O tão aguardado River Plate x Boca Juniors deveria ter acontecido no dia 24 de novembro. Mas a bola sequer chegou a rolar.
Uma série de incidentes antes do clássico impediu que o jogo pudesse ocorrer.
Pior para o Monumental de Núñez, que perdeu a chance de sediar a que poderia ter sido a maior final da história da Copa Libertadores.
Irritado com a decisão da Conmebol, Iarley conversou em exclusividade com o ESPN.com.br e lamentou profundamente o ocorrido. O ex-atacante jogou no Boca Juniors e foi até campeão da Copa Intercontinental de 2003, contra o Milan: "Eu sinto muita vergonha de tudo que aconteceu".
"A gente é sul-americano. Temos que resolver os nossos problemas. É uma falência do nosso futebol sul-americano, da nossa organização, do poder público. Precisamos ter condições de resolver os problemas internos", desabafou. "Eu joguei lá e tivemos problemas parecidos, mas foram resolvidos".
Depois de o ônibus do Boca ter deixado o Hotel Madero, onde a delegação estava hospedada, com uma linda festa de sua torcida, o clima ficou tenso quando o veículo se aproximava do Monumental de Núñez. Torcedores do River jogaram pedras e outros objetos em direção ao veículo, o que quebrou diversos vidros e feriu jogadores.
O Pablo Pérez foi o mais prejudicado pelo ataque. Após ser atingido por estilhaços de vidro, o meio-campista foi diagnosticado com uma úlcera na córnea do olho esquerdo.
"Foi uma vergonha tudo o que aconteceu. Tenho minha mulher e três filhas. A maior me abraçou quando cheguei em casa e estava chorando. Ninguém pode jogar desta maneira, isso não pode se repetir", lamentou o jogador, em entrevista dada no dia 26 de novembro.
O apedrejamento do ônibus do Boca resultou no adiamento e, posteriormente, na suspensão da partida.
A disputa foi para os tribunais. Enquanto o River exigia jogar em seu estádio, o Boca pedia para ser declarado campeão. A Conmebol, então, decidiu tirar a aguardada partida de Buenos Aires e a levou para o estádio do Real Madrid, onde será disputada neste domingo, às 17h30 (de Brasília).
E essa decisão da Conmebol não agradou nem um pouco Iarley. Perguntado sobre o jogo ser decidido no Santiago Barnabéu, o ex-jogador detonou: "Jogar em Madri é o pior de tudo. A gente vai se submeter ao europeu de novo. Que eles que organizam tudo, e a gente não sabe organizar nada... que a gente não tem segurança, que somos bárbaros. Não pode ser assim. Temos que saber resolver".
Na conversa com a reportagem durante o ESPN Bola de Prata Sportingbet, na última segunda-feira, Iarley até disse qual deveria ter sido a opção adotada pela Confederação Sul-Americana de Futebol: "Temos que saber resolver os nossos problemas. Eu acho que era para levar o jogo para La Plata (onde há o estádio do Estudiantes), o que resolveria de uma vez por todas".
Aposentado desde 2014, Iarley tem 44 anos. Começou na base do Ferroviário e chegou até a passar pelo Real Madrid e por alguns clubes pequenos da Espanha. Foi ídolo do Ceará e participou da campanha incrível do Paysandu na Libertadores de 2003, quando marcou gol histórico em vitória por 1 a 0 em plena La Bombonera. A atuação chamou a atenção do Boca Juniors, que o contratou.
Depois de jogar na Argentina, foi para o México atuar com a camisa do Dorados. De volta ao Brasil em 2005, foi contratado pelo Internacional e depois rodou por Goiás, Corinthians, Ceará (de novo), Paysandu (de novo) e encerrou a carreira no Ferroviário, clube pelo qual foi revelado.
