Felipe Castaldo Curcio fez o caminho inverso ao dos seus antepassados, que saíram da Itália para o Brasil em busca de uma vida melhor. O jogador saiu de Jundiaí, interior de São Paulo, para tentar a sorte no futebol italiano após ter passado pelas categorias de base do São Paulo e do Atlético-PR. Aos poucos tem conseguido subir os degraus e espera um dia vestir a camisa da seleção azzurra.
O lateral esquerdo começou no futsal aos quatro anos antes de ir para uma escolinha do São Paulo. Pouco depois, foi chamado para jogar na base do futebol de campo do time tricolor.
"Morava no Morumbi e fiquei dois anos e meio por lá. Eu joguei com Casemiro (Real Madrid), Morato, Lucas Moura (Tottenham) e outros moleques que fizeram sucesso. Apesar de eu ser um ano mais novo que a maioria dele, treinávamos juntos muitas vezes", disse Felipe Curcio, hoje no Brescia-ITA, ao ESPN.com.br.
No São Paulo, ele chegou a fazer alguns torneios no Japão, em 2004 antes de sair da equipe do Morumbi. Depois, ainda passou pelo Paulista de Jundiaí e Grêmio Prudente antes de chegar ao Atlético-PR, aos 17 anos.
"Lá eu assinei meu primeiro contrato como profissional e joguei no Sub-20 com o Pablo, Marcos Guilherme e o Hernani", contou.
Após dois anos no time rubro-negro, Felipe foi emprestado ao Cianorte-PR para jogar a Série D do Campeonato Brasileiro de 2012 e estreou como profissional.
"Depois, acabou me contrato e como eles não iram renovar comigo eu fui embora para a Itália", relatou.
Vida na Itália
Como seu avô, já falecido, era italiano da região da Calábria, Felipe Curcio resolveu se arriscar na "Velha Bota", aos 20 anos.
"Fomos tentar e ver no que ia dar. O começo bem difícil. Um empresário me levou para fazer testes em três times, mas não deu certo. Consegui meu primeiro contrato com o Foggia, da Série C da Itália. Depois, joguei na Luppa Roma, Martina Franca e depois fui para o Fidelis Andria (todos da 3ª Divisão). Eu fiquei um ano e meio e fiz um bom campeonato por estar bem adaptado", relatou.
"Meu avô desde moleque falava que eu jogaria na Itália. Isso é algo muito especial. Infelizmente ele faleceu faz uns sete anos e não me viu. Mas é uma coisa muito única. Era meu sonho. Não foi fácil porque se você não entra na ideia deles, não joga. Você precisa respeitar muito as ordens dos treinadores e a parte tática, que é essencial. Eu queria fazer meu jogo no começo, mas eles queriam a função do treinador. Quem atua na Itália está preparado para jogar em qualquer lugar do mundo", contou.
No começo deste ano, ele foi comprado pelo Brescia para a jogar a segunda divisão da Itália. A tradicional equipe já teve craques como Andrea Pirlo, Pep Guardiola e Roberto Baggio.
"Eu tinha feito muitos gols e de falta e três times da Série B me queriam. Vim ao Brescia por causa dessa história do clube. Eu falei com um amigo meu brasileiro chamado Felipe Sodinha, que é Jundiaí e jogou no Brescia. Eu perguntei para ele, que me recomendou na hora. É um time que tem uma história bem legal. Não me arrependo até hoje, me acolheram muito bem e me adaptei rápido. Joguei quase todos os jogos até aqui", relatou.
O lateral fez 28 jogos com a equipe italiana. O Brescia sonha em conseguir a promoção para a elite do Italiano.
"Estamos brigando pelo acesso porque temos um time muito bom. Nosso ataque é muito bom mesmo. Estamos há nove jogos sem derrotas e temos uma sequência boa. Acredito que pelo menos nos playoffs a gente tem como chegar", elogiou.
Aos 25 anos, Felipe quer dar um salto em sua carreira. Primeiramente, conseguir o acesso para 1ª Divisão, depois mirar uma possível convocação para a Itália.
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"Meu plano é fazer um grande campeonato. Será a primeira temporada completa aqui, quero me firmar na Série B e atuar em todos os jogos. Meu sonho é subir para a Serie A com o Brescia. Eu quero muito jogar na elite do italiano. Eu tenho passaporte e posso ser chamado pela seleção italiana. Sonhar não custa nada. As coisas aconteceram muito rápido", concluiu.
