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Copa do Mundo: geração de ouro da Bélgica já teve capitão brasileiro

Você sabia que a geração de ouro da Bélgica, que tem atletas como Courtois, Kompany, Witsel, Fellaini, Hazard e Lukaku e já foi capitaneada por um brasileiro?

Trata-se de Danilo Sousa Campos, filho do ex-atacante Wamberto, que fez carreira em clubes como Ajax-HOL e Standard de Liège-BEL. Hoje com 28 anos, o meia, nascido em São Luís-MA, mora na Europa desde a infância, e foi capitão das seleções sub-17 até sub-23 da Bélgica no final da década passada. Desse tempo, guardou amizade com toda a "ótima geração belga", além de revelações da base do Ajax, onde também atuou.

"Eu comecei a jogar no sub-17 da Bélgica, logo depois do pegar o passaporte europeu. Fui capitão por muito tempo. Na época, eu era dos poucos que atuava fora do país. Só eu, o Hazard, que estava no Lille, e mais uns três jogavam fora da Bélgica. Atuei com Vermaelen e Vertonghen no Ajax, o Courtois na seleção... Joguei com quase 70% dessa geração que está aí agora", contou Danilo, ao ESPN.com.br.

"Também joguei com o Daley Blind [hoje lateral esquerdo do Manchester United] por 13 anos, subimos juntos ao profissional. É engraçado, porque o pai dele [Danny Blind] jogou com o meu por uns três anos!", completou.

Após passar pela equipe de Amsterdã na base, Danilo seguiu os passos do pai e começou a carreira profissional no Standard de Liège. Depois, passou pelo Metalurh Donetsk-UCR, Mordovia Saransk-RUS e Dnipro-UCR até chegar ao Antalyaspor-TUR, seu atual clube. Em 2014, porém, por pouco não veio jogar no futebol carioca.

"Tive sondagens de alguns clubes, mas estava com alguns problemas de documentação porque havia rescindido meu contrato na Ucrânia. A única proposta concreta que tive do Brasil foi do Fluminense. Se eu estivesse livre, com certeza teria aceitado", relatou o atleta, que, sempre que pode, passa suas férias com a família em São Luís e ainda fala português perfeito, apesar dos 20 anos morando na Europa.

Parceiro de Witsel e Hazard

Entre os atletas da "ótima geração belga", o melhor amigo de Danilo é o volante Witsel, jogador do Zenit, da Rússia, e titular dos "Diabos Vermelhos na última Copa do Mundo.

"O Witsel me disse que só não voltou agora ao Brasil para passar férias porque a mulher dele está grávida, mas ele queria vir para curtir como turista. Ele adora o arroz com feijão e fala português, porque jogou no Benfica. Ele e o Fellaini usam aquele cabelão, e a gente tirava sarro, perguntávamos se era peruca, se tinha piolho (risos)", brincou.

Quem sempre lhe chamou a atenção, no entanto, foi o meia-atacante Hazard, hoje no Chelsea. Segundo o brasileiro, desde cedo era possível ver que o arisco jogador era "diferenciado".

"O Hazard desde moleque era fora do normal. Ele era tímido, mas, dentro de campo, se transformava, não parecia aquele menino que você estava conversando fora de campo. Ele fazia coisas que você não acreditava! Desde quando atuei com ele dava pra perceber que era diferenciado", observou.

No entanto, praticamente todos os atletas da geração de ouro belga ainda têm contato com o brasileiro naturalizado. "Foi uma boa experiência ver de perto e atuar com todos os caras. Mantenho amizade com eles até hoje", assegurou.

Antes da Copa, aliás, o meio-campista serviu como uma espécie de guia para os companheiros da Bélgica, que não paravam de fazer perguntas sobre o Brasil. A principal dúvida era se o país de fato estava preparado para o Mundial, já que as notícias exibidas na imprensa europeia eram pessimistas.

"Eles queriam saber se estava tudo pronto para a Copa, se ia dar tudo certo, e eu sempre fui positivo. Eles também queriam saber sobre a seleção brasileira, se o Neymar era fora do normal, muita curiosidade sobre o nível do futebol praticado no Brasil, os clubes. Só posso dizer que eles gostaram muito e querem voltar nas férias!", garantiu.

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Força estrangeira

Danilo jogou na seleção da Bélgica até o sub-23, mas nunca foi chamado para defender o time principal. Os "Diabos Vermelhos" vêm se aproveitando bem dos atletas de outras ascendências. Entre as últimas revelações da seleção, estão Januzaj (Real Sociedad), que é de família kosovar, Chadli (Tottenham), de família marroquina, e Lukaku (Manchester United), cujo pai é congolês

"A Bélgica abre muitos as portas para os estrangeiros, hoje em dia a seleção quase não há belgas natos. Até por isso o país melhorou muito no futebol", finalizou Danilo.