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Ex-Fluminense, Rafael Assis viu astro do Liverpool nascer para o futebol e agora quer brilhar no Náutico

Vice-campeão da Copa São Paulo de futebol júnior em 2012 com o Fluminense, Rafael Assis conseguiu recomeçar sua carreira no Náutico no ano passado após enfrentar várias dificuldades.

Sem chances no time profissional das Laranjeiras, ele foi emprestado para Tupi-MG e Istres, um clube da segunda divisão da França, em 2013. Na equipe, ele viu surgir para o futebol o meia Naby Keita, hoje no Liverpool e avaliado em 65 milhões de euros (R$ 276 milhões).

"Fico muito feliz por ele, um cara que merece, muito humilde, que tem um grande futebol. Hoje, com ele arrebentando, fazendo sucesso, pegando seleção, que sempre foi o sonho dele", elogiou, ao ESPN.com.br.

Depois, ainda passou por Esportivo, Caldense, Betinense e Anápolis antes de se aventurar no Sanjoanense, da terceira divisão portuguesa. Após ficar desempregado por alguns meses, o atacante de 25 anos acertou com o Náutico no começo do ano passado.

Após faturar o Pernambucano de 2018, Rafael Assis renovou seu contrato com a equipe pernambucana.

"Meu principal objetivo, como o de todos que estão aqui, é a volta à Série B. Como eu disse, neste ano vamos ainda mais fortes. A meta individual é ter sequência, manter regularidade, fazer bons jogos, porque o jogador de futebol sempre precisa disso", analisou.

Veja a entrevista na íntegra com Rafael Assis:

Como você começou no futebol?
Eu comecei no futebol jogando campeonatos escolares na minha cidade. Comecei no salão, jogo de quadra, e depois passei para o campo, jogando em escolinhas na cidade onde eu moro. Foi onde tudo começou. Eu nunca tinha trabalhado com outras coisas antes, mas sempre ajudava em casa quando tinha obras e coisas assim. Foi assim que fui, aos poucos, começando no futebol.

Como chegou ao Fluminense?
Eu cheguei no Fluminense depois de um jogo amistoso que teve na minha cidade, em que um olheiro do Fluminense me assistiu. Ele me selecionou, além de outros dois atletas, para ficar em um período de testes. E aí eu fiquei dois meses, se não me engano, fazendo testes e acabei sendo aprovado. Graças a Deus, deu tudo certo, e foi aí que recebi o convite para ir para o Fluminense.

O apelido de Assis você ganhou na base?
Todo mundo me faz essa pergunta, 'por que o apelido Assis?'. Todo mundo pensa que é um sobrenome meu, mas não. Ganhei esse apelido logo quando cheguei ao Fluminense, por conta do ex-jogador Assis, o Carrasco Assis, que fez muito sucesso no Fluminense. Quando eu cheguei, ele morava no clube, no CT, e éramos muito parecidos mesmo, a aparência, o modo de andar, o jeito magrinho, parecia bastante. Começaram a me chamar assim e pegou (risos).

Quais melhores momentos na base?
Eu tive grandes momentos no Fluminense. Foi um período muito bom durante os quatro anos que fiquei lá. O meu melhor momento foi quando subi para o juniores, porque eu já estava mais maduro, com um pouco mais de experiência, apesar de ainda estar na base. Conquistei o título carioca, tivemos ótimas campanhas, fomos vice-campeões da Copinha... batemos na trave para o Corinthians, na decisão.

Por que não teve chance no profissional do Flu?
Não tive muitas chances porque, naquela época, aproveitava-se muito pouco os jogadores da base. Até chegávamos a treinar com o profissional, às vezes éramos selecionados, já fui muitas vezes. Como eu disse, fizemos uma excelente Copa SP, que é a maior competição de base, um tiro para o profissional, mas, naquela época, nenhum jogador subiu, foram subir depois. Acredito que tenha sido esse o motivo, mas não tenho nenhuma mágoa do Fluminense. Queria ter tido, claro, oportunidades de mostrar o meu trabalho, acho que poderia ter dado certo. Mas o importante é que vivi momentos bons lá, que levarei para toda a minha vida.

Como surgiu a França na sua vida?
Na França eu fui meio que pego de surpresa. Eu tinha sido emprestado pelo Fluminense ao Tupi na época, em 2013. Lá, disputei o Campeonato Mineiro e fiz uma ótima competição, sendo um dos destaques e uma das revelações. Aí, comecei a ser sondado, com interesse de clubes de Série B, podendo retornar ao Fluminense também. Então, apareceu a oportunidade de ir para a França. Fui junto com um amigo meu, que também era do Fluminense, por empréstimo. Foi aí que tudo começou.

Fora de campo quais as maiores dificuldades? Lembra de alguma história que mais te marcou lá?
Dificuldade fora de campo, que mais tenho, é ter que ficar longe da família, né. É muito ruim, muito chato você ficar longe da família, longe do pessoal que você quer que sempre esteja por perto... nas datas como o Natal, em que, tradicionalmente, todos ficam reunidos. Claro que, se queremos as coisas na vida, temos que superar e passar por cima dos obstáculos, mas a questão familiar é a mais difícil para mim.

Como foi ver um cara como Keita (hoje no Liverpool) surgir pro futebol?
Fico muito feliz, de verdade, pelo Naby. Quando vi ele no Liverpool fiquei bastante feliz. Também o acompanhei jogando no Leipzig, em que teve ótima passagem, fez um ótimo Campeonato Alemão, e foi aí que surgiu o interesse do Liverpool, inclusive. Fico muito feliz por ele, um cara que merece, muito humilde, que tem um grande futebol. Hoje, com ele arrebentando, fazendo sucesso, pegando seleção, que sempre foi o sonho dele, fico muito feliz.

