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Herói da Argentina, Rojo não gosta de aliviar: 'Atacantes têm medo de chegar perto dele'

Marcos Rojo foi o herói improvável da classificação da Argentina para as oitavas de final da Copa do Mundo, após fazer o gol da vitória por 2 a 1 sobre a Nigéria, nesta terça-feira. Canhoto, ele fez de pé direito o gol da classificação no fim da partida.

Um filme deve ter passado pela cabeça do jogador. Há quatro anos, também foi o dele o gol que deu a vitória da Albiceleste sobre o mesmo adversário por 3 a 2, no Brasil. Claro, com contornos menos dramáticos do que na Rússia, pois a Argentina já estava classificada.

Bem ao contrário desta terça, a descontração era tanta que os torcedores argentinos até adaptaram uma de suas famosas músicas para encaixar o jogador. Em vez de "Maradona és más grande que Pelé", a canção ficou "Marcos Rojo és más grande que Pelé". Não é para tanto.

Não é a técnica, mas sim a demonstração de raça e a crença em cada jogada até o fim que são características marcantes do defensor.

"É um cara muito forte, não tem bola perdida. Ele joga bem por cima e por baixo Sempre chega duro e forte. Isso ficou marcado pelo estilo de jogo e os atacantes têm medo de chegar perto dele porque 'sentava a madeira'. Não dava moleza", contou Xandão, que atuou com o argentino no Sporting, ao ESPN.com.br.

Revelado no Estudiantes-ARG, Rojo venceu a Copa Libertadores da América de 2009 sobre o Cruzeiro. No ano seguinte, foi para o Spartak Moscou, no qual permaneceu uma temporada antes de se mudar para o time lisboeta.

Seu jeito bruto foi notado pelos brasileiros desde a época em que jogava em Portugal.

"É o típico argentino, nervoso e catimbeiro (risos). Mas era alguém que que ajudava a família toda. Tem na sua esposa o porto seguro, que é uma pessoa mais equilibrada mais centrada. Ele precisa muito da ajuda dela. Mas como jogador e pessoa no trato do dia-a-dia é um grande amigo. Mas precisa também ter alguém do lado para ter um suporte", disse Marcelo Boeck, ex-goleiro do Sporting, à ESPN.

"A esposa [Eugenia Lusardo] é uma pessoa que tem grande percentual na carreira dele. Apesar das dificuldades de estar com um jogador, ela está ao lado dele", relatou o zagueiro Mauricio, ex-zagueiro do Sporting

Uma de suas jogadas características é o desarme ou passe de letra com o pé esquerdo, o seu melhor. Ele não tem medo de fazer a jogada mesmo dentro da área ou em partidas importantes.

"Foi meu parceiro de zaga. É um amigo meu até hoje e temos o mesmo empresário. Quando cheguei no Sporting me recebeu muito bem e ajudou demais. É muito profissional e se cuida bastante. Sempre fazia uns treinos extras e jogávamos um futevôlei, que gostava. É um cara que confia muito no trabalho dele e por isso está aonde está. É merecedor", elogiou Maurício.

O jogador foi chamado pela primeira vez para a seleção argentina em 2010. Desde então, é presença constante na equipe albiceleste. Jogou três edições da Copa América (2011, 2015 e 2016) e duas da Copa do Mundo (2014 e 2018).

Após chegar ao Mundial do Brasil sob muita desconfiança, Rojo se destacou no vice-campeonato mundial como lateral-esquerdo.

Com as boas atuações, principalmente na semifinal contra a Holanda, foi contratado pelo Manchester United depois do Mundial.

"Ele sabe sair jogando, mas quando o vi jogando de lateral esquerdo foi uma surpresa. É alto e forte, é bem diferente das características de um lateral. Mas jogou bem e chegou até a final da Copa do Mundo passada", disse Xandão.

Em quatro temporadas nos Red Devils, Rojo faturou Europa League, Copa da Inglaterra, Copa da Liga Inglesa e a Community Shield.