Torcedores do Manchester United estão recebendo, de todos os lados, pequenos lembretes recentes de como a vida costumava ser boa no passado.
Wayne Rooney e Zlatan Ibrahimovic estão arrebentando na MLS, com DC United e La Galaxy, respectivamente, fazendo os gols e jogando a bola que um dia jogaram em Old Trafford.
E é difícil que um dia se passe sem que Paul Scholes e Rio Ferdinand critiquem a situação atual do clube sob o comando de José Mourinho em comparação ao que o United já teve um dia, quando a dupla estava em campo.
Nunca é fácil ter de rememorar uma época de ouro quando as vacas estão magras, mas a volta de Cristiano Ronaldo a Old Trafford nesta terça (22), com a Juventus, pela Champions League chega a ser crueldade – em que pese o fato de que essa volta será menos festiva que a anterior, quando ele foi anunciado como “O 7 Magnífico” pelo locutor do estádio.
As recentes alegações de estupro contra ele – negadas pelo atleta – farão com que não haja celebração oficial alguma com a presença dele no campo. Mas nunca se sabe como a torcida irá reagir quando ele pisar o gramado.
As circunstâncias são diferentes agora, mas de uma perspectiva meramente esportiva, é seguro dizer que o United nunca se recuperou da venda do craque, nove anos e meio atrás. O clube ganhou muitos títulos desde 2009 – a Champions League, não – mas houve uma falha do clube no trabalho de preencher o vácuo deixado pelo superastro.
Quando o clube anunciou sua venda do jogador por 89 milhões de Libras Esterlinas, o United fez parecer claro que o montante seria reinvestido na equipe.
Mas, com Ronaldo fora e Carlos Tevez deixando o clube logo depois indo para o Manchester City, o United gastou apenas 19 milhões de Libras com reforços, 16 deles com Antonio Valencia, ponta do Wigan Athletic, como substituto direto do português.
Michael Owen, contratado sem custos depois do fim de seu contrato com o Newscastle, passou a carregar o fardo de vestir a camisa 7 deixada vaga por Ronaldo – um número anteriormente glorificado por Bryan Robson, Eric Cantona e David Beckham – e deu início ao declínio de uma das camisas mais icônicas do esporte.
Desde a saída de CR7, cinco jogadores já a utilizaram no clube: Owen, Valencia, Angel Di Maria, Memphis Depay e o atual, Alexis Sanchez. Juntos, os cinco anotaram 56 gols desde a temporada 2009-10. Como resultado, a camisa 7 passou a ser uma camisa qualquer.
Os maiores clubes do mundo sempre precisam de um jogador que personifique e defina a maneira do time jogar. Ronaldo incorporava o DNA do Manchester United de Sir Alex Ferguson. Sanchez está a menos de 12 meses no clube.
Existe, então, a chance de ele virar esse jogo e voltar a honrar uma camisa tão emblemática. Mas, o fato é que a volta de Ronaldo a Manchester dará aos torcedores dos Diabos Vermelhos um gostinho das glórias do passado, que o clube luta para tentar redescobrir.
