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Samuel Santos relembra início no Palmeiras e conta como discussão o tornou amigo de Felipe Melo

É possível forjar uma amizade a partir de uma briga feia? Um lance ocorrido na partida entre Palmeiras e Botafogo-SP, pela 1ª rodada do Campeonato Paulista de 2017, prova que sim.

Naquele 5 de fevereiro, o lateral direito Samuel Santos, da equipe do interior paulista, e o volante Felipe Melo, do Verdão, tiveram uma discussão ríspida durante a partida, com o "Pitbull" gritando forte na cara do adversário.

Em entrevista à ESPN, Santos relembra o episódio e revela o que foi dito por ambos.

"Essa história do Felipe Melo todo mundo ainda lembra. Sempre me perguntam: 'Você é o cara que brigou com o Felipe Melo? (risos)'", brinca Samuel.

"Foi na estreia do Paulista de 2017 e era o primeiro jogo oficial do Felipe pelo Palmeiras. Ele dentro de campo quer comandar o jogo, é o jeito dele motivar a equipe. Eu não condeno", relembra.

"Eu era o capitão do Botafogo e tinha que motivar meus companheiros também. Aí o Felipe tinha feito três faltas no Rafael Bastos e não tinha tomado cartão. Daí, o Rafael fez uma falta nele e o Felipe foi reclamar para o juiz dar cartão. Eu sai lá de trás e falei: 'Você já fez três faltas e ninguém pediu cartão, agora está pedindo por um?. Você não vai ganhar no grito aqui'. Ele respondeu: 'Fica na sua. Não chega perto de mim que eu te arrebento'. E eu provoquei: 'Demorou, quero ver, então'", relata, às gargalhadas.

"Aí teve um lance logo em seguida em que ele deu um carrinho e eu pulei. O Felipe falou: 'Coloca o pé pra você ver'. Respondi: 'Eu não vou colocar o pé, mas se você vier feito louco para cima de mim, vou te dar um chapéu'. No segundo tempo, peguei uma bola pingando, ele veio me desarmar e consegui dar o chapéu. Daí eu fui dar outro no mesmo lance, só que ele conseguiu me desarmar e eu caí no chão. Ele foi lá no meu ouvido e gritou um monte (risos). A torcida do Palmeiras foi à loucura! E eu já tinha cartão amarelo e não podia revidar, senão era expulso. Aí fiquei quieto (risos)", recorda.

Diferentemente do esperado, porém, a forte discussão não criou inimizade entre ambos. Pelo contrário!

"No fim do jogo, ele veio me pediu desculpa e me elogiou pela partida que tinha feito. Eu também me desculpei porque tinha afrontado ele", conta Samuel.

"Chegando em casa, a imprensa toda começou a me ligar e ficaram questionando para que eu criticasse o Felipe Melo. Só que, na verdade, eu o elogiei. Dei uma entrevista ao vivo por telefone e o Felipe viu. Quando acabou, ele me mandou uma mensagem no Instagram agradecendo as palavras, dizendo que tinham lhe emocionado e que seria um prazer trocar uma camisa comigo", rememora.

"Ele me mandou uma camisa da Inter de Milão e do Palmeiras e eu dei uma do Botafogo e do Marítimo. A gente virou parceiro, e até hoje nos falamos pelas redes sociais. É uma história bacana. Foi bom porque me colocou na mídia e não vejo ponto negativo. Me tornou mais conhecido e muitos se lembram de mim pelo jogo e pelo lance (risos)", sorriu.

SAMUEL SANTOS COMEÇOU NO PALMEIRAS

Samuel Santos teve boas passagens por diversos clubes do interior, como Botafogo-SP e Bragantino, e também atuou no futebol do exterior, defendendo o Marítimo, de Portugal. Poucos sabem, porém, que ele foi revelado pelo Palmeiras.

