Num país tão grande como o Brasil - e com tantos times - a maioria das rivalidades são definidas dentro das demarcações físicas de cada estado. Entretanto, alguns clubes conseguem transcender as linhas geográficas imaginarias e protagonizarem grandes histórias do Oiapoque ao Chuí.
Já faz alguns anos que toda vez que Corinthians e Internacional se enfrentam o clima é quente e os nervos ficam à flor da pele. Para explicar como a rivalidade chegou nessa situação, listamos cinco casos que construíram esse ambiente!
2005 - Pênalti no Tinga?
20 de novembro. 40ª rodada do campeonato brasileiro, que teve 42 no ano. O Corinthians, líder, tinha 77 pontos; o Inter tinha 74. No Pacaembu, o duelo seria uma espécie de "final", restando apenas 6 pontos em disputa após o encontro.
O clima era tenso e o estádio um caldeirão. Com 37 minutos do primeiro tempo, Carlitos Tevez abriu o placar para os donos da casa; aos 3 do segundo tempo, Rafael Sóbis empatou para a equipe gaúcha. Mas não seriam os gols que marcariam o duelo.
Aos 28 minutos da segunda etapa, Fernandão acionou Tinga na área e o meia foi derrubado por Fábio Costa, goleiro do Corinthians. O árbitro Márcio Rezende de Freitas não marcou pênalti e ainda expulsou atleta colorado, ao dar o segundo cartão amarelo por simulação. A partida terminou em 1 a 1.
O Corinthians saiu da "final" com três pontos de vantagem para o Inter e acabou o campeonato brasileiro de 2005 como campeão.
2007 - Entregou?
Dois anos após o primeiro caso, que gera revolta até hoje, a chama dessa rivalidade se tornou maior. O Corinthians agora estava lutando contra o rebaixamento no campeonato brasileiro. Era a última rodada da competição, e, junto com o clube paulista, o Goiás batalhava para ficar na série A.
Na rodada, teríamos o Corinthians visitando o Grêmio no falecido Estádio Olímpico e o Goiás recebendo o Internacional no Serra Dourada. Os paulistas tinham 43 pontos, e os goianos 42.
Era 2 de dezembro de 2007, e até hoje corinthianos acusam colorados de terem entregado o resultado para o Goiás, fazendo corpo mole e perdendo a partida para aumentar as chances de - e efetivamente - rebaixarem o rival. Na partida em questão, o Inter saiu na frente, com Orozco, mas logo sofreu o empate, gol de Élson. Em paralelo, no Rio Grande do Sul, o Grêmio saiu na frente com gol de Jonas, e Clodoaldo empatou para o Corinthians. Após 45 minutos em cada partida, o Corinthians estava ficando na primeira divisão.
No intervalo, Abel Braga, treinador do Inter, tirou Fernandão e Gil e colocou Adriano e Roger. Aos 9 minutos da etapa final, pênalti para o Goiás. Paulo Baier cobrou, Clémer defendeu, e o árbitro Djalma José Beltrami Teixeira mandou voltar. Na segunda tentativa, Paulo Baier novamente parou em Clémer, mas a penalidade foi anulada mais uma vez. O terceiro pênalti foi cobrado por Élson, que havia feito o primeiro gol. Gol e 2 a 1 para o Goiás, que com o placar permaneceu na elite do futebol. No Olímpico, o jogo ficou em 1 a 1.
2009 - DVD e campeão fora de casa
Se em 2005 a "final" foi simbólica, por ser um campeonato de pontos corridos, em 2009 realmente foi uma final. O Corinthians havia eliminado o Vasco da Gama nas semis, e o Inter passado pelo Coritiba. A final, entretanto, começou antes do primeiro jogo.
A diretoria colorada entregou à CBF um DVD que mostrava supostos favorecimentos da arbitragem ao clube paulista - o que colocou fogo na decisão.
A primeira partida foi no Pacaembu, e o Corinthians venceu por 2 a 0, com gols de Jorge Henrique e Ronaldo. O segundo gol causou muita discussão, por Elias ter cobrado uma falta que lançou Ronaldo com a bola em movimento.
Na volta, o Corinthians foi ao Beira-Rio e fez dois gols no primeiro tempo, com Jorge Henrique e André Santos. No fim da partida, Alecsandro, que havia substituído Glaydson, marcou duas vezes e o jogo terminou em 2 a 2. Entretanto, essa partida também não é lembrada pela bola rolando, mas sim pela confusão em campo.
Após o segundo gol do Internacional, aos 29 minutos do segundo tempo, o estádio inflamou. Cristian, volante corinthiano, seria substituído e caiu em campo para ganhar tempo, o que revoltou os gaúchos. D'Alessandro foi cobrar o rival, e ali tudo explodiu. William e o argentino começaram a se provocar, e D'Ale foi para cima do zagueiro.
O camisa 10 do Inter foi expulso, assim como Mano Menezes, treinador do Corinthians, e Tite, treinador do colorado. Após a briga, o jogo esfriou. Elias ainda seria expulso aos 37, mas o placar ficaria o mesmo. Corinthians campeão.
2015 - #PõeNoDVD
Fazendo referência ao DVD entregue em 2009 antes da final, em 2015 o Corinthians provocou o Internacional após vencer o rival por 2 a 1 em Itaquera. Ao terminar a partida, o telão do estádio acendeu na frente de todos os torcedores a seguinte mensagem: #poenodvd (Põe No DVD).
O presidente corinthiano, Roberto de Andrade na época, se desculpou pela ironia após a partida, e garantiu que a diretoria não teve relação com o acontecido. Na partida, o Inter saiu na frente com Nilmar e o Corinthians virou com Jádson e Vágner Love.
2017 - Série B eliminando campeão
Oito anos após a fatídica final de 2009, os clubes voltaram a se encontrar na Copa do Brasil. Agora, pelas oitavas-de-final, a situação dos times era outra. O Corinthians havia sido campeão paulista e caminhava para o título do campeonato nacional. O Internacional, por sua vez, pela primeira vez em sua história disputava a série B.
O primeiro jogo foi no Beira-Rio. 1 a 1, gols de Romero e Rodrigo Dourado. Na volta, Arena Corinthians, e o mesmo placar. Maycon abriu o placar logo no começo da partida, mas no final, Fágner marcou contra e levou a decisão da vaga para os pênaltis.
Nas cobranças da marca da cal, o Inter provou que a divisão que joga não importa. Apesar de William e Léo Ortiz não terem marcado, o colorado calou o estádio graças às perdas de Maycon, Marquinhos Gabriel e Guilherme Arana.
Com a eliminação, o Corinthians seguiu sua sina de decepções em decisões na sua nova casa. Até então, o time havia sido eliminado nos pênaltis por Palmeiras e Audax; no tempo normal pelo Guaraní-PAR, Nacional-URU e Santos.
