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São Paulo deve estrear Bruno Peres, que já foi chamado de 'novo Cafu' na Itália e tratado como Fenômeno

Ainda sem as condições físicas consideradas ideias, o São Paulo decidiu levar o lateral direito Bruno Peres, 28, para Belo Horizonte e antecipar a estreia do jogador contra o Cruzeiro por causa do número de baixas na defesa.

A partida será no estádio Mineirão a partir das 16h (de Brasília) pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. O São Paulo começou a rodada na segunda colocação, com 29 pontos, enquanto o Cruzeiro é o sexto, com 24.

Natural de São Paulo, Bruno Peres passou os últimos quatro anos na Itália, não entra em campo desde 6 de maio e interrompeu as férias na semana passada, quando foi apresentado pelo clube, para começar a treinar.

Tudo isso o torcedor tricolor já sabe, mas Bruno Peres tem histórias pouco conhecidas da passagem pela Itália.

No Velho Continente, o lateral direito defendeu o Torino por duas temporadas e estava na Roma desde o ano retrasado. Neste período, chegou a ser comparado com Maicon (ex-Inter de Milão e Roma), foi classificado como o "novo Cafu" e ganhou o tratamento de "Fenômeno", sendo idolatrado por uma das torcidas mais fanáticas do país.

Olhando para trás, parece ser uma história feliz, mas o início foi bem tenso para o lateral.

Quase descartado e com o São Paulo no horizonte

Criado na zona norte de São Paulo, no bairro do Jaraguá, Bruno Peres se profissionalizou pelo Audax em 2008. Passou pelo Bragantino e Guarani, onde se destacou no Campeonato Paulista de 2012 e foi contratado pelo Santos.

Naquela época, o time da Vila Belmiro tinha um dos melhores elencos do Brasil com os dois craques da atualidade: Paulo Henrique Ganso e Neymar. Ele foi titular nos primeiros anos. Em 2014, virou reserva de Cicinho e Victor Ferraz.

Isso não impediu que o Torino, equipe do norte da Itália, se interessasse pelo jogador. Gianluca Petrachi, dirigente enviado especialmente ao Brasil para observar talentos, acabou vendo Bruno Peres em ação em uma oportunidade. Fez um relatório e recebeu a ordem para negociar a ida dele pela o clube granata. Foi o que aconteceu.

O Torino comprou Bruno Peres por 2 milhões de euros (na época o equivalente a R$ 6,3 milhões). Mas, por um vacilo do clube italiano, quase o brasileiro foi dispensado. Isso porque o Toro acabou contratando muitos estrangeiros na mesma janela e chegou a estourar o limite de vagas. Cogiou até ceder o lateral para outra equipe.

Curiosamente um dos interessados naquele momento era o São Paulo, que acabara de vendar o lateral Douglas ao Barcelona, da Espanha, e buscava uma reposição com urgência. O agente de Bruno Peres era Bernardo, ex-jogador com passagem pelo São Paulo nos anos 1990, e foi ele quem procurou a diretoria tricolor.

"Foi um período difícil, de incerteza. Senti medo. Não queria ter minha ida à Europa frustrada dessa forma", disse Bruno Peres para a "Folha de S.Paulo", em dezembro de 2014.

O temor de Bruno Peres foi sanado no último dia de inscrições no Campeonato Italiano, quando o Torino liberou um dos estrangeiros e inscreveu o lateral direito. A partir da terceira rodada, ele estreou e escreveu uma bela história.

Maicon? Novo Cafu?

Como dito acima, Bruno Peres estreou na terceira rodada e não saiu mais do time titular do Torino. Foi tão bem que fez com o técnico Giampiero Ventura --o mesmo que fracassaria ao tentar classificar a Itália para a Copa do Mundo deste ano-- colocasse o badalado lateral direito Matteo Darmian (titular na Azzurra) na ala esquerda.

O sistema de jogo do Torino, um 3-5-2 bem ofensivo, favoreceu e muito Bruno Peres. Jogando na ala direita, ele aparecia bem no ataque, dava passes e assistências aos companheiros. Dessa forma passou a ser elogiado.

"Alguns torcedores lembraram do Maicon [ex-Inter de Milão e Roma] e outros passaram a falar que eu poderia ser o novo Cafu [ex-Roma e Milan]. Para mim, foi um privilégio ser comparado com grandes nomes", disse em 2014.

O gol que transformou lateral em Fenômeno

Bruno Peres viu a história mudar por completo em 30 de novembro de 2014. Foi quando fez o primeiro (e mais especial) gol pelo Torino. O tento foi marcado justamente contra a arquirrival Juventus, no Juventus Stadium.

Não foi um simples gol. O lateral recuperou a bola no campo de defesa e percorreu 78 metros com a bola em seus pés até a área adversária. Tudo isso em 11 segundos. Assim que pode, chutou. A bola chegou a bater na trave direita do goleiro Storari antes de entrar. Um golaço que repercutiu durante vários dias em todo o mundo.

"Foi um golaço, mas só tive essa percepção depois do jogo. Todo mundo veio falar comigo. Jornalistas, companheiros de time e até adversários. Eles me trataram como se eu fosse um Fenômeno", disse Bruno Peres ao jornal paulistano.

"Aquele jogo foi um divisor de águas na minha carreira. Depois do gol tudo mudou. Ganhei muita visibilidade, muita confiança e passei a ser amado pela torcida. Foi uma transformação", relembrou para a ESPN Brasil em 2015.

O gol foi histórico também porque desde 1995 o Torino não venceu mais a Juventus e não conseguia fazer nem um tento sequer na rival. É verdade que o time perdeu aquele dérbi por 2 a 1. Mas Bruno Peres teve o gostinho de bater a rival em 26 de abril de 2015 por 2 a 1 de virada, no estádio Olímpico de Turim. O primeiro triunfo em 20 anos.

"Eu levei mais de três horas para voltar para casa depois daquela vitória. A torcida estava enlouquecida. Foi uma sensação fora do normal. Já joguei alguns clássicos, mas nunca vi o que acontece em Turim. A cidade para realmente por causa do confronto. A dimensão que os torcedores dão para aquele duelo é muito grande", disse para a ESPN Brasil.

'La Mafia'

Uma característica que Bruno Peres tem e ajudará ainda mais o bom ambiente do São Paulo é o humor. Assim descrevem aqueles que conviveram com ele.

Na época de Torino, ele teve muita facilidade em se relacionar porque tinham muitos sul-americanos no elenco. Jogavam os brasileiros Danilo Avelar (hoje no Corinthians) e Amauri, o argentino Maxi López (agora no Vasco), o venezuelano Martínez e os uruguaios Ichazo e Gastón Silva. O lateral chegou a criar um apelido específico para o grupo.

"'La Mafia Sudamericana! Mas no bom sentido. Tínhamos a alegria própria dos sul-americanos, o que contrastava com o perfil do europeu, do italiano. Eles são muito sérios, reservados. Já a gente gosta de uma resenha, de fazer brincadeiras, de uma bagunça. Nossa alegria contagia o grupo. Faz bem para o ambiente", disse na época.