A penalidade máxima no futebol se tornou um lance mais frequente com o auxílio do sistema de árbitro de vídeo (VAR). Não à toa, somente a fase de grupos da Copa do Mundo de 2018 já estabeleceu o recorde de pênaltis em uma edição inteira do torneio, com 24 - foram mais quatro nas oitavas de final. Anteriormente, a maior marca (18) tinha sido alcançada nas Copas de 1990, 1998 e 2002.
Com a penalidade em tanta evidência, cabe a pergunta: quem e quando ela foi inventada?
O responsável foi um goleiro, o irlandês William McCrum, do modesto Milford FC e filho de um empresário milionário da indústria têxtil.
No final do século XIX, ele considerava necessário punir as faltas intencionadas perto do gol. Algumas versões dizem que ele buscava um maior protagonismo como goleiro, por isso queria criar um lance no qual toda a atenção se concentrasse na posição.
McCrum apresentou a proposta em 1890, mas a ideia foi rejeitada. O futebol da era vitoriana sempre foi visto como um esporte de cavalheiros praticado pelos jovens de classes abastadas e as faltas intencionadas não tinham cabimento.
No entanto, a perseverança de McCrum como membro da federação irlandesa e o aumento desse tipo de lance propiciaram a aprovação da cobrança direta de 11 metros e a sua inclusão como a norma número 13 no livro de regras no dia 2 de junho de 1891.
A estreia da penalidade máxima na Copa do Mundo ocorreu na primeira edição, em 19 de julho de 1930, na vitória de 6 a 3 da Argentina sobre o México. O árbitro da partida era Ulises Saucedo, que no torneio também era o técnico da Bolívia.
Saucedo marcou pênalti contra a Argentina aos 42 minutos do primeiro tempo. A cobrança foi convertida por Manuel Rosas, que também fez história três dias antes, ao se tornar o primeiro jogador a marcar um gol contra, de cabeça na partida contra o Chile.
Com 18 anos, Rosas também foi o jogador mais jovem a balançar as redes na Copa do Mundo antes de Pelé, que marcou contra o País de Gales quando tinha 17 anos, em 1958.
