Titular do Japão na Copa do Mundo, ex-Milan e atualmente no Pachuca do México, Keisuke Honda começou a carreira no Japão como jogador sob os olhos de um brasileiro.
Com 32 anos. o camisa 4 está em seu 3º Mundial pela seleção japonesa, sendo que também disputou as Copas de 2010 e 2014.
No início dos anos 2000, com apenas 15 anos de idade, Honda foi treinado por Fahel Júnior, atualmente comandante do XV de Piracicaba, em uma escola japonesa chamada Seyrio Koko de Kanazawa.
“Eu fui para o Japão jogar futebol em 1991 e trabalhava em algumas empresas. Depois, virei treinador em uma escola. O Honda foi meu aluno no time entre 2000 e 2002, porque lá quase não tem categorias de base nos clubes. Os colégios são muito fortes no esporte”, afirmou Fahel.
Ainda muito novo, o atual camisa 4 da seleção sempre se destacou entre os companheiros. Não só pela liderança técnica, mas também pela liderança comportamental com os colegas.
“Ele tinha 15 anos e estava em fase de formação. Era um molecão, mas já era destaque do colégio e vários times queriam ele. Sempre foi um líder e falava muito dentro de campo. Ele passou um tempo morando na Argentina jogando antes do colégio, bem garoto mesmo”, completou o treinador.
Um das principais influencias do técnico brasileiro em seu jogo foi em relação a um defeito que o menino tinha, mas foi consertado.
"Era um ala esquerdo e até falava para usar mais a perna direita, só usava a esquerda. Era meio penso (risos). Cobrava muito isso do Honda. Cheguei a colocá-lo de ala esquerda e meia", comentou.
O atual comandante do XV comentou que, pouco tempo depois, quando completou 16 anos, Honda já era capitão do time. Porém, o colégio era muito forte e exigia ótimas notas, assim os alunos podiam participar dos treinamentos.
Além dos estudos, como todo estudante japonês, limpava o banheiro da escola com seus colegas.
Apesar de conviver com os amigos normalmente, o garoto estava um pouco a frente quando assunto era futebol, e suas atitudes mostravam isso.
“Ele tem uma personalidade muito forte. Questionava muito sobre tática, qual a função dos treinos. Ele vinha, conversava sobre a formação do time e interagia com os treinadores. Não era quieto, nem tinha vergonha como os japoneses. Era uma inteligência fora de série. Queria entender, ficava mexendo na minha prancheta de botões e pensando em posicionamentos diferentes”, disse Júnior.
O meio campista sempre admirou o futebol brasileiro. Até no jeito de ser, era mais extrovertido que os japoneses habitualmente. Quando fazia suas refeições com o antigo treinador, fazia questão de sempre falar sobre o Brasil, além de perguntar sobre jogadores com Zico e Ruy Ramos.
O ponto primordial da carreira de Honda aconteceu quando chegou ao terceiro colegial. Na ocasião, era necessário que optasse por seguir à universidade ou tentar a carreira em um time profissional.
“Eu viajei até Nagoya. Fui procurado pelos scouts e o indiquei ao Nagoya Grampus, que o treinador era o Nelsinho Baptista. Ele foi para lá e fez história”.
Pelo time de Nelsinho, atuou de 2005 até 2007. Daí em diante, seguiu evoluindo em sua carreira. Após o futebol japonês, migrou para o VVV-Venio, da Holanda, onde atuou por mais dois anos. Em sua primeira temporada, acabou sendo rebaixado. Mas, no ano seguinte, foi o principal jogador da equipe no retorno a elite do futebol holandês.
O grande pulo em sua carreira aconteceu no ano de 2010, quando Honda acertou sua transferência para o CSKA Moscou, da Rússia, por aproximadamente 6 milhões de euros.
Pelo CSKA, tornou-se o primeiro atleta japonês a chegar às quartas de final da Champions League.
Em 2013, com ótimas atuações no futebol russo, foi cogitado por grandes clubes europeus, assim concretizando sua ida para o Milan. Fez sua estreia contra o Sassuolo.
Na segunda temporada pelo clube italiano, tornou-se o camisa 10 da equipe. Manteve-se por lá até o durante quatro temporadas, até o fim de seu contrato, em 2017.
Agora, o ídolo japonês está disputando a Copa do Mundo da Rússia, e atua pelo Pachuca, do México.
Mesmo após toda a idolatria conquistada, Fahel faz questão de exaltar sua felicidade com o jogador que, quando menino, foi treinado por ele.
“O Honda ainda ajuda muito o colégio até hoje. Manda chuteira para os garotos e ainda passa lá de vez em quando. Fico feliz porque hoje é um dos maiores ídolos da história do Japão. Queria ter encontrado com ele na Copa do Mundo de 2014 do Brasil, mas não consegui”.
