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Yann Rolim, da Chapecoense, já morou na Alemanha e na Dinamarca antes de jogar o Brasileiro

Contratado neste ano pela Chapecoense, Yann Rolim chegou como um desconhecido. O meia de 23 anos, que teve passagens pelas categorias de base do Internacional e se profisionalizou pelo Juventude, havia passado quatro anos na Europa antes de voltar ao Brasil.

No tempo em que jogou no Velho Continente, ele defendeu Vitória de Setúbal, de Portugal, dois times da 2ª Divisão da Alemanha (FSV Frankfurt e Karlsruher), e Aalborg, da Dinamarca.

Desde que foi contratado pela Chapecoense, Yann fez 13 partidas e ainda não balançou as redes. O próximo desafio da equipe catarinense é contra o América-MG, na Arena Condá, neste sábado (27/10), às 19h (de Brasília).

Veja a entrevista com Yann Rolim:

ESPN - Como foi seu começo no futebol?
Yann -
Sou da cidade de Gramado, Rio Grande do Sul, e comecei com seis anos no salão. Aos 11, passei no teste no Inter e fiquei por lá por quatro anos. Depois disso não joguei mais no Inter porque estava no terceiro time. Decidi me mudar para o Juventude e lá que virei profissional.

ESPN - Como foi que surgiu a Europa na sua vida?
Yann -
Joguei umas 10 partidas antes de ser vendido para uma empresa aos 18 anos. Fiz três partidas da Série C pelo Juventude aí eles me colocaram no Vitória de Setúbal, de Portugal, para pegar experiência.

ESPN - Quais as maiores dificuldades que enfrentou na Europa?
Yann -
Bom, acho que foi difícil como é para todo mundo ficar longe da família e dos amigos. É difícil ficar sozinho e eu fui para lá muito novo. O primeiro ano fora do país também estranhei a comida e tudo mais. Se bem que com a língua não tinha dificuldade, mas acho que é um bom país para começar. Você acha facilidade em achar comida brasileira.

ESPN - Você foi depois para o FSV Frankfurt, da 2ª Divisão na Alemanha. Gostou de morar e jogar lá?
Yann -
Tive a oportunidade de ir e não recusei. Joguei por dois times da segundona: FSV Frankfurt e depois Karlsruher. Eu não falava alemão, mas um pouco de inglês. Depois aprendi alemão e melhorei no inglês, que era bem fraco. Hoje entendo bem os dois. A Alemanha é um país muito bom. A liga é muito difícil e disputada. Os estádios estão quase sempre cheios, cheguei a jogar para 52 mil pessoas. É um lugar que dá muita visibilidade, mas não consegui jogar tanto quanto gostaria. Ao menos nos jogos que entrei eu joguei bem. Alemanha é um país que voltaria facilmente.

ESPN - Qual a situação mais diferente que viveu na Alemanha?
Yann -
Os treinadores eram muito loucos (risos). Eles faziam a gente subir muita escada, treinávamos três vezes em um dia. Uma vez a gente perdeu um jogo por 3 a 0 e no outro dia ele fez todo mundo ir ao parque. Corremos mais de 12km e ele ia atrás com a bicicleta e apitando para irmos mais rápido (risos). Não podíamos chegar um quilo mais gordo se não pagavámos multa de 500 euros! O percentual de gordura não podia passar de 10 % também senão tinha multa.

ESPN - O que jogar lá ajudou na sua carreira? Você se considera um jogador de estilo europeu?
Yann -
Sim, acho que tenho um perfil de meia europeu. Eu acho que a Alemanha acrescentou muito na intensidade no meu futebol e ganhei muita força. Também melhorei mentalmente e cresci muito.

ESPN - Por que foi para o Aalborg, da Dinamarca?
Yann -
Fui para a Dinamarca porque tinha acabado meu contrato na Alemanha e não consegui nada. Era uma primeira divisão e um bom time também. Achei que era uma boa oportunidade. Não me arrependo de nada.

ESPN - Era muito difícil o clima por lá? Chegou a ver sol na madrugada?
Yann -
Não cheguei a ver o sol da meia-noite, mas no verão amanhecia por lá umas 2h30 ou 3h da manhã. Isso era muito estranho para nós. O inverno foi legal ver a neve, era demais, mas tinha muito frio e vento. Uma vez minha namorada estava com um carro sem as rodas de neve. Ela não conseguiu sair de casa e perdeu o primeiro tempo do meu jogo. Ela perdeu meu gol porque só chegou no segundo tempo (risos). Mas a cidade é bacana e as pessoas são bem receptivas e te tratam bem. É um país ótimo para se viver.

ESPN – Como surgiu a Chapecoense na sua vida? Como eles te descobriram na Dinamarca?
Yann -
Eu estava de férias aqui falando com meu pai e decidimos tentar algo no Brasil. Achava que era hora de voltar. Meu empresário falou com o Rui Costa, que já me conhecia da época do Juventude. Em duas semanas eu já tinha assinado contrato, foi tudo bem rápido. Estou muito feliz por ter vindo para cá.

ESPN – Foi difícil se readaptar ao Brasil depois de quatro anos na Europa?
Yann -
A readaptação aqui no Brasil acho que foi tranquila. Foi muito mais fácil do que ir para a Europa em função do idioma e por estar no meu país. Não precisei me adaptar com comida, idioma ou cultura porque estou no meu país. Não tem muito segredo.

ESPN – Você chegou com a Chape em situação complicada e brigando contra a degola....
Yann -
Foi difícil chegar nessa situação, mas não adianta nada reclamar. Tem que levantar a cabeça e trabalhar. Eu vim para cá porque quero ajudar o time e vou lutar para fazer meu melhor. O clube tem boa estrutura e precisamos sair dessa situação de zona de rebaixamento. Só com muito suor e muito trabalho para conseguirmos isso.

ESPN – Você se destacou na derrota por 1 a 0 para o Corinthians pela Copa do Brasil, em Itaquera. Como foi aquele duelo?
Yann -
Foi um belo jogo né? Foi difícil para a gente, mas eu consegui fazer o que foi pedido pelo treinador. Acho que consegui me destacar um pouco pelos momentos individuais. Foi um dos momentos mais especiais que que eu vivi no profissional até hoje por jogar na Arena Corinthians contra o Corinthians na Copa do Brasil.

ESPN - Como é a sua situação contratual na Chape? O que pretende fazer no futuro?
Yann -
Estou emprestado até junho do ano que vem. Não quero pensar mais para frente ainda pela situação que vivemos. Só penso em tirar a Chape desta situação e colocar no lugar que ela merece.