, Todibo ainda estava jogando no clube. Agora, o jogador de 19 anos deve ter como companheiro ninguém menos do que Lionel Messi no Barcelona na próxima temporada, depois de concordar com um acordo para assinar pelo clube catalão em uma transferência gratuita na próxima janela.

Até o início da temporada 2018-19, Todibo nunca havia jogado um jogo profissional em sua vida. Dez jogos da Ligue 1 pelo Toulouse depois, ele está a caminho de um dos maiores clubes do mundo. É uma história de conto de fadas que só o futebol (e especialmente o futebol francês) pode escrever. Mas como o defensor conseguiu isso, depois de o Barcelona recuar em um acerto com o brasileiro Rodrigo Caio, justamente preocupado por usa adaptação ao futebol espanhol?

"Les Lilas é um clube de família e Jean-Clair fazia parte da nossa família. Nós o vimos crescer, desenvolver, amadurecer e ficar cada vez mais forte. Ele sempre foi muito determinado, motivado e ambicioso", disse o diretor esportivo do clube, Bruno Coton- Pelagie, que treinou o sub-17, o sub-19 e a primeira equipe nos últimos 20 anos, à ESPN.

"Ele era um garoto da cidade mais próxima, Bagnolet, muito respeitoso e trabalhador. Ele era talentoso e trabalhou muito para se tornar melhor e chegar ao topo. É uma história incrível e que você não poderia ter previsto quando ele tinha 17 anos. Nunca pensamos que sua ascensão seria tão rápida, mas ele merece muito crédito por ter feito isso acontecer"

Aos 14 anos, Todibo não estava entre os melhores jogadores de sua equipe Les Lilas. Então ele fez o que poucas crianças deveriam fazer nessa situação: Continuou trabalhando. "Quando sua sessão de treinamento com o time sub-17 terminou, ele perguntou se poderia treinar com o sub-19", disse o antigo técnico de Todibo, Amadou N'Diaye, à ESPN. "Ele era tão dedicado, e sabia o que queria e o que tinha que fazer para conseguir. Ele não era o mais talentoso, mas era o mais determinado".

Aos 16 anos, Todibo se tornou muito mais forte e seu talento começou a aparecer.

"Ele jogava como um meio-campista defensivo e era excelente. Seu irmão mais velho, Loic, estava sempre atrás dele. Ele estava fazendo seus aquecimentos antes do treinamento começar. E ainda trabalhariam após o treinamento. Loic sempre o pressionava e era realmente rígido e exigente. Às vezes eu pensava que era demais, mas Jean-Clair estava adorando os desafios dados por seu irmão. Ele queria trabalhar mais, trabalhar mais. E valeu a pena", declarou Coton-Pelagie.

Todibo teve testes no Manchester United, Le Havre e outros clubes da Europa, mas assinou com o Toulouse no verão de 2016. Lá, ele jogou pelo sub-19 até subir para o time profissional há cerca de oito meses. O clube demorou dois anos para perceber seu talento e, quando perceberam, já era tarde demais: Todibo se recusou a assinar uma renovação.

Como resultado, depois de apenas 10 jogos, o defensor levou uma "geladeira" do Toulouse e não joga pelo clube desde 3 de novembro por causa de sua situação contratual.

Assim que o Barcelona deixou claro seu interesse, foi uma escolha fácil. Muito poucos jogadores jovens recusam a chance de jogar no Camp Nou, e se você acha que o Todibo está apreensivo com a ideia de se juntar a um clube tão grande, você está errado. Depois de anos lutando mental e fisicamente nos campos ásperos dos subúrbios parisienses, após ser atropelado por um carro aos 8 anos de idade e temendo nunca mais jogar futebol (ele tem uma perna maior do que a outra desde o acidente), ele está pronto para coisas maiores.

"Todibo sempre odiou perder. Quando criança, ficou tão chateado depois de uma derrota que precisei conversar com ele por uma hora para consolá-lo. Isso o deixou ainda mais faminto", disse N'Diaye. "Ele tinha uma educação rígida. Não era o tipo de criança que ficava nas ruas tarde da noite. Estava falando sério, com boas maneiras. Ele ia bem na escola e queria se dar bem em tudo o que fazia", opinou o diretor do Les Lilas.

Para muita gente, Todibo é o novo Raphael Varane, que foi contratado pelo Real Madrid do Lens quando tinha 18 anos, em 2011. Ele é destemido, talentoso e determinado, mas tem os pés no chão. "Alguns meses atrás, ele voltou para nos ver no clube. Ele veio para assistir a equipe principal jogar. Estava lá com seus companheiros, os mesmos amigos de quando estava aqui, contando as mesmas piadas e falando que nunca mudará seu jeito", detalhou Coton-Pelagie bastante feliz.

Para o Barcelona, ​​conseguir Todibo em uma transferência gratuita é um negócio incrível, já que ele estava sendo observado por clubes como Liverpool, Manchester City e Manchester United. A influência de Eric Abidal, ex-jogador da seleção francesa e atual diretor técnico do clube espanhol, é clara, com o contingente francês no clube ainda contando com Clement Lenglet, Samuel Umtiti e Ousmane Dembele. Além disso, Adrien Rabiot deve chegar no meio do ano.

É um tipo de contratação diferente, portanto, a de Rodrigo Caio, preterido por Jeison Murillo, emprestado pelo Valencia. O brasileiro e o colombiano disputavam uma vaga para ser uma solução improvisada para a defesa, e o Barcelona preferiu quem já conhecia LaLiga. Todibo, por outro lado, é uma aposta para o futuro.

Para o Toulouse, no entanto, ver seu prodígio sair sem receber nada, é algo difícil de engolir. O clube decidiu não falar sobre isso publicamente, mas em particular, o dono Olivier Sadran e a hierarquia do clube ainda parecem não acreditar nisso.

"Fizemos uma oferta muito boa para ele assinar o seu primeiro contrato profissional conosco, melhor do que qualquer outro jovem da nossa história, e mesmo assim ele não quis. Precisamos de jogadores comprometidos e investidos", disse Jean-François Soucasse, um dos dois CEOs do clube, à imprensa local há algumas semanas.

Sadran, por outro lado, escolheu apenas criticar o Barcelona. "Eles não se comportaram como um grande clube", disse ao L'Equipe. "E também, é extraordinário: eles declaram que o jogador estará com eles em julho, mas eu não conheço ninguém que saiba o que acontecerá em seis meses. A vida pode surpreender você, mesmo os mais desconfortáveis. Isso mostra sua arrogância. Para um grande clube, não é muito correto, mesmo que, legalmente, eles tivessem o direito de fazê-lo".