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Como Copa do Brasil virou 'jaboticaba' do futebol com prêmio milionário

Troféu da Copa do Brasil GazetaPress

A jaboticaba não é exatamente uma exclusividade brasileira, mas é comum a referência à fruta para descrever coisas que só acontecem no país. No futebol, a premiação milionária da Copa do Brasil pode ser um exemplo: em nenhum outro lugar, se paga tanto pelo título no mata-mata nacional.

Em 2018, o campeão do segundo torneio mais importante do Brasil tem direito a R$ 50 milhões. Somando as fases anteriores, no entanto, o total recebido pode chegar a até R$ 67,3 milhões.

O valor é quase o dobro, por exemplo, do que a Copa da Inglaterra paga para seu campeão. A competição mais antiga de futebol do mundo oferece, no máximo, 6,9 milhões de libras a um clube, equivalente a R$ 34,4 milhões – e, para isso, é necessário passar por todas as 14 fases da disputa.

Na Inglaterra, o cenário é improvável porque os níveis iniciais da Copa são disputados apenas por equipes amadoras. É verdade, porém, que a premiação para um eventual campeão da elite – os times da Premier League entram na terceira fase – não varia tanto: £ 6,8 milhões ou R$ 33,7 mi.

Já na Espanha e Itália, a diferença para a Copa do Brasil é ainda mais gritante. Na Copa do Rei, o campeão fatura aproximadamente 1 milhão de euros, ou R$ 4,4 milhões na cotação; enquanto o vencedor da Copa da Itália sai com aproximadamente 5,7 milhões de euros (R$ 25 milhões).

O aumento da premiação, de mais de 400% em relação a 2017, no Brasil acontece em virtude do novo contrato de televisão assinado pela CBF. No Campeonato Brasileiro, por exemplo, que pagou R$ 18 milhões ao campeão Corinthians no último ano, o dinheiro de TV é desvinculado dos prêmios.

Os valores são repassados pela CBF por fase. Na primeira, o repasse é R$ 1 milhão e vai evoluindo: R$ 1,2 milhão na segunda; R$ 1,4 milhão na terceira; R$ 1,4 milhão na quarta; R$ 2,4 milhão nas oitavas de final; R$ 3 milhões nas quartas; e R$ 6,5 milhões para os semifinalistas. Na decisão, o campeão fatura mais R$ 50 milhões, enquanto o vice sai com R$ 20 milhões como “consolação”.

Na Inglaterra, a distribuição é semelhante. As cifras, contudo, começam bem mais modestas: de 2,2 mil libras (quase R$ 11 mil) a 54 mil libras (R$ 213,8 mil) nas fases até a entrada dos grandes. O prêmio só chega a 1 milhão de libras a partir das semifinais, que pagam £ 1,8 milhão (R$ 9 milhões) aos classificados. Na decisão, o campeão leva 3,6 milhões (R$ 17,8 milhões); e o vice, £ 1,8 milhão.

Já na Espanha, os valores não são oficiais, mas a estimativa é de prêmio na casa de 1 milhão de euros para o campeão. As quantias repassadas por fases também são modestas: 40 mil euros (R$ 176 mil) para os clubes que chegam às oitavas de final; 60 mil euros (R$ 264 mil) às quartas; e 80 mil euros (R$ 352 mil) às semis. Os níveis iniciais, apenas para equipes menores, somam outros € 80 mil no total.

Para se ter ideia da desvalorização da Copa do Rei em termos financeiros, os direitos de transmissão da competição foram vendidos na Espanha por 17 milhões de euros (pouco menos de R$ 75 milhões) em 2016, em contrato até 2019; enquanto os da LaLiga saíram por 1 bilhão de euros (R$ 4,4 bilhões).

Por fim, na Itália, o título da Copa na última temporada rendeu 5,7 milhões de euros para a campeã Juventus da seguinte forma: 3,9 milhões de euros (R$ 17 milhões) como prêmio e 1,8 milhão de euros (quase R$ 8 milhões) em bilheteria da decisão, que é dividida entre os dois finalistas.