<
>

Diego Ferraresso conta como ajuda de Stoichkov o fez ir para a Europa e vencer o Barcelona

Há uma década na Europa, Diego Ferraresso nunca atuou profissionalmente no Brasil. Com apenas 16 anos, o garoto precisou ser bastante corajoso para superar as dificuldades e se firmar no futebol. Ele foi descoberto em um torneio amador em Serra Negra, interior de São Paulo, pelo seu antigo empresário, um ex-jogador brasileiro com passagem pelo futebol búlgaro nos anos 90.

"Ele me chamou para jogar na Bulgária. Eu quase não conhecia nada do país, mas depois eu aceitei. Um mês antes da viagem meu pai morreu e fiquei muito indeciso. Foi muito difícil, mas contei com o apoio da minha família para me mudar", disse, ao ESPN.com.br.

O jovem foi para a base do Litex Lovech, da Bulgária, mas pouco tempo depois foi efetivado ao time principal.

"Cheguei para o time júnior, em um mês já estava no profissional. Em dois amistosos, que não eram nem para eu jogar, eu dei quatro assistências e fiz um gol. Eles quiseram assinar contrato logo em seguida", recordou.

Neste período, Diego Ferrareso viveu um dos momentos mais marcantes de sua vida. Hristo Stoichkov, maior jogador da história da Bulgária e ídolo do Barcelona, organizou um torneio com equipes da Bulgária (CSKA Sofia, Levski Sofia, Slavia e Litex), Steua Bucaresti-ROM e o time catalão.

"Ele trouxe o time sub-17 do Barça que tinha caras como o Gerard Deulofeu (hoje no Watford) e o Sergi Roberto. Eles eram um timaço, tinham o mesmo jeito de jogar do profissional. Tivemos sorte de ganhar porque eles colocaram umas quatro bolas na trave (risos). A gente teve só um lance que virou pênalti e vencemos por 1 a 0 (risos). Eu fui artilheiro do torneio com 5 gols", contou.

"Um dia depois que acabou o campeonato, eu estava no quarto e vieram me dizer que o Barcelona ficou interessado em mim. Eles iam me observar por seis meses. Achei até que ia rolar, só que as coisas não aconteceram. Depois disso, passei a não ir para os jogos", lamentou.

Desemprego e volta

Após duas temporadas no Litex, Diego voltou ao Brasil e ficou cerca de 11 meses desempregado.

"Vi que o Brasil tinha muita coisa por trás e influência de empresários. Eu fiquei bem desanimado, passei em uma peneira na Ponte Preta. Ganhamos um amistoso por 1 a 0 e fiz o gol. Mas o técnico preferiu ficar com um menino mais novo. Depois, passei na Portuguesa, mas fiquei sem dinheiro para ir e voltar todo dia de São Paulo para Serra Negra", lamentou.

O destino do brasileiro mudou graças a amizade de seu ex-agente com Hristo Stoichkov.

"O Stoichkov lembrava de mim dos tempos do Litex e pediu para eu ir jogar na escola dele, que tinha uma parceria com o Chavdar Etropole, da 2ª Divisão Búlgara. Fiquei por lá e aprendi muito. Ele é uma pessoa muito boa, gosta de brasileiros e de brincar. Foi um ótimo treinador", reconheceu.

"Era um time só de moleques, de no máximo de 22 anos. O intuito era revelar e vender jogadores. O esquema de jogo era parecido com o do Barça. Eu era meio-campista, mas quando cheguei tive um pouco de dificuldades e virei um ponta. Depois, me acostumei com o estilo mais rápido e de força. A escola me ajudou porque fui pegando ritmo de jogo", afirmou.

Além disso, o brasileiro virou cidadão búlgaro com a ajuda do antigo parceiro de ataque de Romário.

Após dois anos no Chavdar Etropole, ele ainda passou por Loko Plovdiv-BUL e Slavia-BUL antes de se transferir para o Cracovia, da Polônia, em 2016.

"Eu recebi o convite e perguntei para um amigo meu como era jogar na Polônia. Ele falou que era um lugar muito bom e que eu iria me adaptar muito bem. Meu agente, Mike Barros, me ajudou, e deu tudo certo. É um pais que gostei muito. Para se viver é bacana e o custo de vida não é caro. Nosso time é bom e tem estrutura legal para se trabalhar", relatou.

Aos 26 anos, Diego Ferraresso sonha em ser campeão na Polônia e jogar a Uefa Champions League. Além disso, espera um dia ser chamado para a seleção búlgara.

"Já fiz uma mini pré-temporada com a seleção sub-21 búlgara, mas meu passaporte não ficou pronto e não pude jogar. Eu sou brasileiro e amo meu país, mas a Bulgária é a minha segunda casa. Se receber um convite deles, jogaria pela seleção búlgara sem problemas. Tenho muitos amigos na Bulgária e acho que vou querer viver por lá depois que encerrar minha carreira", finalizou.