Betis conta com 14.000 donos e tem craque da equipe com 2% do clube

O Betis é de Romualdo Batista, um funcionário de Sevilla com as veias verde e branca, que comprou ações do clube em 1992 e 2017, porque sentia que era sua obrigação moral. Não pede que a equipe ganhe sempre, mas que dê tudo em campo.

O Betis é de Joaquín Sánchez, capitão e ídolo do Benito Villamarín, que se fez uma estrela em Heliópolis e voltou para ajudar esportivamente e economicamente a equipe quando mais se precisava.

O clube é de todos, é de quase 14 mil pessoas. Mais da metade da equipe está nas mãos de pequenos acionistas, com menos de 1% de participação e todos tem direito ao voto. O Betis é deles.

Se tivesse que resumir a equipe em uma frase seria ‘O Betis é arte’. Expressa no seu jogo, seu plantel, sua torcida, seus empregados e sua diretoria. Talvez por isso resulta em um clube atrativo, sendo o quinto com mais seguidores na Espanha e com quase 1,5 milhão de torcedores. Além disso, é o quarto em média de público da LaLiga.

‘Uma lenda que corre o mundo’, como diz o hino.

Betis de todos

Em 2015, o Betis acabava de voltar à primeira divisão. O plantel valia 60 milhões de euros (mais de R$257 milhões). Três temporadas depois, a equipe joga competições europeias e sua equipe vale quase 200 milhões (mais de R$858 milhões).

Ángel Haro, engenheiro industrial, e José Miguel López Catalán, economista, entraram no conselho da equipe no final de 2014, cheia de ações judiciais contra. Os dois torciam para o Betis desde pequenos e já tinham sucesso nas suas funções.

Os dois principais acionistas da equipe não superam os 20% da propriedade, algo raro na LaLiga, somente possível de comparar com o Real Sociedad e o Eibar.

A venda de ações entre os ‘béticos’ aconteceu no final de 2017. Se dividiu em dois termos, um para os torcedores e outros para aqueles com maior capacidade econômica: ‘A primeira opção era a um preço bem barato. 120 euros (em torno de R$500) a ação e, no máximo, dez títulos por pessoa, que no final se transformaram em apenas quatro ou cinco, por conta da alta demanda’, explica López Catalán.

Milhares de torcedores compraram a ideia. A segunda opção era mais cara, custando quatro vezes mais que a primeira e eram compradas em grandes volumes. ‘200, 500 e até um milhão de euros. Eles ajudaram a construir o Betis do futuro’, adiciona López Catalán.

Joaquín, que retornou à equipe em 2015 (apresentado diante de 20 mil pessoas), decidiu adquirir 2% do clube: ‘Passei nove anos fora e aqui seguia sendo o Joaquín do Betis. A equipe me deu tudo. Estou feliz de ajudar e me sentir parte da família. Estou tentando devolver tudo o que recebi”, revela.

Loreno Serra Ferrer, vice-presidente do clube e o último treinador a levantar um troféu com o Betis, entrou com 1%: ‘Fiz por respeito que sempre tive e a equipe me deu a oportunidade de êxito profissional. O calor da torcida ‘bética’ é único. Me sinto em casa’, conta.

Cada acionista, com qualquer idade, pode voltar em todas as ações tomadas pelo Real Betis. Na próxima reunião dos acionistas, no dia 20 de novembro, terá pela primeira vez o voto pela internet.

Tudo o que Haro e López Catalán prometeram está praticamente feito três anos depois e ambos querem ainda mais avanços no Betis: ‘Antes havia um sentimento de se querer gastar tudo. Agora pensamos e nos sustentamos a médio e longo prazo’, conta o presidente Ángel Haro.

O presidente quer a remodelação do estádio Benito Villamarín e o sucesso fora de campo tem resultados dentro das quatro linhas. A equipe terminou entre os seis primeiros, algo que não acontecia desde 2004-2005. Essa foi a última época de frutos do Betis, quando terminaram em terceiro no Campeonato Espanhol e venceram a Copa do Rey.

A equipe aposta também no jogo bonito e na arte. Por isso, a contratação de Quique Setién como técnico e as transferências de Andrés Guardado, Marc Bartra, Sergio Canales, Takashi Inui e Giovani Lo Celso. Isso proporcionou uma melhora na imagem internacional do clube, que tem feito aumentar as redes sociais da equipe.

Fenômeno nas redes sociais

Na temporada passada, o Betis foi a 4ª equipe nas redes sociais, atrás somente de Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid. No YouTube, o impacto foi maior: 3º clube em visualizações, com 27,4 milhões e o décimo na Europa.

Joaquín, agora com 37 anos, teme o momento de se aposentar: ‘Não quero nem pensar que amanhã pode ser o último dia vestindo verde e branco, quero estar sempre ligado ao clube’, afirmando o amor que tem pelo Betis.

O objetivo do presidente é corresponder uma torcida ‘que sempre foi uma das melhores’.

Já Romualdo Batista repete a frase: ‘ Se alguma vez conseguimos, ou se não se conseguiu, é porque o clube está na altura da torcida. Se estiver assim, estaremos lutando pela LaLiga. Porquê da torcida não tem nome’. O Betis, sempre, com arte.

As informações do texto são de Jacobo Pedraza, do jornal El Pais, da Espanha.