A estreia de Cristiano Ronaldo durou menos de 29 minutos, graças a Felix Brych, que o expulsou de forma polêmica. na partida entre Juventus e Valencia, pela Uefa Champions League. Ou melhor, doutor Felix Brych.
O juiz - de futebol - de 43 anos é um velho conhecido da Bundesliga, sendo que estreou pela primeira divisão em 2004, mesmo ano em que concluiu seu doutorado. E, como não poderia deixar de ser, sua dissertação na Universidade de Regensburg foi sobre esporte: Möglichkeiten und Grenzen der gemeindlichen Förderung des Berufssports aus rechtlicher Sicht. (Possibilidades e limites do apoio da comunidade ao esporte profissional sob uma perspectiva legal, em alemão).
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Dentro dos gramados, Brych acumula, além da experiência, algumas grandes marcas, como a final da Europa League de 2013-14 - vencida pelo Sevilla contra o Benfica -, a decisão da Copa da Alemanha de 2015, na qual o Wolfsburg levou a melhor sobre o Borussia Dortmund, e a final da final da Uefa Champions League 2016-17, na qual o Real Madrid derrotou a Juventus. Além disso, ainda consta em sua relação a partida de ida da semifinal entre Barcelona e Chelsea pela edição 2011-12 da Liga dos Campeões.
Árbitro da Fifa desde 2007, mesmo ano em que começou a apitar jogos da Champions, o alemão natural de Munique foi eleito o melhor da Bundesliga nada menos do que quatro vezes nos últimos seis anos (2013, 2015, 2016 e 2018), perdendo apenas em 2015 por Felix Zwayer. Em 2017, foi eleito o melhor do mundo pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS).
Em meio ao grande prestígio, no entanto, veio uma grande falha.
No dia 18 de outubro de 2013, ele era o responsável por conduzir Hoffenheim x Bayer Leverkusen, partida que abria a nona rodada. Os visitantes venceram por 2 a 1 e com muita polêmica, já que na segunda vez que foram à rede, com Stefan Kießling, tratou-se de um 'gol fantasma'. A bola foi do lado de fora, mas entrou por conta de um furo. O juiz não perecebeu e validou o gol.
Os mandantes ainda descontariam no fim, após terem desperdiçado um pênalti, mas de nada adiantou e acabaram derrotados. Posteriormente, pediram a anulação da partida, o que não ocorreu.
Ainda que o lance tenha corrido o mundo, Brych não se deixou abalar e recuperou o moral.
Além das finais já mencionadas, Brych vem de uma grande sequência em torneios de prestígio. Afinal, foi escolhido para trabalhar nos Jogos Olímpicos de 2012, a Copa das Confederações de 2013, a Copa do Mundo de 2014, a Eurocopa de 2016 e a Copa do Mundo de 2018.
Apesar de ser um dos mais renomados do mundo na função, Brych parece que terá um novo fantasma o assombrando.
