<
>

Constantemente assediado, Rafael garante: 'Enquanto o Cruzeiro quiser contar comigo eu fico'

Há mais de uma década no Cruzeiro, Rafael sempre foi tratado como uma grande promessa debaixo da traves. Depois de faturar diversos títulos na base e servir à seleção brasileira Sub-20, o goleiro subiu aos profissionais e ficou na reserva de Fábio, grande ídolo e capitão do clube mineiro.

Mesmo assim, o arqueiro de 29 anos conseguiu fazer mais de 100 jogos com a camisa celeste. A cada chance que é dada, ele procura aproveitar para mostrar serviço.

A próxima partida que ele estará em campo será contra o Santos no Mineirão, neste domingo, às 19h (de Brasília), pelo Campeonato Brasileiro.

“Eu encaro cada jogo como se fosse o mais importante da minha vida. É no próximo jogo que posso ajudar o grupo e mostrar meu trabalho. Como não tenho grande sequência, esses jogos ficam ainda maiores. Eu recebo um respaldo muito bom e me concentro em fazer o melhor, sem inventar muito ou fazer além da conta. Controlo a ansiedade e posso entrar com a cabeça bem tranquila”, disse, ao ESPN.com.br.

A última grande exibição de Rafael com a camisa do Cruzeiro foi no empate sem gols com o Atlético-MG, no domingo (16/09), pelo Campeonato Brasileiro.

Desde subiu aos profissionais, ele participou de várias partidas nas conquistas da Copa do Brasil de 2017, do bicampeonato do Brasileiro (2013 e 2014), além dos títulos estaduais.

"Eu conquistei títulos e vivi momentos maravilhosos. Algum tempo atrás fiz um sequência de quase 60 jogo seguidos e pude mostrar o meu trabalho. Foi bom ter essa continuidade e recebi muito carinho", afirmou.

Um dos momentos mais importantes na carreira do goleiro foi em 2011, quando o time celeste brigou contra o rebaixamento até a última rodada do Brasileiro.

"Tivemos um jogo muito emblemático contra o Atlético-MG [vitória por 6 a 1], nosso maior rival. Foi um dos jogos que guardo na minha memória e mais importantes da história. Pude dar minha contribuição para o time", relatou.

Disputa com Fábio

Mesmo com a disputa por posição com Fábio, Rafael garante ter um bom relacionamento com o concorrente.

“O Fábio é um grande amigo que tenho, antes de qualquer coisa. Isso deixa nosso ambiente de trabalho muito leve. Somos caras que gostamos de treinar e evoluir. Isso faz com que o nosso nível aumente muito. Nós conversamos muito e dizemos que o Cruzeiro é maior do que tudo, independentemente de quem estiver em campo. Nós treinamos com essa mentalidade e sempre torcemos um pelo outro e nos ajudamos dentro de campo”, afirmou.

Em tantos anos no Cruzeiro, o goleiro admite que recebeu diversas ofertas para mudar de clube, mas nunca saiu da Toca da Raposa.

“No futebol tudo depende das duas partes terem vontade. Eu sempre digo que sou muito feliz no Cruzeiro, respeitado pela comissão técnica, diretoria, atletas e torcida. Me sinto em casa, muito bem, valorizado e o Cruzeiro sempre quis contar comigo. Quando casa a vontade do jogador e do clube tem tudo para dar certo e ter continuidade no trabalho", analisou.

"Eles sempre fizeram questão de me terem no clube e demonstraram toda confiança no meu trabalho. Eu sempre tento fazer o meu melhor pra retribuir isso. Eu tenho contrato e estou muito feliz. Enquanto o Cruzeiro quiser contar comigo eu vou dar o meu melhor para esse clube que é grandioso”, garantiu.

Promessa na base

Rafael começou como goleiro desde pequeno inspirado por Taffarel, que brilhava com a seleção brasileira na Copa do Mundo de 1998. Após começar em uma escolinha em sua cidade natal, ele passou a chamar atenção de vários clubes.

"Eu joguei um dia contra o Cruzeiro, que ficou interessado e me chamou para testes. Passei, mas meu pai não me deixou ficar. Disse que era muito novo, precisava estudar e futebol era muito incerto. Depois, passei no teste no Tombense mas não fui. Depois, fiz um campeonato chamado Gazetinha (no Espírito Santo) e joguei contra o Vasco. Fui muito bem e pediram para eu ir para o Rio, mas meu pai não deixou também”, relatou.

Rafael ficou por um ano atormentando seu pai para que pudesse fazer testes no Cruzeiro. "Como era mais perto de casa ele me deixaria ficar. Aos 13 anos voltei ao Cruzeiro, mas tinham cinco goleiros da minha idade. No primeiro dia um cara falou: ‘Nós temos um goleiro a mais. Precisamos mandar um embora, vai ser difícil você ficar porque dois terão que ser mandados embora'", recordou.

"Nisso, eu liguei para o meu pai chorando e dizendo que a culpa era dele que não ia dar certo (risos). Com 3 dias fui aprovado e no final de semana já fui para o banco de reservas. Desde então nunca mais saí", contou.

Na Toca da Raposa II, ele jogou ao lado de Guilherme (Atlético-PR), Jhonatas (Corinthians) e Maicon (Galatasaray). Rafael jogou vários torneios internacionais de base e venceu nas penalidades a Copa São Paulo de futebol júnior de 2007.

Pela seleção de base, foi campeão do Sul-Americano e vice do Mundial (o Brasil perdeu nos pênaltis para Gana), ambos em 2009.

Trancou duas faculdades

O goleiro subiu aos profissionais em 2007 com o Dorival Júnior. No ano seguinte, foi efetivado como terceiro goleiro e estreou contra o América-MG no Independência. Vindo de uma família de engenheiros, ele precisou trancar duas faculdades por causa do futebol.

"Eu fiz metade do curso de educação física presencial, mas como já jogava eu não consegui continuar. Depois, troquei para administração, mas à distância. Mas como as provas eram de final de semana precisei parar também", lamentou.

"Mais para frente minha ideia é continuar os estudos. Sempre me interessei muito em evoluir, estudar e aprender coisas novas. O estudo é a base de tudo. Por enquanto faço cursos de economia e vou me aprofundando em outras áreas", relatou.

Em 11 anos como profissional do Cruzeiro, Rafael passou por alguns problemas físicos que logo foram superados. Para o goleiro, nada que o abalasse por conta dos riscos da profissão.

"Eu fiz duas artroscopias nos joelhos e coloquei uns parafusos porque quebrei o osso. Todo período no departamento médico é ruim porque você se afasta do dia a dia. É o que a gente mais gosta e não poder estar em campo é bem ruim. É uma fase que ninguém gosta passar, mas como profissionais levamos nosso corpo ao limite. Estamos propensos a certos tipos de lesão", garantiu.

Apesar dos contratempos, o goleiro acredita que as coisas positivas compensam qualquer de frustração.

“O mais gratificante de tudo é o que o futebol me proporciona como pessoa. Não é só um jogo. Vejo que conseguimos transformar a vida de muitas pessoas, dando um sorriso ou motivo de alegrias para elas. E posso participar desse processo, vejo o carinho delas por mim e pelo clube, é algo que não se paga", admitiu.

"Claro que era meu sonho ser jogador, mas quando a gente vê esse lado do quanto o futebol representa para as pessoas. É uma prova de sentimento com os torcedores. É algo que levarei para o resto ad vida", finalizou.