Marcelo Bielsa acumula confusões ao longo de sua longa carreira como treinador. Hoje em dia no comando do Leeds United, da Inglaterra, o argentino acaba de se envolver em mais uma polêmica. E tudo isso foi causado graças a ele mesmo.
Isso porque, nesta quinta-feira, durante sua entrevista coletiva após o jogo de sua equipe, ele aproveitou a oportunidade para pedir desculpas para Hernán Crespo, ex-atacante com quem trabalhou na seleção Argentina entre 1998 e 2004.
"Vou contar a vocês um grave erro que cometi e nunca me perdoei por isso. Fui treinador de um grande atacante como Hernán Crespo. Ele era um homem muito humilde e trabalhei com ele em duas alturas da sua carreira: quando ainda não estava futebolisticamente pronto e depois, quando já estava. Durante esse processo, uma vez lhe disse que o considerava um jogador maduro. Mas era mentira. O que eu queria era fortalecer sua auto-estima e fazer com que ele pensasse que estava pronto. Algum tempo depois, quando ele realmente estava maduro, voltei a lhe dizer o mesmo: 'Como está maduro, nem parece o jogador de antes'. E ele ficou surpreso: 'Como assim? Você me disse que estava pronto há um bom tempo. Me enganou dizendo uma coisa que não pensava'. E eu nunca me perdoei. Não estou falando isso para os jornalistas contarem o episódio, mas sim para lhe pedir desculpas, porque sei que o desiludi".
E a fala de Bielsa repercutiu tanto, que chegou até Crespo, que, além da seleção, passou por clubes grandes, como Chelsea, Inter de Milão, Milan e a Lazio, onde, no ano 2000, se tornou o jogador mais caro da história do futebol. E, digamos, o atacante não reagiu muito bem ao fato. Apesar de garantir ter perdoado seu antigo treinador, mostrou grande mágoa e decepção com a atitude do mesmo.
Confira, na íntegra, a carta divulgada pelo ex-atacante em suas redes sociais:
Seu pedido de desculpas me fez retroceder 14 anos de uma dor que ainda sinto por dentro. Quando um fala, corre riscos de que diga algumas palavras injustas. Pensar, repensar, dar tempo para refletir. Mesmo que isso não mude o que eu sinto, foi uma tremenda decepção sentir-se enganado por um líder como você. A tristeza foi tão grande quanto a estima que eu tinha por você.
Eu tinha acreditado em você desde o primeiro dia em que nos juntamos em Parma. Você não só me contou as suas ideias de jogo para a seleção, mas também suas estratégias como técnico, de sua personalidade para tomar decisões sem se importar se alguém ficaria de cara feia. Tudo isso era íntimo. Assim como você, eu nunca fui de abrir a porta dos vestiários.
Claro, Marcelo, eu aceito suas desculpas. Já o perdoei faz tempo. Mas lamento que não tenhamos nos falado pessoalmente ou por telefone. Mas nunca é tarde. Você era e é suficientemente inteligente para saber que não melhora o nível de um jogador por uma mentira. Se o fizer, esse atleta seria mais tolo do que imaturo.
O mais importante é o ensinamento que deixa essa situação que agora voltou à tona. Como já te disse tantas vezes, Marcelo, tem que trabalhar com a verdade, sem enganar o outro. Ao final da estrada, quem proceder não é apenas o melhor líder, como o mais maduro.
