Adil Rami não atuou por sequer um minuto na Copa do Mundo até aqui. Mas isso não quer dizer que ele não é um dos grandes personagens da seleção da França. O zagueiro, de 32 anos, talvez nem pensasse em se tornar um jogador profissional e agora está prestes de se consagrar campeão mundial por seu país, algo que só foi possível por causa da lesão de Laurent Koscielny.
E com um papel muito mais importante do que você possa imaginar! Mesmo sem entrar em campo, os próprios companheiros admitem que ele é simplesmente fundamental. O motivo? Seu bigode da sorte!
Tudo começou nas oitavas de final. Kylian Mbappé brincou com o bigode estiloso de Rami antes de enfrentar a Argentina. No jogo, sofreu o pênalti que abriu o caminho para a vitória e ainda marcou dois gols.
Nas quartas foi Griezmann quem tocou o 'bigode da sorte'. Marcou um gol e deu o passe para o outro na vitória diante do Uruguai.
E os dois acabaram eleitos os melhores em campo!
Na semi, a ideia foi simples: o elenco inteiro iria usar o amuleto. E de novo deu certo! Vitória por 1 a 0 sobre a Bélgica e vaga na grande decisão.
Rami é claramente muito querido dentro do grupo. Para além das brincadeiras com o bigode, sempre aparece sorridente na área de entrevistas, brincando com todos os companheiros que estão falando com os repórters.
É o famoso "jogador bom de grupo".
De jardineiro a campeão do mundo?
Pouco mais de 10 anos atrás, Rami jamais imaginou que isso iria acontecer. E quem explica isso é Túlio de Melo, seu ex-companheiro nos tempos de Lille. "Ele trabalhava como jardineiro na cidade dele, Fréjus, que é bem pequena e treinava no time da cidade meio como um hobby", disse. "Ele nem atuava como zagueiro ainda, era mais avançado, mas como o time era bem pequeno, foi ganhando espaço e começou a se destacar, até que foi oferecido para jogar no time B do Lille. E como ele já não era mais tão novo, tinha uns 20, 21, ninguém achou que ia ter chances. Mas aos poucos ele foi jogando, indo bem, chegou no time principal e depois virou um dos pilares da nossa equipe".
Ao lado de Túlio, Rami fez parte de uma das melhores campanhas da história do Lille, com o título do Campeonato Francês e da Copa da França em 2011. "Ele sempre foi um cara muito guerreiro. Dá a vida dentro de campo. Muito bom no desarme, um líder e que também vai muito bem de cabeça, tanto na defesa quanto no ataque", confirmou.
Esse sucesso fez Rami ser negociado com o Valencia, onde permaneceu por três anos, época em que passou a ser figura frequente nas convocações da seleção francesa. Ele perdeu um pouco de espaço quando foi para o Milan, onde não conseguiu manter o alto nível. Tanto é que ficaria de fora da Eurocopa de 2016. Porém, Raphael Varane se machucou e ele então disputou sua primeira grande competição por seleções, ajudando no vice-campeonato.
Eis que, dois anos depois, ele passou por uma situação bem parecida. Rami não estaria na lista dos 23 convocados para a Copa do Mundo do técnico Didier Deschamps. Mas Laurent Koscielny se machucou às vésperas do Mundial e o atleta, atualmente no Olympique de Marselha, foi novamente escolhido para ser um substituto. "Essa sorte não tira o mérito dele. Ele é um cara bem correto. Isso faz parte. A gente vê o Fágner. Provavelmente ele nem iria se o Daniel Alves tivesse condições e foi muito bem, fez uma grande Copa", citou Túlio de Melo.
Para o ex-companheiro, Rami tem qualidade até mesmo para alçar voos maiores na seleção, o que impossibilita é que os titulares estão muito bem, inclusive marcando gols decisivos durante a Copa. "Eu acho que o que existe é uma hierarquia. Os dois titulares, Varane e Umtiti, um joga no Real Madrid e o outro no Barcelona. E eles se complementam, porque um é destro e um é canhoto, mas acho que o Rami daria conta do recado se entrasse. Ele é muito seguro. Caso algum deles se machuque, o Rami entra e o nível não vai baixar".
FAMA DE NAMORADOR
Rami costuma ser manchete nos jornais franceses por causa de sua vida particular. Isso porque já há algum tempo ele namora a atriz Pamela Anderson, que virou sucesso mundial após protagonizar o seriado Baywatch. E isso não chega a ser uma novidade para Túlio.
"Ele sempre foi mulherengo mesmo. Na época que jogamos juntos, ele era solteiro e nunca quis se envolver muito. Costumava aparecer com várias mulheres diferentes. É um bon vivant mesmo. Me lembro que ele namorou algumas modelos, teve até filho com alguma delas", disse, se referindo a Sidonie Biémont, uma das mais célebres modelos da França e mãe dos dois filhos de Rami.
"Esse namoro com a Pamela é recente, acho que faz um ano e meio no máximo. Mas é bem o perfil dele mesmo. Ele nunca se preocupou sobre o que as pessoas pensam dele. Ele quer aproveitar mesmo", completou seu colega, deixando claro que Rami não vê problema algum em ser quase 20 anos mais jovem que sua parceira.
