Um dos principais nomes do Real Madrid, que enfrenta a Roma pela primeira rodada da Uefa Champions League, o meia-atacante Gareth Bale é conhecido pelo temperamento tímido e por ser um cara fechado.
Não gosta de falar sobre a vida pessoal, e, quando dá entrevistas sobre futebol, raramente sai do básico.
No entanto, que o conhece bem conta detalhes interessantes sobre o hoje astro do Real Madrid, mas que já foi um dia o último reserva na Inglaterra.
É o caso do goleiro Gomes, ex-Cruzeiro e seleção brasileira, que atualmente defende o Watford, da Inglaterra, na Premier League.
O arqueiro ficou bem amigo de Bale durante os anos em que jogaram juntos no Tottenham, entre 2008 e 2013, e viu o hoje craque evoluir de um garoto "mudo" e ignorado pelo técnico dos Spurs até o estrelato no futebol mundial.
Em conversa com o ESPN.com.br, em 2016, Gomes revelou histórias que poucos conhecem sobre o galês.
1. Fascínio pela seleção brasileira
Muito tímido, Bale tinha poucos amigos no elenco do Tottenham. No entanto, se dava bem com o volante Sandro, ex-Internacional, e também com Gomes.
À época, ambos defendiam a seleção brasileira com regularidade, e o galês gostava de saber todos os detalhes sobre o time, já que admirava a camisa canarinho.
"Nós ficávamos sempre os três juntos, ele gostava da gente. Acho que era pela alegria e pelo Brasil. Quando eu e o Sandro voltávamos da seleção, ele sempre demonstrada muito interesse, até um certo fascínio", conta o goleiro.
"Ele perguntava como eram os jogadores, esse ou aquele da seleção. 'São simples, são humildes?', ele perguntava. Na época para ele, isso era uma coisa de outro mundo. O Bale sempre teve um interesse muito grande pelos jogadores do Brasil e pelo nosso estilo de jogo. Por isso digo que ele é diferenciado em todos os sentidos", afirma.
2. Apresentado como "Zé Ninguém"
Bale foi apresentado pelo Tottenham no dia 5 de julho de 2007. Com o terceiro uniforme dos Spurs, ele era o coadjuvante de outras duas contratações: o zagueiro francês Younès Kaboul e o centroavante Darren Bent, então camisa 9 da Inglaterra.
Se já era tímido, o fato de chegar como "Zé Ninguém" só piorou o "bloqueio" do atleta.
"Ele sempre foi muito tímido. A gente até tentava conversar, mas era travado. Ele falava mais com o Gunther, porque jogavam juntos na seleção de Gales e se davam bem. Quase não dava pra ouvir a voz de tão calado que era", recorda Gomes.
"Como não falava muito, ele tentava mostrar no campo. Desde cedo, ele impressionava pela velocidade, isso sempre me chamou muito a atenção. Ele é objetivo, raramente tenta o drible, mas na velocidade ultrapassa qualquer um", acrescenta.
3. Ignorado pelo técnico do Tottenham
Bale demorou para explodir no Tottenham, que o contratou em 2007, após ele se destacar no Southampton, a pedido do técnico Martin Jol. Muito disso aconteceu porque o treinador Harry Redknapp, que assumiu em 2008, após a saída de Jol, não gostava do futebol do galês e sequer o escalava na Premier League.
"O Bale ficou muito tempo praticamente largado no Tottenham, porque o treinador não gostava muito dele. Uma vez ele até me falou que ia pedir para ser emprestado, porque não estava jogando e queria tentar mostrar o futebol dele em outro lugar. No Tottenham, ele não tinha esperança, porque o Redknapp não era fã dele", lembra.
Os ventos do destino, contudo, soprariam a favor de Bale.
"Até que um dia o lateral esquerdo titular machucou, e o Redknapp não teve opção a não ser escalar o Gareth de ala, porque era o único canhoto que tinha na reserva. Aí ele arrebentou de cara, comeu a bola nos jogos que fez", ressalta.
"Só que aí o lateral que era titular se recuperou e o Harry não sabia o que fazer. Por fim, o treinador escalou o Bale mais avançado, como meia pela esquerda, e aí o cara destruiu, arrebentou e hoje é o fenômeno que é no Real", relata Gomes.
4. Caríssimo, mas anti-frescura
Apesar de ter sido vendido pelo maior valor da história do futebol em sua época (100,8 milhões de euros) do Tottenham para o Real Madrid, em 2013, Gareth Bale é um jogador totalmente "sem frescura", como define Gomes.
Segundo o brasileiro, o galês é um jogador de grupo, que não gosta de regalias e sempre dá o máximo de si nos treinos e nos jogos, inclusive ajudando na marcação.
"É um cara de muita humildade e que faz o melhor sempre, desde o Tottenham. Nos treinos, nunca teve aquela coisa de 'não me toque'. É sempre muito objetivo nos jogos, tanto quando atua pelo time ou pela seleção de Gales", descreve.
"É por isso que ele faz a diferença: porque é diferente dos outros jogadores astros. Ele dá o máximo sempre. Por já ter jogado de lateral, ele tem senso de marcação e sempre ajuda muito, dá carrinho e joga para o time quando necessário", elogia.
5. "Criou" música para Maicon
Gareth Bale foi descoberto pelo mundo no dia 20 de outubro de 2010, quando foi à Itália com o Tottenham para enfrentar a poderosa Inter de Milão, então campeã europeia, pela fase de grupos da Uefa Champions League.
Naquele dia, Gomes foi expulso com 10 minutos de jogo, e o clube italiano abriu 4 a 0 no placar. Só que o galês, com uma atuação primorosa, fez três belos gols e evitou um vexame. Final: 4 a 3, com Bale simplesmente acabando com o lateral direito brasileiro Maicon, à época um dos melhores do mundo na posição, que não conseguiu "achá-lo".
"Rapaz, esse jogo contra a Inter em que o Gareth fez três gols foi muito marcante. Eles tinham um timaço, jogavam em San Siro, mas nós quase empatamos com um a menos. Foi o dia em que todos começaram a olhar para ele de forma diferente", lembra.
Na revanche em White Hart Lane, alguns dias depois, Maicon sofreu novamente para segurar o "foguete galês", e tomou outro vareio. Bale deu duas assistências, foi eleito o melhor jogador em campo pela Uefa e comandou a vitória por 3 a 1 dos Spurs.
Nas arquibancadas, a torcida aproveitou e criou uma música que é até hoje famosa na Inglaterra: "Taxi for Maicon", na qual ironizam o lateral direito, dizendo que o brasileiro precisaria chamar um táxi para alcançar Bale na corrida...
