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Ônibus incendiado, sede depredada e objetos roubados: time do ABC vive dia de terror

Ônibus do Clube Atlético Diadema após ter sido incendiado Lucas Moreira/CA Diadema

Com quase dez anos de existência, o Clube Atlético Diadema, agremiação do ABC paulista que está licenciada do futebol, viveu um verdadeiro dia de terror em 29 de abril, quando teve seu centro de treinamento invadido. Naquele domingo, o local sofreu depredações, objetos foram roubados e um ônibus e uma sala de aula foram incendiados.

Não houve feridos porque a ação criminosa ocorreu em um horário que não havia funcionários no local. Mesmo assim, ela deixou todos no clube bastante assustados.

O primeiro ato da diretoria foi determinar a mudança, ainda que provisória, para um galpão de um patrocinador. Tudo que sobrou foi encaminhado para lá. Não que tenha sobrado muita coisa.

Durante a ação criminosa foram roubados os motores da geladeira e da máquina de lavar, fiação, agasalhos e outros materiais esportivos do CAD, como é conhecido a equipe em Diadema. O prejuízo ainda é calculado.

O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piraporinha, em Diadema, que investiga os possíveis responsáveis.

Segundo o clube, não é um caso simples. Todos que poderiam ajudar como testemunhas também estão assustados.

O CAD está no bairro da Vila Nogueira e a área ocupada foi concedida pela prefeitura em 2011. Conseguiu renovar até o final de 2017. Antes, o local era moradia de usuários de drogas e tinha diversos problemas sociais.

O trecho entre o viaduto da Rodovia dos Imigrantes até o CT do CAD é chamado até hoje de "cracolândia", referência direta aos usuários de drogas na região. A presença do clube, com um centro de treinamento, tinha como efeito amenizar o problema.

Fundado em 2009, o CAD jogou até o ano passado a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, que na prática corresponde a última divisão do Estado. O melhor desempenho foi em 2016, quando finalizou a competição na décima colocação.

A concessão do centro de treinamento do Taperinha, que venceu em 31 de dezembro passado, era fundamental para a sequência do projeto do clube, que trabalha com categorias de base e contava com quase 120 garotos entre os times sub-15, sub-17 e sub-20.

"O mínimo que tentamos renovar foi por cinco anos. Além de continuar os trabalhos, iríamos abrir novas sedes do Sonda supermercados, que passaria a nos patrocinar, gerando empregos. Um dos nossos planos era fazer um estádio ali. Mas, na votação na câmara dos vereadores, perdemos o direito por apenas um voto. Decisão que não cabe recurso", afirmou Lucas Moreira, responsável pela comunicação do CAD, para o ESPN.com.br.

"Não podemos continuar no local onde está o CT, no qual investimos R$ 800 mil desde 2011. Sem um centavo de dinheiro público. Conseguimos tudo com patrocinadores. Como perdemos por apenas um voto a renovação da concessão, a gente estava trabalhando em um novo projeto para levar para votação e continuamos no CT. Foi aí que aconteceu essa ação criminosa", disse Moreira.

A perda do terreno já teve um impacto na curta vida do CAD. Sem um local para treinar e jogar, a equipe teve de se licenciar do futebol neste ano. Segundo Moreira, o regulamento da Federação Paulista exige que cada clube tenha uma sede.

Uma possibilidade seria utilizar o campo do rival Água Santa, que fica no bairro de Inamar. Contudo, há uma forte rivalidade entre as equipes. Ano passado, o CAD foi proibido de enfrentar o Primavera no local e perdeu por W.O. (Walkover).

A ação criminosa do dia 29 de abril, data que dificilmente será esquecida pela jovem agremiação, traumatizou os funcionários do CAD, mas não tirou totalmente a esperança deles.

"Vamos batalhar para tentar readquirir o CT. Voltar a trabalhar com os garotos da base para dar uma oportunidade e pensamos em um dia termos nosso estádio. E esperamos que os culpados sejam descobertos logos", disse Lucas.