Copa do Mundo: hinos do Grupo B tem 'ultimato' da Inglaterra a Portugal e 'sem letra'

Poucos momentos representam tanto a emoção de uma Copa do Mundo como os hinos nacionais. Minutos antes da batalha dentro de campo, cada nação se reúne com toda sua gente em torno de uma melodia e uma letra.

O hino traz uma história, uma cultura, um sentimento. E o fã de esporte fica por dentro de todos eles no ESPN.com.br!

Nesta quinta, conheça os hinos do Grupo B:

Espanha

A cabeça de chave do Grupo B e umas das principais candidatas ao título é famosa por não cantar seu hino, afinal, não existe uma letra oficial.

A melodia é de 1761, tornando-a uma das mais antigas da Europa. Sem autor conhecido, a ‘Marcha Granadera’ começou a ser tocada nos eventos da família real espanhola nove anos depois de sua composição, e não demorou a ganhar a alcunha de Marcha Real.

Apesar de existir há mais de 250 anos, só foi decretada como hino nacional no governo do general Franco, ainda que sem letra ou mesmo versão oficial. Foi só em 1997 que o Rei Juan Carlos oficializou a versão ‘correta’ da música.

Os versos, por outro lado, seguem sem definição. O que não impede o “hino sem letra” de ter versões não oficiais. A mais famosa delas é a de Eduardo Marquina, que segundo o jornal El Mundo, ficou “a ponto de se converter na parceira eterna do hino” no início do século XX.

Letra (não oficial, de Eduardo Marquina):

Glória, glória, coroa da Pátria,
soberana luz
que é ouro em seu Pendão

Vida, vida, futuro da Pátria,
que em seus olhos é
coração aberto

Roxo e ouro: bandeira imortal;
em suas cores, juntas, carne e alma estão

Roxo e ouro: querer e conquistar;
Tu és, bandeira, o símbolo da ânsia humana.

Portugal

O hino de Portugal é uma curiosa história de guerra que dará do século XIX, quando o continente africano ainda era recheado de colônias europeias.

Os lusos reclamavam para si uma região que onde compreende a Zâmbia, o Zimbábue e Malauí, algo que desagradou a Inglaterra, grande potência bélica da época. Em 1890, Lorde Salisbury enviou a Portugal um ultimato para que deixasse aquela região africana, sob pena de uma intervenção militar inglesa.

O Rei Dom Carlos I, então, abaixou a cabeça e acatou a decisão britânica, revoltando a população portuguesa. E foi desse sentimento de raiva que surgiu o hino que dura até hoje.

A música Alfredo Keil foi à casa do poeta Henrique Lopes de Mendonça, onde compuseram a música e a letra da canção marcial que ecoará nos estádios russos. Os versos bradavam “às armas!” e pediam que se lutasse pela pátria.

A canção caiu no gosto do povo, que alguns anos depois derrubou a monarquia e instaurou a república, adotando “A Portuguesa” como hino nacional.

Curioso é que se hoje canta-se “contra os canhões, marchar, marchar!”, na época gritava-se “contra os bretões”.

Letra:

(Coro)

Heróis do mar, nobre povo
Nação valente e imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!

Entre as brumas da memória
Ó, Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Marrocos

O hino do Marrocos foi composto logo após sua independência, em 1956. Ficou sem letra, no entanto, por mais de 10 anos, até o Rei Hassan II organizar um concurso nacional para escolher seus versos. A poesia vitoriosa exaltava, entre outras coisas, a "terra de paz" e o lema islâmico: Deus, Pátria e Rei.

Letra:

(Coro)

Berço dos livres, fonte das luzes,
Terra de soberania, terra de paz,
Paz e soberania estejam sempre unidas!
Tens vivido entre as nações,
Com um título sublime,
Acalentando cada coração,
Cantado em cada língua,
Com alma e corpo,
Erguem-se seus campeões,
Respondendo a sua chamada
Em minha boca, em meu sangue,
Tuas brisas têm agitado tanto a luz e o fogo.
Ergam-se! Meus irmãos,
Empenhem-se cada vez mais alto.
Proclamamos ao mundo,
Que estamos preparados.
Com o nosso emblema: Deus, Pátria e Rei!

Irã

Fechando o grupo B, o Irã canta um hino que também foi escolhido por um recente concurso nacional, em 1990. Cita a autoridade religiosa, o Imam, e o dia do calendário iraniano em que a revolução islâmica aconteceu, em 22 de Bahmam.

Letra:

O sol do Oriente nasceu no horizonte
É o brilho dos olhos daqueles que acreditam na verdade.
Bahmam é o esplendor de nossa fé.
Sua mensagem, ó imã, de independência, liberdade,
está cravada em nossas almas.
Ó, mártires!
Seus lamentos ecoam ao longo do tempo.
Permaneça eterna e perene
República Islâmica do Irã