Infância pobre e torneio contra o Fluminense moldaram nome mais modesto da grande geração belga

Dedryck Boyata, após vitória da Bélgica sobre a Inglaterra na Copa do Mundo Getty

Dedryck Boyata foi titular nos três primeiros jogos da Bélgica na Copa do Mundo. Fora apenas do duelo contra o Japão, o zagueiro, contudo, não é tão conhecido quanto nomes como Kevin De Bruyne, Eden Hazard ou Romelu Lukaku na talentosa geração do país, que enfrenta agora o Brasil.

Aos 27 anos, Boyata não está em uma das maiores ligas do futebol europeu e atua, desde 2015, na Escócia, pelo Celtic. Só que o caminho até isso foi, sim, grandioso, da infância difícil até chegar como promessa ao Manchester City - muito graças às atuações em um torneio vencido pelo Fluminense.

“Eu comecei a jogar futebol tarde, quando tinha 13 anos”, relembrou Boyata, em entrevista em fevereiro de 2017, ao jornal “The Herald”, da Escócia. “Por quê? Jogar futebol significava que era preciso pagar pelas roupas e etc. Minha situação não era das melhores quando era mais novo.”

Boyata, é verdade, conhece o futebol desde o berço, já que é filho de jogador: Bienvenu Boyata, ex-atacante congolês que atuou em clubes da segunda divisão da Bélgica. A bola, contudo, era apenas um passatempo para o hoje jogador de Copa do Mundo até um torneio sub-17 disputado em 2007.

“Eu só jogava para um time de bairro e perto da escola. Era isso. Mesmo crescendo, eu jogava para um time da primeira divisão, mas entre os juvenis. Eu só tinha três treinos a noite por semana. Mas, se tivesse muita lição de casa, então meu pai não me deixava sair para treinar”, contou ele.

A equipe em questão era o Brussels FC, convidada há 11 anos para participar da tradicional Milk Cup, na Irlanda do Norte. Em competição com clubes como Bayern de Munique, River Plate, Fluminense, Benfica e Manchester United, o modesto time belga avançou até a semifinal de forma invicta.

Foi, então, que o caminho de Boyata cruzou com o do clube brasileiro, sempre uma atração para olheiros europeus. O Brussels segurou o empate em 1 a 1 com o Fluminense, que acabaria campeão, no tempo normal e só foi eliminado nos pênaltis. O zagueiro, que converteu sua cobrança, foi um dos destaques da competição e, após a eliminação, acabou contratado pelo Manchester City.

A altura, de 1,88m, foi um dos atrativos que chamou a atenção do clube inglês, que pagou apenas 100 mil (menos de R$ 500 mil na cotação atual) na contratação. Da base, Boyata estreou entre os profissionais do City em 2010, aos 19 anos, tendo agradado o técnico Roberto Mancini.

Depois de fazer sete partidas em 2010/11, o belga iniciou a temporada seguinte ganhando cada vez mais chances. Só que, quando foi escalado como titular para partida contra o Arsenal na Premier League, acabou falhando: foi expulso com apenas cinco minutos, e o City acabou perdendo por 3 a 0.

Aquele pênalti e o cartão vermelho interromperam a ascensão de Boyata, que até voltou a atuar no City em 2010/11, mas acabou emprestado logo em seguida, para Bolton-ING e Twente-HOL.

O defensor voltou ao clube inglês entre 2013 e 2015, mas pouco jogou. Foi, então, adquirido pelo Celtic, equipe na qual se reencontrou e virou titular absoluto. Depois de bons jogos com a Bélgica na Copa, o nome de Boyata voltou a ser notícia na Inglaterra, agora com especulações sobre seu futuro.

Contra o Brasil, na próxima sexta-feira, às 15h (de Brasília), pelas quartas de final, ele é cotado a voltar a equipe, para tentar reforçar a defesa contra Neymar e cia. Boyata pode até ser desconhecido para muitos, mas é mais uma peça importante da grande geração da Bélgica...