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Brasileiro da Polônia adia casamento pela 2ª vez, agora para jogar a Copa do Mundo

Presente da pré-lista de 38 convocados da Polônia para a Copa do Mundo, o brasileiro Thiago Cionek sonha estar nos gramados da Rússia no mês que vem.

Naturalizado desde 2011, o zagueiro de 32 anos fez parte da renovação promovida pelo técnico Adam Nawałka, que levou o país de volta às grandes competições internacionais e a conquistar posições de destaque no ranking da Fifa.

Para jogar a Euro 2016, ele precisou adiar seu casamento com a polonesa Justyna. Com os planos prorrogados, o casal resolveu esperar mais um pouco para fazer a cerimônia.

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"Eu e minha noiva decidimos nos casar na Polônia depois da Copa. Ainda não temos a data certinha, mas vamos reunir as famílias com calma. A logística é um pouco complicada, mas estamos fazendo isso. E vamos finalizar isso tudo com calma e organizar da melhor forma possível", disse o zagueiro, ao ESPN.com.br.

Descendente de poloneses, o paranaense de Curitiba começou a carreira no Cuiabá. Depois, passou pelo Bragança, de Portugal, e pelo CRB antes de chegar ao Jagiellonia Bialystok, da Polônia, em 2008.

Após cinco temporadas, Cionek mudou-se para a Itália, onde defendeu Padova, Modena e Palermo. No começo deste ano, ele foi para a SPAL, clube recém-promovido à Série A Italiana. Desde então, foram 15 partidas e um gol marcado.

Faltando apenas uma rodada para o fim da competição, a equipe da cidade de Ferrara está na 18ª posição com 35 pontos ganhos, uma colocação acima do Crotone - 19º colocado que também tem 35 pontos - primeiro clube na zona de rebaixamento.

Suspenso por cartão amarelo, o defensor terá que ver das arquibancadas do estádio Paolo Mazza, o duelo decisivo contra a Sampdoria, neste domingo.

Veja a entrevista de Thiago Cionek na íntegra:

ESPN - Você nos contou em 2016 que adiou seu casamento por causa da Euro. E aí, casou?
Cionek -
(risos) Eu e minha noiva decidimos nos casar depois da Copa. Ainda não temos a data certinha, mas vamos reunir as famílias com calma na Polônia. A logística é um pouco complicada, mas estamos fazendo isso. E finalizar isso tudo com calma e organizar da melhor forma possível.

ESPN - Qual foi a sensação de disputar a Euro 2016 pela Polônia?
Cionek -
O treinador da seleção assumiu quatro anos atrás e pegou todo ciclo desde o fim da Copa de 2014, quando a Polônia não se classificou. Ele começou a renovação e formou o grupo. As eliminatórias para Euro foram muito complicadas. Foi comparável com a Copa do Mundo para a gente. Nível muito alto e é muito difícil para chegar. Agora, passamos bem pela eliminatória da Copa do Mundo. Nosso time tem a base muito bem formada, jogadores estão muito experientes e jogam em grandes centros da Europa. Chegaremos bem fortes para essa Copa.

ESPN - Jogar a Copa do mundo é o maior sonho da tua carreira?
Cionek -
Com certeza é o grande sonho da minha carreira poder representar a Polônia. Depois de 100 anos fazer o caminho inverso dos meus antepassados. Estou muito perto disso. Ainda mais pela origem, significa ainda mais para mim. Espero estar na lista final por tudo que a Polônia fez por mim.

ESPN - Como seria enfrentar o Brasil?
Cionek -
Tem essa chance de nos enfrentarmos nas quartas de final. Ficaria feliz por que se isso acontecer é sinal que passamos de fase. Nasci no Brasil e torci em algumas Copas, mas seria algo especial.Seria estranho e diferente, mas no momento só penso em me preparar.

ESPN - A Polônia passou por mudanças com a chegada do treinador Adam Nawałka...
Cionek -
Sim, o pessoal antes tinha um pé atrás porque não tínhamos bons resultados. Não passamos da primeira fase da Euro 2012 em casa. Depois, não fomos para a Copa do Mundo de 2014. Mas com esse novo ciclo saímos da 70ª posição do ranking da Fifa até a quinta colocação. Ganhamos da Alemanha pela primeira vez na história nas eliminatórias da Euro.

ESPN - Como está a expectativa da torcida da Polônia às vésperas da Copa?
Cionek -
Obtivemos grandes resultados e depois só caímos nas quartas da Euro para Portugal, que foi a campeã, nos pênaltis. Com isso, a torcida se mobilizou ainda mais. O país respira futebol e só pensa na Copa. Eles têm uma expectativa muito grande para a Copa. Temos grandes jogadores que estão nos melhores campeonatos atuando em alto nível. Claro que isso gera uma expectativa muito alta e uma cobrança maior. Temos que estar bem atentos e tentar corresponder a isso. Nos últimos quatro anos, mudou muito como torcedor vê e participa. Todo jogo nosso o estádio fica cheio.

ESPN - Vocês têm alguma meta específica de qual fase querem chegar?
Cionek -
Não temos. Nosso objetivo é primeiro passar da fase de grupos. Para isso, o primeiro jogo é chave para nós. É um torneio curto e precisamos chegar bem. Temos que focalizar em cada partida coo uma final. Queremos chegar o mais longe possível, não temos nenhuma meta especifica. Depois, no mata-mata tudo pode acontecer.

ESPN - Esse ano você trocou de clube na Itália. Como foi a mudança?
Cionek -
Eu estava no Palermo e fui para a Spal. A equipe jogou a Série A 50 anos atrás e tem um projeto muito grande. A cidade se mobilizou e eles subiram da Série C para a Série A em poucos anos. Foi tudo bem rápido. A cidade de Ferrara respira futebol porque há muito tempo não tinha uma equipe na elite. Nosso estádio tem capacidade de 15 mil pessoas e todo jogo está lotado. Difícil conseguir ingresso e atmosfera á muito bacana, os torcedores ficam muito perto, como se fosse uma arena mesmo.

ESPN - Como está o elenco da Spal na temporada?
Cionek -
Esse ano temos o goleiro da seleção de Senegal, o Alfred Gomis, que será o primeiro adversário da Polônia na Copa do Mundo (risos). Uma coincidência. Além dele, tem o Borrielo, ex-atacante de Roma, Milan e Juventus, que jogou a primeira parte do Campeonato Italiano, mas teve uma lesão em janeiro e ficou fora. Temos o Paloschi, que jogou Premier League e era da Atalanta. Trouxeram vários jogadores que conhecem bem o Italiano e mantiveram a base que conseguiu o acesso. A ideia é ficar o maior tempo possível na Série A

ESPN - Falta apenas uma rodada para o fim da Série A. Como está o clima para o jogo contra a Sampdoria que pode garantir a permanência do time na elite?
Cionek -
Temos tudo para nos mantermos na Série A, temos agora o último jogo. Mas eu fui suspenso por cartão amarelo e infelizmente vou sofrer de fora. Temos tudo para conseguir isso. Vamos pegar a Sampdoria no domingo e com uma vitória não cairmos. Ainda podemos ficar se o Crotone não vencer o Napoli fora de casa. Queremos não depender de ninguém. Temos que fazer nossa lição de casa e terminar da melhor maneira.