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Como Independiente é hoje poderoso nos bastidores do futebol argentino e na Conmebol

Adversário do Santos nas oitavas de final da Copa Libertadores e maior interessado em uma punição que pode deixar o time santista bem perto de ser eliminado, o Independiente virou nos últimos anos um dos clubes mais fortes nos bastidores. Tudo por conta de um forte laço familiar entre os poderosos.

O presidente do clube rojo chama-se Hugo Moyano, um ex-líder sindical que está no comando desde julho de 2014. Ele teve sete filhos, embora em casamentos diferentes, entre os quais María Isabel Paola.

Ela é especialmente famosa no mundo do futebol não só pelo pai, mas também por ser a esposa de Claudio Tapia, presidente da Associação Argentina de Futebol (AFA) desde 2017 e vice-presidente da Conmebol, além de mandatário do pequeno Barracas Central desde 2000.

Ou seja, Moyano é sogro de Tapia.

Pode parecer uma simples relação familiar, mas não é bem assim.

O elo que une as duas pontas fez do Independiente de Moyano um dos clubes mais fortes nos bastidores do país, ao lado do Boca Juniors, comandando por Daniel Angelici, espécie de braço direito de Tapia e que dirige justamente do clube pelo qual o mandatário da AFA já se declarou oficialmente um torcedor.

Não são poucos os encontros entre o trio. Quase sempre estão juntos em eventos públicos. Aliás, eles dividem o poder na AFA. Angelici é o primeiro vice. Moyano é o segundo.

Moyano conheceu Tapia ainda nos anos 90. O presidente do Independiente era líder sindical dos caminhoneiros, ramo em que prosperou e ajudou os filhos (como Paola) prosperarem, e ficou amigo do hoje dirigente da AFA quando este decidiu se engajar no movimento.

Com o tempo, Tapia foi ganhando cargos, se envolvendo mais nas negociações e ficando bem próximo do líder sindical. Chegou a se tratado como se fosse mais um "filho" de Moyano, segundo declarações dadas à imprensa argentina. Passou também a frequentar festas familiares de Moyano, foi quando conheceu Paola.

Tapia e Paola se casaram ainda nos anos 90 e tiveram quatro filhos: Emiliano, Nadia, Matías e Iván.

Há dois anos, Moyano, já um homem forte no futebol e também na política (ele já admitiu que gostaria de ser presidente nacional algum dia), esteve por trás de uma revolta entre os clubes que quase tirou a Argentina da Copa América de 2016. E era um dos nomes citados para assumir a AFA no lugar de Julio Grondona, que vinha enfrentando fortes acusações de corrupção e acabou morrendo antes de qualquer sentença.

Um ano depois, Tapia foi aclamado como o novo presidente da AFA, em um movimento que teve forte apoio de Moyano e também do amigo Angelici, o presidente do Boca Juniors, como já citamos.

Já ocorreram decisões da entidade que tiveram efeito benéfico aos dois clubes. Por exemplo, a extensão da janela de inscrições de reforços deste ano. Ambos as equipes ainda tinham pendências no fechamento de contratações e, caso a data original fosse respeitada, não poderiam inscrever seus contratados.

Em maio, um juiz federal ordenou inspeções nas sedes da AFA, de um sindicato de jogadores e do Independiente. O motivo? Uma investigação contra Moyano, suspeito de lavar dinheiro.