Como era esse clube que vocês jogaram na França? Era bom?
O futebol francês é de muita força, tem que ter muito preparo físico. Na primeira divisão há um jogo mais técnico, mais qualificado, mas a segunda divisão exige mais força, mais intensidade. Não via muitos favoritos ou clubes que sobravam na competição. Joguei contra as equipes que conquistaram o acesso, ao final da temporada, e não vi nada de tão especial, assim. Eram equipes como a nossa, que não era tão boa, mas muito esforçada, comprometida, com jogadores focados no que queriam conquistar. Os clubes eram bastantes nivelados.

O que você mais sentiu de dificuldades e o que mais aprendeu dentro de campo?
O que mais senti dificuldade foi a linguagem. Isso era bastante difícil para mim, não entender o treinador falar, o que seus companheiros queriam de você, foi bem complicado. Acho que o estilo de jogo também era mais complicado, até pelas minhas características de jogo. Sou um jogador que gosta de ter a bola mais no pé, procuro jogadas individuais, e lá as jogadas eram mais longas, de lançamento, jogo aéreo, que não é bem o meu estilo de jogo. O que eu aprendi dentro de campo foram as questões de marcação, que o atacante também precisa marcar. Hoje, acompanho o lateral até o fim, fecho uma jogada por dentro, coisas que eu não fazia antes. Aprendi muito na parte defensiva.

Como foi a volta ao Brasil nos outros times?
Quando eu voltei para o Brasil eu tive muitas dificuldades, porque, no tempo que fiquei na França, acabei me adaptando ao estilo de jogo de lá. Chegando aqui, trabalhando com treinadores com ideias diferentes, é difícil compreender e mentalizar tudo aquilo. Quando voltei da França, fui para o Rio Grande do Sul, jogar no Esportivo. Depois, passei pela Caldense e outros clubes. Tive algumas dificuldades, mas, com o tempo, fui me readaptando ao futebol daqui, comecei a entender melhor o que os comandantes exigiam e comecei a me soltar mais.

Já ficou desempregado alguma vez?
Passei por um momento bem difícil, logo quando cheguei de Portugal, em que fiquei um tempo parado. Comecei a me preocupar, porque o tempo estava passando, e, para um jogador de futebol, ficar parado nunca é bom, você precisa estar sempre em atividade. Foi o pior momento pelo qual passei. Mas, graças a Deus, continuei trabalhando, treinando e não precisei procurar outra coisa. Agradeço muito às pessoas que estiveram ao meu lado, meus familiares, amigos, ao meu empresário Francis Melo, que me ajudou muito. Se não fosse por ele, não sei se teria conseguido superar toda essa situação. São pessoas que temos que levar para a vida.

Como surgiu o Náutico na tua vida?
O Náutico foi o clube que me abriu as portas no momento mais difícil que tive. Sou muito grato e feliz por estar aqui hoje e, graças a Deus, pude retribuir a confiança que eles tiveram em mim, o carinho que recebi quando cheguei. Tivemos bons momentos nesta temporada, conquistamos o título pernambucano, que não vinha há algum tempo e chegamos à quarta fase da Copa do Brasil. Acho que foi um ano bacana, que precisamos valorizar, e agradeço ao clube por tudo o que tem feito por mim. Estou muito feliz aqui e espero continuar a fazer história no Náutico.

Fale sobre o drible na estreia e os clássicos...
Esse jogo, contra o Salgueiro, foi de uma importância para mim, principalmente por ter sido a estreia. Até então, ninguém me conhecia, ninguém sabia do meu futebol, e eu não estava jogando. Mas, então, tive essa oportunidade e pude causar uma boa impressão. Dei duas assistências e fiz um excelente jogo. O drible é uma característica minha, o que tenho de melhor. Meu 'um contra um' é muito forte, é o que todos me falam, para quando pegar a bola ir para cima, sem medo. Tenho que melhorar muita coisa ainda, mas não posso mudar o meu estilo de jogo. Não cheguei a enfrentar o Sport, joguei só contra o Santa Cruz, mas é coisa de doido, uma rivalidade muito grande. Jogamos um jogo na Arena e outro no Arruda, e é muito bacana ver a torcida te incentivando, te apoiando, uma atmosfera muito legal.

O que faltou para o acesso?
Não vou dizer que faltou alguma coisa porque fizemos um grande campeonato. Fizemos uma boa campanha, classificamos em primeiro do nosso grupo, com uma rodada de antecedência. No jogo contra o Bragantino não demos muita sorte, perdemos, mas o futebol é assim. A gente que está no dia a dia sabe que está sempre sujeito a passar por isso. Mas Deus sabe de todas as coisas. Se não foi em 2018, será em 2019, e vamos muito fortes para essa, que é uma de nossas maiores metas para o ano.

Como é voltar ao estádio dos Aflitos?
O Estádio dos Aflitos é um caldeirão, né. Nunca tinha jogado lá antes, foi a primeira vez nesse amistoso, contra o Newell's. É uma emoção muito grande, porque a torcida está a todo momento gritando, incentivando, é muito bacana. Todos sempre falam que nos Aflitos é muito difícil superar o Náutico, então eu espero que 2019 seja um ano bom, vitorioso para todos nós, e que possamos conquistar nossos principais objetivos nesta nossa volta aos Aflitos.

Quais são seus objetivos pra 2019?
Meu principal objetivo, como o de todos que estão aqui, é a volta à Série B. Como eu disse, neste ano vamos ainda mais fortes. A meta individual é ter sequência, manter regularidade, fazer bons jogos, porque o jogador de futebol sempre precisa disso.