Palmeiras: 'Por 'distribuição indiscriminada de ingressos', conselho deliberativo votará possível punição a Leila Pereira e Mustafá Contursi até 19 de dezembro

Leila Pereira, presidente da Crefisa e conselheira do Palmeiras, e Mustafá Contursi, ex-presidente do clube, conselheiro vitalício e membro do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) podem ser punidos com advertências verbais, ainda neste ano, por conta de distribuição de ingressos, em um processo que se arrasta desde 2017.

Embora, de imediato, a advertência verbal não pareça uma punição grande, ela, na verdade, abre brecha para uma progressão de sanções. E, à medida que novas punições forem acontecendo, o sócio pode acabar sendo até impedido de concorrer a vagas no conselho do clube ou de assumir funções estatutárias. Em última instância, mais uma vez levando-se em conta o regime de progressão de penas, o punido pode até ser impedido de concorrer à presidência ou mesmo ser excluído do quadro associativo.

A ESPN teve acesso a dois relatórios emitidos pela comissão de sindicância interna do clube sobre o assunto - um datado de agosto e outro de outubro deste ano - que recomendam advertência verbal aos dois conselheiros "com fundamento no art. 36, “a”, do Estatuto Social, pela prática de distribuição indiscriminada de ingressos para Sócios, Conselheiros e Diretores para o fomento político, que gerou a inclusão do nome da SEP nos noticiários (policiais) já aludidos", conforme diz o texto.

A sindicância, porém, isenta Leila e Mustafá de qualquer suspeita de cambismo, possibilidade aventada em 2017, após a descoberta de que uma funcionária de Mustafá Contursi no Sindafebol (Sindicato Nacional das Associações de Futebol), de nome Eliane, estava comercializando ingressos que Leila Pereira, em nome da Crefisa, entregava para Mustafá Contursi, presidente do Sindafebol, distribuir para correligionários no clube.

Aliados políticos no passado, Leila Pereira e Mustafá Contursi romperam após as denúncias. Mustafá, inclusive, foi o principal padrinho da entrada de Leila Pereira na política do Palmeiras.

A votação quanto ao acatamento da pena de advertência sugerida pela comissão de sindicância será votada entre 18 e 19 de dezembro. Já a eleição para presidente do Palmeiras acontecerá no próximo sábado (23). Mauricio Galiotte concorre a reeleição, dessa vez para um mandato de três anos, contra Genaro Marino.

"NÃO FAZ SENTIDO"

Segundo Seraphim del Grande, presidente do Conselho Deliberativo do Palmeiras, a votação de uma punição aos conselheiros será votada entre 18 e 19 de dezembro deste ano. Muito embora caiba a Del Grande apenas sancionar o que for decidido por votos, em contato com a reportagem, ele deixou claro que, de imediato, não concorda com uma punição.

"Não cabe advertência", diz Del Grande. "Qual advertência você vai dar para um patrocinador que tem direito a receber ingressos se ele distribuir esse ingresso?", indaga Seraphim. "Não existe isso, não faz sentido algum", crava.

Perguntado se o fato de a distribuição dos ingressos endereçados à Crefisa (pessoa jurídica) ser efetivamente feita por Leila (pessoa física) não configuraria um conflito de interesses, uma vez que ela tem aspirações políticas no clube, Seraphim foi taxativo:

"Eu não acho, mas, pelo que sei, a oposição, na figura do candidato Gennaro Marino, acha", disse o presidente do Conselho. "Se é assim, porque, então, a chapa dele mandou carta à Crefisa para que a empresa siga patrocinando o clube? O conflito de interesse continuaria, então, não? É um contrassenso", questiona.

"E digo mais: no caso de uma punição a Leila Pereira, o máximo que pode acontecer é ela, via Crefisa, deixar de patrocinar o clube, porque tenho certeza de que ela seguirá conselheira sempre que eleita, porque seguir na política do clube é o maior interesse dela", afirma.

Além da distribuição de ingressos, Leila Pereira é criticada por distribuir brindes, como camisas do clube, em eventos eleitorais, como um recente jantar de apoio à candidatura de Mauricio Galiotte, conforme pode ser visto neste vídeo em que ela sorteia nada menso que 70 camisas do Palmeiras. Na oposição, há quem enxergue os atos como "compra velada de votos".

A comissão escolhida por Seraphim del Grande para tratar da questão conta com membros das diferentes correntes políticas do clube. São eles Antonio Pompeu de Toledo, Jobelino Vitoriano Locatelli, José Fernando De Divitiis, Ricardo Alberto Galassi e Guilherme Gomes Pereira - estes dois últimos, candidatos à vice-presidência do clube na chapa de oposição encabeçada por Gennaro Marino, que também tem apoio de Mustafá Contursi. Já Del Grande é apoiador declarado da reeleição de Mauricio Galiotte e, portanto, membro do mesmo espectro político de Leila Pereira.