Ter a missão de substituir Zlatan Ibrahimovic não deve ser nada fácil. Marcus Berg soube disso assim que assumiu a titularidade da seleção sueca, após a aposentadoria do seu principal astro, em 2016. O atacante do Al Ain, dos Emirados Árabes, tem um perfil muito diferente do seu antecessor, conhecido tanto pelos belos gols - alguns deles inacreditáveis - quanto pela forte personalidade.
Apesar disso, Berg conseguiu igualar alguns feitos de Ibra e foi um dos principais responsáveis pela classificação dos suecos ao Mundial.
“É um excelente jogador. Tem muita qualidade com a bola e também sabe trabalhar para equipe e abrir espaços. Ali dentro da pequena área é matador. Não respeita nenhum goleiro, faz gols e não tem medo de ir para cima”, explicou Caio Lucas Fernandes, do Al Ain, em entrevista ao ESPN.com.br.
"Ele é trombador. Não é tão alto, mas sobe muito bem de cabeça e tem nos ajudado demais aqui no clube e na sua seleção", analisou.
E este instinto foi fundamental para levar a Suécia à Copa em um grupo que tinha França e Holanda. O destaque ficou para sua atuação na penúltima partida, contra Luxemburgo, quando balançou as redes por quatro vezes na goleada por 8 a 0.
Com isso, Berg se tornou o único jogador sueco a anotar quatro tentos em um jogo desde Ibra, contra a Inglaterra, em 2012. Ninguém fazia um hat-trick pela Suécia desde Zlatan, contra a Noruega, em 2013. Mais: ele foi a primeira pessoa a anotar um hat-trick pela Suécia e não se chamar Zlatan Ibrahimovic desde 2001!
Mesmo com a derrota para a Holanda na última rodada, a Suécia terminou na segunda posição da chave. Apesar de as duas seleções ficarem empatadas em pontos, os suecos ficaram à frente por uma diferença de cinco no saldo de gols, muito graças aos esforços do jogador, que anotou oito tentos nas eliminatórias.
A Suécia foi à repescagem e eliminou a Itália após vencer por 1 a 0 no jogo de ida e empatar por 0 a 0 na volta. O atacante passou em branco nos duelos, mas levou um soco de Daniele De Rossi, que acabou expulso.
Ao contrário de Ibra, conhecido pelas entrevistas engraçadas - às vezes polêmicas -, Berg tem perfil discreto. “Ele tem a família dele, os filhos dele. É difícil a gente sair juntos, mas às vezes fazemos um churrasco. Fora de campo é um cara muito legal, que respeita a todos e que sabe conversar”, contou Caio.
CARREIRA
Prestes a completar 32 anos, Marcus Berg começou na base Gotenborg, da Suécia. Foi promovido ao profissional em 2005 e ficou lá até 2007. Teve uma despedida de gala. Conquistou o Campeonato Sueco, encerrando um jejum de 11 anos sem ser campeão nacional, anotando 19 gols em 26 partidas naquela temporada.
Logo em seguida, ficou por duas temporadas no Groningen, da Holanda, no qual marcou 39 gols, antes de ir para o Hamburgo.
Na Alemanha, não conseguiu repetir o sucesso dos anos anteriores. Com apenas 12 gols em 47 jogos, ele foi emprestado ao PSV (Holanda), no qual também não foi bem. Após retornar ao clube germânico, ele fez 26 jogos e anotou três gols. Acabou vendido ao Panathinaikos, da Grécia, e se reergueu.
Mais experiente, com 26 anos, balançou as redes 23 vezes em seu primeiro ano no clube grego e já de cara conquistou o campeonato nacional. Apelidado de Homem de Ferro e Matador Verde - cor do clube -, viveu os melhores anos de sua carreira, fazendo gols nos principais clássicos nacionais e se tornando adorado pelos torcedores.
Na temporada 2016/2017, ele marcou 31 gols em sua temporada de despedida pelo Panathinaikos.
Após o sucesso na Grécia, ele se transferiu para o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, clube pelo qual encerrou em maio sua primeira temporada com a incríveis marcas: foram 36 gols em 36 jogos, dois hat-tricks, uma partida com quatro tentos, além das conquistas do campeonato nacional e da Copa do Presidente.
"É um jogador que tem muita frieza na cara do gol e tem nos ajudado demais. Tem toda confiança do nosso grupo", disse Caio.
Agora, se prepara para a Copa do Mundo sob os olhares atentos e a bênção de Ibrahimovic: "Berg é um artilheiro nato", declarou quando os dois atuaram juntos pela seleção.
Na Rússia, Marcus Berg terá a chance de provar que existe vida para a Suécia sem Zlatan...
