De saia-justa a ex-presidente 'fura fila': conheça a trajetória da Granja Comary, casa da seleção brasileira

Granja Comary, Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro.

Um lugar que carrega histórias da seleção brasileira nos últimos quarenta anos.

Sim, quatro décadas, porque a cidade hospedou a equipe canarinho antes mesmo de sua chamada inauguração oficial em 1987 - um evento também emblemático.

O bairro pertencia à família de Carlos Guinle, conhecida por ser dona do Copabacana Palace. Nos anos 1950, o terreno foi loteado e tornou-se o endereço mais caro de Teresópolis.

A Granja Comary, com seu clima bem mais ameno do que o da capital fluminense, chamou a atenção do Almirante Heleno Nunes (presidente da CBF entre 1974 e 1980). Ele via a cidade serrana como ideal para a seleção brasileira realizer seus treinamentos antes dos torneios.

Com isso, em 1978, a equipe comandada por Claudio Coutinho chegou a Teresópolis na preparação para a Copa do Mundo de Argentina.

Encantado com o local, Heleno Nunes pensou que valeria a pena investir na compra de um terreno para a construção da futura concentração da seleção brasileira. No mesmo ano, o presidente da CBF adquiriu 149 mil m² de área ao pé da Serra dos Órgãos.

O projeto para erguer a Granja Comary, no entanto, só começou a sair apenas em 1983, quando Giulite Coutinho já comandava o futebol nacional. O prazo para a entrega das obras era de dois anos, mas os prazos fizeram com que o centro de treinamento ficasse pronto apenas 48 meses depois do prazo.

Em 1986, Giulite Coutinho perdeu a eleição presidencial para Otávio Pinto Guimarães, que foi o responsável então por inaugurar o novo espaço.

A saia-justa estava armada. De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo de 31 de janeiro de 1987, no dia anterior à inauguração oficial, Giulite compareceu à Granja Comary para ter sua foto oficial colocada no mural de ex-presidentes. Ele ficou apenas 15 minutos no espaço.

No dia do lançamento - um evento para 300 convidados -, eram esperadas as presenças do então presidente da República, José Sarney, e do chefão da Fifa, João Havelange. Ambos não apareceram.

Ficou à cargo de outro ex-presidente do Brasil o famoso corte de fita: Ernesto Geisel, um dos generais da ditadura militar brasileira.

O Estadão, porém, garante que Geisel "no empurra-empurra, passou à frente de Otábio Pinto Guimarãs e, ao lado da viúva do ex-presidente Helenos Nunes, cortou a fita da inauguração simbólica da concentração".

Heleno Nunes, o idealizador da Granja Comary, morreu em 1984 e não pôde ver seu projeto entregue.

Desde então, a seleção brasileira fez todas as suas preparações pré-Copa do Mundo (exceto em 2006) em Teresópolis.