<
>

Dos camisas 10 nas quartas da Copa do Mundo, apenas dois atuam como 'manda o figurino'

Entre os principais camisas 10 das quartas de final da Copa do Mundo, poucos atuam na posição que ficou consagrada pela visão de jogo e organização das atuações ofensivas da equipe. Agora, quem leva o peso do número, na maioria dos casos, é o craque.

Em alguns times que já deixaram o Mundial da Rússia, isso fica evidente, mas é inevitável. No Egito, a camisa 10 foi de Mohamed Salah. Já em Senegal, o número foi utilizado por Sadio Mané.

Porém, em equipes em que o elenco tem inúmeras opções, a mística que envolve o uso do número mais consagrado no futebol, não representa o local que atua no campo.

Neymar Jr – Brasil

Neymar é o principal jogador da seleção brasileira. O craque do Paris Saint-Germain chegou à Copa do Mundo com o peso de carregar o Brasil até a final e, se possível, conquistar o hexacampeonato.

Até aqui, ele marcou dois gols, contra México e Costa Rica, além de distribuir uma assistência para Firmino (chute desviado pelo goleiro), também na partida das oitavas de final.

Nas quatro partidas disputadas entre fase de grupos e oitavas, o camisa 10 tentou o drible em 38 oportunidades, o que lhe rende quase 10 investidas sobre o adversário por jogo.

O que acontece é que, ao analisar a área de atuação do atleta, sua posição no campo lhe atribui a função de receber a bola e ir para cima dos adversários, sem a necessidade de armar o sistema ofensivo de Tite.

No caso da seleção brasileira, o responsável por servir os companheiros é Philippe Coutinho, como na linda assistência para Paulinho, no jogo contra a Sérvia, pela fase de grupos.

Em contraponto aos números do jogador do PSG, o camisa 11 do Brasil tem em todas as ações com bola nas partidas jogadas até aqui, aproximadamente 82% em passes e apenas 12 situações de drible.

Eden Hazard – Bélgica

Eden Hazard é o centro das atenções na 'ótima geração belga'. Até aqui, o camisa 10 marcou dois gols contra a Tunísia, e distribuiu duas assistências, contra Panamá e Japão. Em todos os jogos da Copa, Hazard partiu para cima dos adversários 19 vezes. Assim como Neymar, a principal função do craque não é armar as definições ofensivas da seleção, mas sim criar espaços a partir do embate mano a mano com o lateral adversário.

Para lhe servir, Hazard tem, possivelmente, um dos melhores meias do futebol mundial e que cumpre a ‘antiga função’ de camisa 10, porém, com a 7. Em todas suas ações com bola na Copa do Mundo, Kevin De Bruyne tem aproximadamente 85% em passes e apenas quatro situações de drible. No gol decisivo contra o Japão, De Bruyne puxou um lindo contragolpe, que culminou no gol da virada feito por Chadli.

Kylian Mbappé - França

Mbappé é o camisa 10 mais jovem da Copa do Mundo e a grande esperança francesa para o futuro da seleção. Com apenas 19 anos, o garoto foi fundamental na vitória sobre a Argentina, nas oitavas de final, por 4 a 3. Além dos dois gols marcados nas oitavas, o menino também fez o único tento da vitória sobre o Peru, por 1 a 0, que garantiu a França na fase de mata-mata.

O jogador do PSG é mais um claro exemplo do deslocamento de função da camisa que carrega nas costas. Pela área de atuação do atleta, fica evidenciado que sua função é criar espaços em jogadas individuais e puxar contragolpes, como na penalidade sofrida por ele contra a Argentina, em uma arrancada extremamente veloz, aproveitamento a defesa mal armada de Sampaoli.

Com Pogba e Kanté na contenção do meio-campo, quem assume o protagonismo na armação das jogadas francesas é Antoine Griezmann. Em todas suas ações em campo, 76,5% são passes para seus companheiros. Seja pelo lado direito, ou pelo esquerdo, com ótima dinâmica no campo.

Luka Modric – Croácia

Luka Modric é o principal jogador da Croácia na Copa do Mundo, e quem coordena as ações de meio campo da equipe. Enquanto Brozovic e Rakitic jogam mais atrás, protegendo a defesa, Modric comanda o ritmo pelo meio, servindo tanto Perisic e Rebic, que jogam mais abertos pelos dois lado do campo, quanto Mandzukic, que assume a responsabilidade entre os zagueiros na área adversária.

O ponto mais ‘quente’ do camisa 10 no mapa é exatamente no círculo central, o que comprova como o jogador do Real Madrid faz sua seleção jogar. Das 309 ações com bola de Luka até o momento, 260 foram passes, o que lhe rende um total de aproximadamente 84% de toda a sua atuação na Copa contribuindo com os companheiros.

Emil Forsberg - Suécia

A Suécia costuma atuar até o atual momento da Copa do Mundo com quatro jogadores de meio e dois atacantes. Forsberg é o responsável por comandar as ações puxando do meio para o lado esquerdo, mas é dos pés dele que saem as principais jogadas da equipe. Foi dele o gol da classificação às quartas, contra a Suíça.

Ao contrário de Claesson, seu companheiro na meia, o 10 não tem tanta responsabilidade com a volta na marcação, assim carregando o time ao ataque.

Raheem Sterling - Inglaterra

Sterling é conhecido por sua velocidade, algo que, habitualmente, não é a principal característica de quem atua como 10. Na atual seleção inglesa, o jogador do Manchester City é o responsável por movimentar-se por todas as partes do campo, afinal, seu companheiro de ataque, Harry Kane, precisa estar na área para empurrar a bola para a rede.

Pelo mapa de atuação do atleta, fica evidente seu estilo de jogo e sua função para o time. Deslocando-se pelos lados do campo, Sterling tira a necessidade de intensa movimentação de Kane, criando espaços para que os outros jogadores de meio criem as jogadas. A maior parte dos passes dados pelo camisa 10 durante as partidas são para os jogadores de meio da Inglaterra, independentemente da faixa de campo que atuam.

Giorgian de Arrascaeta - Uruguai

O camisa 10 do Uruguai é muito conhecido no futebol brasileiro. Arrascaeta é uma das ótimas peças do elenco cruzeirense e na maioria das partidas atua com titular. Porém, na Copa do Mundo, após baixa atuação na estreia, acabou indo para o banco de reservas.

Em todas as 68 ações bola até aqui, 50 foram passes, o que lhe rende uma média de 73,5% de toque de bola sempre que a recebe. Até as oitavas, o jogador não marcou e não deu nenhuma assistência. Além do alto número de bola tocadas, pelo mapa de calor do camisa 10 podemos perceber que, sempre que teve em campo, atuou 'como manda o figurino'.

*Arrascaeta, por ter atuado muito pouco, não englobou o mesmo grupo de Modric e Forsberg. Nas oitavas de final, por exemplo, sequer entrou em campo.

Fedor Smolov - Rússia

Smolov começou a Copa como titular da Rússia, mas tem uma situação semelhante a De Arrascaeta. A diferença é que, mesmo perdendo a vaga entre os 11 iniciais, o camisa 10 esteve em campo em todas as partidas. Pelo mapa de atuação do jogador, é possível notar sua intensa movimentação enquanto esteve em campo.

Atuando como atacante, Fedor tem pontos máximos de calor em sua maioria pelo lado esquerdo, mas também é possível observar pelo lado direito e até mesmo atrás da linha do meio, mostrando também ajuda defensiva.