Um dos 23 convocados por Joachim Löw para a Copa do Mundo da Rússia, Julian Brandt tem uma forte ligação com o Brasil.
"Uma vez ele me mostrou uma música nova do MC Kevinho. O Julian colocou no vestiário, começou a dançar junto com o Jonathan Tah e falou: 'Você não conhece? Essa é nova' (risos)", contou Wendell, lateral do Bayer Leverkusen, ao ESPN.com.br.
De acordo com o brasileiro, o colega alemão não escuta somente canções do autor dos sucesso "Explosão", "Encaixa" e "O grave bater".
"Ele é fã de música brasileira. Tem música de funk que ele conhece que eu nunca ouvi (risos). Ele chega e fala: 'Olha o que eu peguei aqui Wendell, você conhece essa? Eu estou mais atualizado de música brasileira do que você'. Pior que é verdade",
"Essas batidas que coloco no vestiário de um novo MC que mostro ele já adiciona no Spotify. Várias vezes eu coloco o som no vestiário e eles gostam. As playlists dele são cheias de música brasileira"
Wendell conta que Brandt se esbaldou ao conhecer o país durante os Jogos Olímpicos de 2016, quando faturou a medalha de prata.
"Ele adorou o Brasil, ficou muito empolgado com a alegria do povo e as belezas naturais. Adorou as praias e encheu os olhos com os estádios lotados. A única dificuldade que passou foi o idioma porque poucos aqui falam inglês", relatou.
O alemão mais "brasileiro" do Leverkusen é avesso à tatuagem e tem a carreira administrada por seu pai. Além disso, gosta de ajudar os companheiros
"Ele é muito feliz, um garoto muito bom. Foi até meu motorista quando eu não tinha carteira na Alemanha. Peguei muita carona no começo porque morava perto da minha casa", disse Wendell.
O jogador de 22 anos tem multa rescisória de 40 milhões de euros (178 milhões) e já desperta cobiça de gigantes como Liverpool e Bayern de Munique.
TEVE BUG NO JOGO
Julian Brandt foi protagonista de um lance inusitado em um jogo pela Bundesliga contra o RB Leipzig, no fim de 2017. Durante uma cobrança de falta, o jogador estava na barreira e mesmo depois que a jogada se desenrolou por suas costas, ele não se mexeu. O alemão ficou encarando a arquibancada com um olhar fixo. (ver vídeo no topo)
Esse lance terminou com um pênalti marcado para o Leipzig, que empatou o confronto em 2 a 2. Brandt não se pronunciou sobre o "bug" que sofreu...
'SEMPRE TEM UMA CARTA NA MANGA'
Nascido em Bremen, Julian Brandt tinha como um dos seus maiores ídolos de infância o meia Diego, do Flamengo, que teve ótima passagem pelo Werder Bremen, conforme revelou ao Blog do Rafael Reis.
Após começar na base do Borgfeld, ele passou pelo Wolfsburg, quando também fez um estágio em administração de empresas. "Foi interessante, mas também demorado", admitiu em entrevista ao jornal alemão.
Em 2014, foi comprado pelo Bayer Leverkusen por 350 mil euros e fez sua estreia pelos profissionais com apenas 17 anos. Tratado como uma das maiores joias de sua geração, ele foi destaque em todas as categorias inferiores da seleção alemã.
"É um grande jogador. Ele é alto e você pode se enganar, achando que não tem muita agilidade, Mas é ao contrário, qualquer espaço pequeno ele tem uma carta na manga para sair. Está evoluindo muito a cada ano. Esta temporada foi a melhor dele", contou André Ramalho, que atuou com Brandt no Leverkusen, ao ESPN.com.br.
"Ele é bem completo, tem boa velocidade, é alto e driblador e tem um ótimo chute. Eu acho que o forte dele é jogar nas pontas. mas pode atuar mais centralizado", analisou Ramalho.
Além das habilidades técnicas e físicas, o brasileiro se impressionou com a força mental do jovem.
"Logo que eu cheguei ele era bem novo, mas já tinha muita personalidade. Não se abala, vai pra cima dos defensores. Nos treinos tinham situações que achava que não ia acontecer nada. Ele ele dava uma letra ou calcanhar. Faz coisas inesperadas", elogiou Ramalho.
Julian Brandt ajudou sua equipe a conquistar quatro vezes seguidas uma vaga para a Uefa Champions League. As grandes atuações pelo Leverkusen o fizeram ser chamado para os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Ele foi titular na conquista da medalha de prata, quando a Alemanha perdeu a final para o Brasil. No ano seguinte, ele esteve no elenco campeão da Copa das Confederações.
Com 16 jogos pela seleção principal, o jogador terá o desafio de ganhar uma entre os titulares na forte seleção alemã. A Alemanha está no Grupo F, ao lado de Coreia do Sul, México, e Suécia
