O São Paulo teve sete baixas durante a pausa do Campeonato Brasileiro para a Copa do Mundo e conseguiu arrecadar um valor bruto próximo a R$ 67 milhões, mas, segundo apurou a reportagem, ainda não bateu a meta orçamentária para 2018.
O previsto no orçamento é arrecadar R$ 100 milhões líquidos.
O "X" da questão está exatamente aí. O valor que conta para atingir a meta é o líquido e não o valor bruto.
Aliás, hoje, o valor bruto já supera R$ 120 milhões se considerar também a venda do atacante Lucas Pratto para o River Plate em janeiro deste ano. Foram 11,5 milhões de euros (R$ 51,5 milhões), segundo o site TransferMarkt.
Durante a pausa da Copa, o São Paulo recebeu 8 milhões de euros (R$ 35,8 milhões) com saída de Cueva para o Krasnodar, da Rússia; 5 milhões de euros (R$ 22,4 milhões) pela ida de Petros para o Al Nasr, da Arábia Saudita, mais 1 milhão de euros (R$ 4,4 milhões) pelo saída do atacante Marquinhos Cipriano para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e também (mais R$ 4,4 milhões) pelo empréstimo do lateral Júnior Tavares para a Sampdoria, da Itália.
Também saíram o lateral direito Bruno, cedido ao Bahia até dezembro deste ano (quando terminará o contrato dele com o clube do Morumbi), o meia-atacante Valdívia, que foi negociado pelo Internacional (que o havia emprestado ao São Paulo) para Ittihad, da Arábia Saudita, e o atacante Marcos Guilherme, cujo contrato de empréstimo finalizou.
Mas os três citados acima não deram qualquer retorno financeiro.
Para efeito de orçamento, o valor que deve ser considerado é e sempre será o líquido. A explicação é simples: o clube jamais recebe o valor divulgado na transação porque há taxas, impostos e algumas vezes até intermediários. Além disso, nem sempre a agremiação é proprietária de 100% dos direitos econômicos.
E é preciso considerar também os dois lados da balança. Isto é, os gastos em contratação.
Neste ano o São Paulo reforçou e bem seu elenco. Para citar o caso mais recente, o empréstimo do lateral direito Bruno Peres, vindo da italiana Roma, custou 1,4 milhão de euros (R$ 6,28 milhões).
Vale lembrar que desde o início da temporada o clube do Morumbi trouxe o goleiro Jean, o zagueiro Anderson Martins, os meias Diego Souza e Nenê, os atacantes Tréllez e Éverton. Mesmo as transações sem custo entre os clubes (como a do defensor) costumam ter despesas no pagamento de intermediários, luvas etc.
Segundo apurou a reportagem, a previsão atual da diretoria é negociar pelo mais dois jogadores do elenco para alcançar a meta orçamentária. Há expectativa até de superá-la. Um dos nomes que tem bom potencial de venda é o zagueiro Rodrigo Caio, que atualmente recuperá-se de uma cirurgia no pé esquerdo.
Até o momento, porém, nenhuma proposta chegou para o defensor.
Sacrifício necessário
A diretoria do São Paulo tem adotado bem mais cautela na hora de negociar os jogadores do elenco na atual temporada.
Das sete baixas do elenco no período da Copa do Mundo, apenas dois tinham o status de titular. Eram os casos de Petros e Marcos Guilherme, sendo que para manter este último teria de contratá-lo em definitivo do Atlético-PR.
Uma conduta diferente do ano passado, quando a direção foi criticada por fazer um "desmanche" (saíram na mesma leva Luiz Araújo, Thiago Mendes e Maicon no meio do Nacional) e e a equipe lutou contra o rebaixamento até o fim.
A arrecadação prevista no orçamento de 2017 também era mais ousada e no final o São Paulo bateu um recorde próprio. Assegurou aos cofres R$ 188,6 milhões, valor bruto, em vendas. Em 2016, foram R$ 111,1 milhões.
Os diretores que vivem o atual momento do São Paulo dizem que o sacrifício, isto é, as vendas, será recompensado no próximo ano, quando a atual divida estará zerada e todos os esforços serão destinados para fazer um time forte.
Brasileiro de volta
Terceiro colocado no Brasileiro, o São Paulo tem 23 pontos e encara um jogo chave para manter-se nas primeiras colocações. Pegará o Flamengo, no Maracanã, às 21h45, pela 13ª rodada da competição.
O time carioca lidera a competição com 27 pontos e só perdeu uma partida.
