Antes de Gabriel Jesus, a seleção brasileira custou a achar um centroavante goleador e, acima de tudo, confiável para disputas importantes como a da Copa do Mundo. Diego Costa poderia ter sido um deles, mas acabou sendo deixado totalmente de lado.
Autor de dois gols no empate da Espanha com Portugal por 3 a 3, na última sexta-feira, na estreia do mundial da Rússia, o sergipano de Lagarto até chegou a ter chances com a camisa amarela, mas foram pouquíssimas.
Para sermos exatos, só duas, ambas em amistosos e saindo do banco de reservas.
A primeira foi no dia 21 de março, em Genebra, na Suíça, empate em 2 a 2 com a Itália. Já a segunda, em Londres, quatro dias depois, em nova igualdade, desta vez por 1 a 1 com a Rússia.
No total, foram só 33 minutos entrando em campo com a camisa da seleção brasileira.
Responsável pela convocação de Diego Costa em 2013, Luiz Felipe Scolari justificou sua decisão.
"Venho observando o Diego desde que assumi a seleção, com detalhes que coletei nos últimos jogos e com técnicos europeus com que tenho contato. Ele merece essa oportunidade para que possamos observá-lo, e tem uma característica importante para o grupo. É muito forte, sabe guardar posição, luta muito mais do que é imaginado", comentou, à época.
Depois, a ideia era convocar o centroavante para mais dois amistosos na sequência, diante de Honduras e Chile, mas o atacante preferiu naturalizar-se espanhol, dilema que pairava sobre sua cabeça já por algum tempo.
"Foi uma decisão complicada por tudo o que significa: jogar pelo país em que nasci ou pelo que me deu tudo? Pensei, repensei e decidi que o melhor é jogar pela Espanha, pois foi aqui que fiz minha vida. Tudo o que tenho na vida foi esse país que me deu. Aqui, sinto um carinho especial, me sinto valorizado pelo que fiz. Aqui, sinto o carinho das pessoas", comentou.
A escolha de Diego Costa por vestir vermelho não agradou ao técnico gaúcho de personalidade forte, que o desconvocou e, logo depois, detonou em entrevista ao site oficial da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
"Um jogador brasileiro que se recusa a vestir a camisa da seleção brasileira e a disputar uma Copa do Mundo no seu país só pode estar automaticamente desconvocado. Ele está dando as costas para um sonho de milhões, o de representar a nossa seleção pentacampeã em uma Copa do Mundo no Brasil.
Pouco mais tarde, no mundial em solo nacional, o atacante ainda teve de sofrer com as constantes vaias da torcida do Brasil nas partidas da Espanha. Pior ainda, ele acabou ficando na primeira fase da competição após derrotas para Chile e Holanda, esta uma das grandes humilhações espanholas: 5 a 1.
Ao todo, Diego Costa já realizou 21 aparições com a "Fúria" e chegou a nove gols, com os dois diante de Portugal.