"Sou de Caçapava-SP e comecei no futebol com 8 anos, em escolinhas. Aos 12, não queria mais jogar bola e só tinha vontade de andar de bicicross, estava em alta naquela época (risos). Ganhei uma bicicleta e fui treinar. Eu poderia até disputar campeonato, mas tinha que comprar equipamento, que era muito caro. Minha mãe falou para eu voltar para o futebol, mesmo (risos). Acabei voltado e fiz uma peneira no são Paulo aos 14 anos. Fui dispensado, mas naquela época eu ainda jogava de atacante, não de lateral", conta.

"Em 2004, me arrumaram um teste no Corinthians, mas como lateral direito. Eu fui e passei. Fiquei um ano no Corinthians com Dentinho, Lulinha e Renato Chaves. O Lulinha era o Neymar da nossa categoria, fazia muita diferença pra gente. Depois fui dispensado e fui para Guarani, no qual fiquei três anos. Nisso, o treinador me levou para o Palmeiras B em 2007, para jogar Série A3. Nossa equipe tinha David Braz, Paulo Miranda, Daniel Lovinho, Anselmo, uma galera boa", recorda.

Dos tempos de Palestra Itália, Samuel guarda ótimas e divertidas recordações.

"Em 2008, eu subia pra treinar com o profissional com o Vanderlei Luxemburgo, que me apelidou de Sandro Silva, porque me achou parecido com ele (risos)", gargalha.

"O café do 'São' Marcos era famoso no Palmeiras, ele não deixava mais ninguém fazer (risos). O Marcão chegava mais cedo todo dia aos treinos para fazer o café. Todo mundo bebia e fazia a resenha com Denílson, Kleber Gladiador, Valdivia, Diego Souza, Léo Lima... Eu ia lá algumas vezes para completar os treinos e os caras me tratavam bem demais", diverte-se.

"O café dele era bom demais, Marcão mandava bem. Era como se fosse um expresso, e mesmo não sendo tão fã de café eu bebia porque era bom. Ele não passava a receita para ninguém (risos). O Marcos era engraçado demais e tratava todo mundo bem, dava chuteira, luva, fazia churrasco. O ambiente era muito bom", suspira, saudoso.

Santos é uma verdadeira "máquina de resenhas", e lembrou mais algumas histórias.

"Tinha um roupeiro chamado Seu Panza que ficava maluco quando o Palmeiras B ia lá no CT da equipe principal. Como a gente era avisado de última hora, muitas vezes chegávamos sem chuteira e nem material. Ele gritava: 'Vocês parecem quero-quero, quanto mais espanta mais vocês voltam (risos)", gargalha.

"O 'Denílson Show' era o rei da resenha. Quando ele, o Leandro Bucheca e o Sandro Silva se juntavam era uma farra total, o dia inteiro fazendo palhaçada. Teve uma vez que fui no aniversário no Denílson em uma casa noturna. Foi bom demais! Encontrei a Turma do Pagode, Cafu e o resto do elenco do Palmeiras lá", lembra.

Uma década depois, Samuel confessa os motivos de não ter vingado no Verdão.

"Quando estava acabando meu contrato eu não estava jogando bem, e por culpa minha. Não estava me preservando, saía muito de noite naquela época porque era novo. Me perdi um pouco nisso de festas e baladas, isso atrapalha qualquer um. Aí não tive contrato renovado e deixei o Palmeiras", revela.

Ao deixar o Palestra Itália, o ala foi para o Mirassol, onde estourou de vez. A sequência da carreira teve ABC, São Caetano, Bragantino e Santo André antes de chegar ao Botafogo-SP, clube onde se firmou e tornou-se ídolo, ganhando a Série D de 2015 com grandes atuações.

"Lá eu recebi apelido de 'General', porque sempre batia continência para comemorar meus gols. Vivi momentos lindos lá, fomos campeões da Série D e depois fiz o gol que livrou o Botafogo do rebaixamento do Paulista no ano seguinte", exalta.

A boa passagem por Ribeirão Preto lhe rendeu uma transferência ao Marítimo, pelo qual disputou o Campeonato Português em 2016. Na temporada seguinte, retornou ao Botafogo-SP para mais uma boa passagem, indo depois para o Figueirense. Atualmente, defende o São Bento, que está na elite do Paulista e na Série B.