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Ex-Corinthians é até hoje idolatrado e esperado de volta no Japão: 'Dizem que sou o herói deles'

Campeão da Série B do Campeonato Brasileiro pelo Fortaleza, Wilson foi uma das promessas do Corinthians no começo da década passada. O centroavante natural de Araras, interior de São Paulo, começou no futebol em um projeto social apadrinhado por Ronaldo Fenômeno no fim dos anos 90, que à época defendia a Inter de Milão.

"Teve uma vez que fui campeão em um torneio deste projeto em Santo André e o conheci. Foi bacana demais porque ele me deu parabéns pelo título, mas pena que não deu para conversar nem tirar uma foto", recordou, ao ESPN.com.br.

O jogador entrou nas categorias de base do União São João e foi campeão paulista sub-20, em 2001, derrotando o São Paulo na decisão. "Tiramos o Corinthians na semifinal, eu fiz um gol e acabei me destacando. Pouco depois, fui emprestado por uma temporada e depois fui comprado em definitivo", recordou.

Wilson fez parte de uma geração vitoriosa na base do Parque São Jorge, com nomes que fizeram sucesso no futebol.

"Nosso time quando entrava em campo sabia que ia vencer. Quase todo mundo subiu, uns oito caras. Eu jogava de meia, o Willian e o Jô eram nossos reservas (risos). O time era bom demais. Eu fazia a meia com o Élton e o ataque era Bobô e Abuda", relatou.

O jogador chegou a servir as seleções de base me torneios na Espanha e no Japão (Copa Sendai). Após faturar a Copa São Paulo de futebol júnior, ele foi promovido pelo técnico Geninho aos profissionais, em 2003.

Ambos fizeram seus primeiros gols como profissional na vitória por 3 a 1 contra o Inter válida pelo Brasileirão daquele ano. "Eu fiz dois gols e ele fez um. Foi bastante especial porque éramos muito jovens".

O atacante atuou em 2004, mas perdeu espaço em 2005 até a chegada de grandes nomes contratados pela MSI como Carlitos Tévez, Mascherano, Roger, Carlos Alberto e Nilmar.

"Convivi um bom tempo com os caras. Eu era um cara que ficava bem na minha, eu lembro bem da discussão do Marquinhos com o Tévez que terminou com troca de soco entre os dois. Foi um momento tenso. Eu estava perto deles. Os dois eram gente boa, mas o estresse era complicado pelo momento todo".

Mesmo com alguns problemas na equipe, Wilson tem grandes recordações dos astros Tévez e Mascherano.

"Foi uma convivência ótima. Eles tinham um carinho muito grande pela gente, a idade era parecida, mas eram mais rodados no futebol. Eles me abraçaram e eu não esperava isso".

Sem espaço no elenco estrelado, que foi campeão brasileiro de 2005, Wilson foi emprestado para o Paulista de Jundiaí e retornou ao Corinthians no ano seguinte. Com a saída dos "galácticos", sobrou para os garotos resolver a crise que tinha se instalado no clube.

"Em 2006 foi quando tive mais chance de jogar. Saiu nos jornais que éramos heróis por termos salvado o time do risco de rebaixamento. Eu senti que pude ajudar a equipe de alguma forma".

Vida fora do Corinthians

Em 2007, porém, o Corinthians caiu para a Série B e Wilson foi vendido para o Genoa, da Itália logo depois. Na Europa, ele teve problemas na adaptação e voltou no meio do ano para o Sport, que havia vencido a Copa do Brasil, a pedido do treinador Nelsinho Baptista.

"Foi um período bom para caramba, foram dois anos e meio. Fui artilheiro do Sport na Libertadores de 2009 e vencemos o Pernambucano".

Wilson foi contratado por uma temporada pelo Shaanxi Renhe, China, antes de se mudar para o Vegalta Sendai, do Japão.

"Foi sensacional. Eu fui morar na cidade que sofreu com tsunami meses antes. Foi especial porque ninguém queria ir pra lá. O povo estava sofrendo muito, várias pessoas morreram. Fui recebido até pelo treinador que me levou para jantar e me agradeceu por ter ido jogar no time dele. Isso me deu muita confiança para fazer as coisas".

Em cinco temporadas na equipe japonesa, o brasileiro conseguiu fazer sucesso.

"No primeiro ano quase fomos campeões e conquistamos a vaga para a Champions League Asiática. Fui vice artilheiro do time. Lá eu fui ídolo da torcida e construí uma história bacana. Recebi uma despedia muito top lá. Até hoje pedem a minha volta, dizem que sou o herói deles (risos)".

Depois de jogar pelo Ventforet Kofu, também da elite japonesa, o atacante voltou ao Brasil e ficou dois meses sem clube antes de acertar com o Linense. Após marcar quatro gols no Campeonato Paulista, ele foi para o Fortaleza, no qual reencontrou um antigo adversário dos tempos de Corinthians.

"Curioso que fiz um gol no Rogério Ceni em um clássico contra o São Paulo que nós perdemos por 3 a 1. Logo que cheguei ao Fortaleza ele lembrou disso: 'Se falar que fez gol em mim não vai jogar (risos)'", relatou.

Sob o comando do técnico, ele fez 20 jogos e anotou um gol na campanha que terminou com o título da Série B. No fim do ano, seu vínculo com a equipe cearense se encerrou.

Aos 33 anos, Wilson deverá jogar o Campeonato Paulista pelo Mirassol. "Foi um ano maravilhoso e encerramos campeões e muito bem".