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Copa do Mundo: Godín e Giménez formam zaga quase 'intransponível' do Uruguai: 'É o professor jogando com o aluno'

Pelos jogadores de cada time, é difícil não apontar a França como favorita no confronto contra o Uruguai, nesta sexta-feira, pelas quartas de final da Copa do Mundo. Um alento para os sul-americanos, porém, é sua dupla de zaga. Diego Godín e José María Giménez atuam juntos também pelo Atlético de Madrid e sua parceria vai muito além do que apenas dentro de campo. Eles são praticamente pai e filho.

Godín, de 32 anos, é, já há alguns anos, considerado um dos melhores zagueiros do mundo, com muita técnica e, principalmente, liderança, já que é ele quem dita o ritmo de suas equipes desde os tempos em que atuava no Nacional, do Uruguai.

"Sempre foi um grande cabeceador, mas a marcação dele sempre foi o forte. Fico feliz por tudo que ele conquistou. Ele dá muita segurança atrás e deixa os atacantes tranquilos porque olham para trás e estão grandes jogadores", disse Giancarlo, atacante atualmente no Pelotas, que possui passagens por inúmeros clubes do Brasil e disputou uma temporada no Uruguai, onde teve Godín como um de seus companheiros.

"É um cara humilde que merece aonde está. Fizemos um churrasquinho lá uma vez e o Godín levou um grupo para tocar a cumbia. Eu não sabia dançar, mas ele me chamava. O churrasco deles tem umas carnes bem boas, outra nem tanto (risos). A dança era igual ao Carlitos Tévez quando comemorava os gols. Era muita risada. Ele é bem extrovertido e gosta de uma resenha", declarou o jogador, que exaltou o espírito dos nossos vizinhos.

"Essa raça uruguaia é algo deles mesmo, cultural. Não só com jogadores da seleção, mas do campeonato uruguaio também são assim. Todos. Desde o atacante até o zagueiro".

Após se destacar em seu país, Godín foi contratado pelo Villarreal, onde foi titular absoluto em três boas temporadas e chamou atenção do Atlético de Madrid, que se consolidava cada vez mais como uma potência capaz de desbancar Real Madrid e Barcelona.

Sua história no clube já dava indícios que seria marcante logo no início, já que Godín foi campeão da Supercopa da Europa, em decisão com a Inter de Milão, logo em seu primeiro jogo. No ano seguinte, ganhou um parceiro de respeito: Miranda, atual zagueiro titular da seleção brasileira. Com os dois, o Atlético passou a ter uma das defesas menos vazadas da Europa e os títulos começaram a aparecer, como uma Copa do Rei e o Campeonato Espanhol de 2014.

Essa parceria permaneceu intacta até 2015, quando outro uruguaio passou a ganhar espaço no clube: José María Giménez. O técnico Diego Simeone, junto com a diretoria, decidiu abrir mão de Miranda, confiando que o jovem poderia assumir seu lugar sem grandes preocupações.

E assim foi. O zagueiro entrou no time e não saiu mais. Muito disso graças a Godín, seu grande professor.

"Ele é o líder daquele Atlético. É um cara que jogar do lado dele é muito fácil pela liderança que ele exerce. É um cara muito simples, muito prestativo. Com o Giménez foi exatamente isso. Ele fez um papel de pai. Quando eu cheguei no Atlético era Godín e Miranda a zaga e quando o Miranda foi vendido para a Inter de Milão, o Giménez, por mérito próprio, foi ganhando espaço dentro do grupo titular, mas sempre vendo o Godín como uma referência. Eu tenho certeza que ele foi muito importante nesse crescimento. Hoje eles formam a zaga do Atlético e da seleção. O aprendizado diário entre os dois, conhecimento da característica um do outro, vem dando resultado", declarou Guilherme Siqueira, lateral-esquerdo que defendeu o clube espanhol entre 2014 e 2017.

"Como amigo, eu fico muito feliz pelo crescimento dos dois. O Godín para mim já é uma garantia, mas o Giménez, com a cabeça que ele tem, com quem ele tem ao lado, só tem a ganhar e tenho certeza que, se é que ainda não está, com certeza estará entre os maiores centrais da história porque profissionalismo, qualidade e liderança não faltam nele", disse, destacando que os dois zagueiros se completam.

"Os dois têm muita raça, são muito bons no cabeceio, tempo de bola espetacular. Só que eu sempre vi o Godín muito mais maduro e o Giménez aprendendo muito, crescendo exatamente igual. Então é engraçado ver eles jogando juntos porque é o professor jogando com o aluno", opinou ele, sobre os colegas que, juntos, valem 80 milhões de euros, mais de R$ 350 milhões, sendo 45 milhões Giménez e 35 Godín.

Na seleção uruguaia, eles atuam juntos desde 2014, quando Diego Lugano parou de jogar na seleção. Giménez, na época com 19 anos, não sentiu a pressão e deu conta do recado.

"A resposta dele em pouco tempo foi muito positiva. Amadurecimento muito precoce porque não é fácil liderar a zaga de um clube como o Atlético e da seleção do Uruguai. O Giménez vem sendo um ótimo aluno nesse quesito", garantiu Siqueira, que credita o bom desempenho ao "trabalho e muito esforço" do colega.

Nesta Copa do Mundo, a defesa formada por Godín e Giménez é uma das melhores até agora, tomando apenas um gol em quatro jogos e praticamente anulando Cristiano Ronaldo, que pouco conseguiu render nas oitavas de final.

O próximo desafio é segurar a França e seu ataque de nomes como Kylian Mbappé e Antoine Griezmann, velho conhecido dos dois, já que também atua no Atlético.

Apesar da qualidade dos adversários, isso não tira o sono dos uruguaios, que confiam totalmente em sua dupla de zaga.

"Diego e José María não jogam assim há pouco tempo. Já é de uns anos atrás que fazem um bom papel. São os melhores zagueiros do mundo", declarou o meia Cristian Rodríguez, um dos mais experientes do grupo.