Um dia após o empate por 1 a 1 com a Suíça, a CBF enviou ofício à Fifa reclamando de dois lances durante o jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo e cobrando a presença do VAR, o árbitro de vídeo, em ambos os casos.
Além disso, na nota assinada pelo futuro presidente da entidade e hoje chefe da delegação na Rússia, Rogério Caboclo, é cobrada a divulgação do áudio e do vídeo das conversas entre o juiz principal, o mexicano César Ramos, e o responsável pelo VAR no duelo da Arena Rostov, o italiano Paolo Valeri.
Para a CBF, MIranda foi empurrado por Zuber no gol de empate da Suíça, e Gabriel Jesus foi puxado dentro da área por Akanji, mas o pênalti não foi assinalado - os dois lances aconteceram no segundo tempo.
O ofício é endereçado para o presidente da Fifa, Gianni Infantino; à secretária geral, Fatma Samoura; ao comissário da arbitragem no jogo de domingo; e ao chefe do comitê de arbitragem da entidade, Pierluigi Collina.
Leia abaixo o documento traduzido para o português e sua versão em inglês
Nós fazemos referência ao jogo 9 da Copa do Mundo de 2018, disputado entre as seleções de Brasil e Suíça em 17 de junho de 2018 na Arena Rostov em Rostov-on-Don, Rússia.
A este respeito, após uma análise posterior feita pela CBF, nós gostaríamos de chamar sua atenção a certos episódios-chave da dita partida, o que nós notamos após uma revisão completada executada por nosso departamento técnico, em particular a respeito da conduta do árbitro Cesar Ramos ("o árbitro") e do árbitro assistente de vídeo Paolo Valeri ("senhor Valeri").
Os episódios são os seguintes:
a) Minuto 50: sobre a ação, que levou ao gol marcado pelo jogador suíço Steven Zuber (nº 14), é evidente que o jogador brasileiro Miranda (nº 3), enquanto em seu ato de defesa, foi claramente empurrado e jogado à frente pelo autor do gol Zuber.
Zuber deliberadamente empurra em duas ocasiões diferentes com as duas mãos, a segunda ocaisão sendo muito mais clara, porque os corpos dos dois jogadores ficaram mais distantes.
A ação caracteriza uma falta clara, o que resulta em uma vantagem incontestável para o senhor Zuber, pois o senhor Miranda foi incapaz de defender e acertar a bola. O árbitro não marcou falta, e o senhor Zuber comemorou um gol decisivo.
b) Minuto 74, falta cometida pelo defensor suíço Manuel Akanji (nº 5) no atacante brasileiro Gabriel Jesus (nº 9), que, tendo sido cometida na grande área suíça, teria causado um pênalti a favor do Brasil, mas não foi marcada.
Gabriel Jesus, que estava controlando a bola na grande área da Suíça com uma clara oportunidade de fazer um gol, foi segurado, também com as duas mãos, pelo senhor Akanji, que o derrubou e com isso cometeu um pênalti evidente. O árbitro, porém, não interveio e deixou a ação continuar.
Estas duas ações constituem, na opinião da CBF, erros claros do árbitro, o que com isso formariam parte das decisões revisadas que são analisadas pelo VAR, de acordo com o protocolo do VAR.
Igualmente, a CBF sabe que o VAR deve informar o árbitro sobre ações que podem possivelmente ser revisadas, alimentando-o com todos os fatos e lançando uma recomendação sobre a decisão a ser tomada.

Considerando o acima, e também à luz dos fatos de que o VAR foi recentemente introduzido a nível internacional, e é normal que certas clarificações sejam providenciadas nos primeiros estágios de implementação de tal nova tecnologia, a CBF respeitosamente gostaria de ser informada de se:
I. O senhor Valeri, ou qualquer outro do VAR, sugeriu ao árbitro revisar todas as jogadas e como?
II. O árbitro, que tem o poder para fazer, pediu ao VAR para analisar as jogadas?
III. Em ambos os casos, qual foi a comunicação entre os dois?
A CBF também gostaria de dividir com a Fifa sua forte crença de que para uma implementação apropriada e efetiva da tecnologia do VAR, transpareência é essecial, com isso em mente, a CBF respeitosamente pede para ser providenciado as gravações de vídeo e áudio do VAR, tudo em ordem para verificar o que realmente aconteceu.
Finalmente, a CBF soube por reportagens da imprensa que o comitê de arbitragem da Fifa teria dito que as ações do árbitro nas jogadas citadas acima teriam sido corretas e além disso não deveriam ter sido revisadas com o uso do VAR.
A este respeito, a CBF gostaria de providenciar uma posição oficial sobre o caso e, uma vez dada tal posição, reservar todo o direito a comentar, também à luz das próximas jogadas que forem revisadas no decorrer da mesma competição.
Agradecendo por sua atenção ao conteúdo acima e aguardando sua resposta.
