Até 100 milhões a mais em dois a três anos, que permitirão à Juventus superar 500 milhões em ganhos líquidos, além de benefícios em todos os pontos de vista - de esportes a exposição da marca - e excederão os grandes custos. Essas são as conclusões do relatório da consultoria KPMG que analisa os impactos da chegada de Cristiano Ronaldo ao clube italiano. Mas a consultoria deixa claro que são os resultados do time nas competições que vão ratificar as projeções.
O estudo demonstra que, a despeito do alto investimento, a contratação de Cristiano Ronaldo pela Juventus vai se comprovar um bom negócio em até três anos. O trabalho, publicado pelo jornal italiano Gazeta dello Sport, avalia diversos quesitos, projetando os proáveis ganhos que a chegada do craque pode trazer ao clube em várias frentes.
Custos - Embora avalie que o custo está mesmo fora do percentual de relação entre despesas e receitas anuais, a consultoria entende que o impacto será diluído e amortizados nos próximos anos. Em especial se a Juve continuar a diminuir algumas despesas que tem hoje e negociar alguns de seus jogadores, como Higuaín, que interessa ao Chelsea.
Ingressos - A consultoria entende que a Juve pode arrecadar até 70 milhões de Euros nesta temporada (arrecadou 47 em 2016-2017). A Juve estima vender todos os carnês para todos os jogos do time, arrecadando 10 milhões de Euros a mais que na temporada anterior. Os valores dos ingressos também serão reajustados. Acredita-se também que a taxa de ocupação dos estádio suba para até 95%. Na Champions League, acredita-se que o desempenho também melhore. Se chegar à final, o time vai receber até 15 milhões de Euros.
TV - Não há muito o que se fazer quanto aos direitos de TV para este ano, que já estão negociados e são centralizados pela Liga dos clubes e a Uefa. Na Champions, há um adicional por performance, o que pode favorecer o clube italiano. Aqui, a consultoria entende que a arrecadação da equipe pode chegar a 255 milhões, contra 233 milhões da temporada 2016-17.
Comercial - É aqui que a KPMG prevê o pulo do gato para a Juventus. A margem entre a projeção e o realizado pela equipe em 2016-17 é grande. De qualquer forma, a consultoria não acredita em resultados expressivos no primeiro ano. Os resultados comerciais da Juve, de 120 milhões, na temporada de 2016-17 foram muito menores do que os dos rivais europeus: 344 milhões do Bayern, 320 milhões do Manchester United, 288 milhões do Barcelona, 280 milhões do Real Madrid. A estimativa de crescimento é de 75 a 100 milhões em três temporadas, chegando a até 220 milhões em receitas. A estratégia é ampliar o portfólio de patrocinadores da equipe para fora da Itália, como fazem todos os principais rivais europeus. KPMG calcula um crescimento de receitas líquidas de até 20 milhões em 2019-20.
Social Media e Marca - Aqui há impacto econômico direto. Os 332 milhões de seguidores que Ronaldo tem nas diversa mídias representam seis vezes o que a Juve tem. A ideia é explorar o efeito derivado da popularidade do jogador (o PSG cresceu sua base em 30% quando contratou Neymar). A popularidade de CR7 na Ásia, América Central e EUA vai ajudar a Juve a ampliar seus horizontes. É interessante avaliar a diferença no número de seguidores no Facebook em três mercados estratégicos. No Brasil, a Juventus tem 1,6 milhão, contra 5,7 do Real Madrid e 8,2 de Ronaldo. Na Índia, são 900 mil contra 4 milhões e 7,6 milhões. Nos EUA, 500 mil, contra 3,3 milhões e 4,9 milhões. O verdadeiro desafio será monetizar a presença nas redes sociais, levando-se em conta que os perfis servem também como ativadores das marcas de parceiros e patrocinadores. A KPMG vê essa como a área em que o clube tem de concentrar mais esforços.
